
O dia 31 de março de 1964 permanece como um marco profundamente divisivo na história brasileira. Para setores das Forças Armadas e parte da direita, o movimento que depôs o presidente João Goulart representou uma revolução que teria evitado a implantação de um regime comunista no país. Já para a esquerda, historiadores e movimentos sociais, tratou-se de um golpe de Estado que interrompeu a ordem democrática e deu início a uma ditadura militar que durou 21 anos.
Naquele contexto, o Brasil vivia instabilidade política, inflação elevada, greves e intensa polarização ideológica em plena Guerra Fria. João Goulart defendia as chamadas reformas de base, incluindo mudanças agrárias, educacionais e tributárias. Essas propostas mobilizavam apoio popular, mas também geravam forte reação de setores conservadores, empresariais, parte da imprensa, da Igreja e das Forças Armadas.
Entre as principais lideranças do regime militar estiveram Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Do lado da oposição, destacaram-se nomes como Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes, além de movimentos estudantis, sindicais e organizações de resistência, algumas delas optando pela luta armada.
O período militar registrou momentos de crescimento econômico, especialmente durante o chamado “milagre econômico”, mas também ficou marcado por censura à imprensa, repressão política e graves violações de direitos humanos. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, ao menos 434 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante a ditadura, além de milhares de presos, torturados e perseguidos.
Entre os casos mais emblemáticos de mortos e desaparecidos estão:
Esses nomes representam apenas uma parte de um universo maior de vítimas, muitas das quais ainda hoje não tiveram seus casos totalmente esclarecidos. Também houve mortes em confrontos e ações armadas envolvendo grupos de resistência, o que demonstra a complexidade e a violência do período.
Até hoje, o 31 de março é lembrado sob diferentes óticas. Para alguns, foi uma ação necessária diante do cenário da época; para outros, simboliza a ruptura democrática e o início de um regime autoritário.
Passadas mais de seis décadas, o 31 de março de 1964 continua sendo um ponto sensível na memória nacional. Mais do que escolher um lado, compreender esse período exige análise crítica, respeito às diferentes interpretações e, sobretudo, reconhecimento das vítimas. A preservação da memória histórica é fundamental para fortalecer a democracia e garantir que conflitos políticos sejam resolvidos dentro do Estado de Direito, sem retrocessos institucionais.
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