
A contagem regressiva para a Vila da Páscoa 2026 já mobiliza o Grupo Teatral São Francisco de Assis (Grutesfa), do Santuário São Judas Tadeus – Igreja dos Capuchinhos –, no bairro América, que se prepara para mais uma encenação da Paixão de Cristo, na Orla da Atalaia, em Aracaju. Um dos momentos mais aguardados da programação promovida pelo Governo de Sergipe, o espetáculo será apresentado aos finais de semana, reunindo fé, arte e tradição em um evento que acontece entre os dias 3 e 26 de abril.
A participação do grupo na Vila da Páscoa chega à terceira edição, consolidando o espetáculo entre as principais atrações do evento. Neste ano, a expectativa é reunir um público numeroso, repetindo o sucesso das edições anteriores.
Para o diretor da Grutesfa, Raimundo Oliveira, a iniciativa do Governo de Sergipe foi fundamental para ampliar o alcance do trabalho. “Foi uma alegria muito grande quando fomos convidados. A Vila da Páscoa é um sucesso, é evangelização, também. É um evento que movimenta a cultura, reúne famílias e emociona pessoas de todas as idades”, afirma.
Segundo o ator Alan dos Santos, integrante do grupo desde 2014 e intérprete de Herodes nesta edição, o impacto positivo da Vila da Páscoa vai além do espetáculo. “Foi um enriquecimento muito grande não só para o grupo, mas para a comunidade católica. Incentivou outras paróquias e comunidades a realizarem esse tipo de trabalho”, pontua, destacando, ainda, a presença de turistas e o fortalecimento da cultura local.
Preparação
A preparação para subir ao palco começa meses antes. Desde janeiro, os integrantes participam de ensaios regulares, três vezes por semana, às terças, sábados e domingos, em uma rotina que exige disciplina, organização e envolvimento espiritual. A antecipação é estratégica para garantir a qualidade da apresentação, como explica Raimundo Oliveira. “O grupo teatral São Francisco de Assis foi fundado em fevereiro de 1978, ou seja, estamos com 48 anos de idade. É uma vida de evangelização, levando a palavra de Deus através da dramatização teatral, seja em cidades do interior ou em bairros aqui da região”, ressalta.
A longa trajetória do grupo é marcada pelo compromisso com a arte sacra e com a comunidade. Ao longo das décadas, além da tradicional Paixão de Cristo, o grupo também realiza autos de Natal e apresentações em datas comemorativas, sempre com o objetivo de evangelizar e sem fins lucrativos.
Atualmente, o grupo conta com cerca de 30 integrantes fixos, mas, durante a encenação da Paixão de Cristo, esse número cresce significativamente com a participação da comunidade. “Chega ao número de cem pessoas, em média, entre atores e equipe de bastidores. As pessoas vêm, participam conosco e vivem esse trabalho de evangelização”, explica Raimundo.
Bastidores
Nos bastidores, os detalhes fazem a diferença. O cenário da encenação é fixo na Orla da Atalaia, montado pelo Governo do Estado com base nas orientações do grupo. Já o figurino é um patrimônio histórico da companhia, preservado desde a fundação e renovado gradualmente conforme a necessidade.
A dedicação dos integrantes vai além do palco. Muitos conciliam o teatro com outras profissões, como comércio, serviços e atividades administrativas. É o caso do ator Rodrigo Soares, de 33 anos, que começou no grupo ainda criança e hoje é ator profissional com DRT, mas mantém o trabalho de forma voluntária. “É um trabalho que exige dedicação, disciplina e, principalmente, espiritualidade. A gente não faz só teatro, a gente evangeliza. É um propósito”, afirma.
Neste ano, Rodrigo encara o desafio de interpretar Judas pela primeira vez, após já ter vivido outros personagens importantes. A construção do papel envolve estudo, pesquisa e preparação emocional. “Cada personagem tem sua importância. A gente precisa se preparar muito para entregar ao público aquilo que ele espera”, explica.
Quem também vive intensamente essa experiência é o ator Cleber Paz, que interpreta Jesus Cristo pelo terceiro ano no grupo. Para ele, a atuação representa um chamado. “Não é só uma interpretação, é um propósito. A gente precisa estar preparado espiritualmente, emocionalmente e mentalmente para levar a mensagem de Jesus Cristo”, destaca.
Segundo Cleber, a conexão com o público é um dos momentos mais marcantes da apresentação. “O que mais me toca é ver o olhar das crianças e idosos. A gente entende que está ali levando algo maior, a palavra de Deus através da arte sacra”, conclui.
Vila da Páscoa 2026
A Vila da Páscoa é um evento realizado pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e as secretarias de Estado da Comunicação Social (Secom), da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic) e do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem). O evento, que movimenta a cultura, o turismo e promove a geração de renda, conta com apoio da Netiz, Energisa, Deso, Iguá Sergipe, Fecomércio/SE, Senac/SE, Governo Federal e Ministério do Turismo, e patrocínio do Banese.














