
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vive o dilema em relação ao fim da escala 6x1, que vai reduzir a jornada de trabalho sem diminuição do salário.
O filho primogênito do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro não sabe como agradar os empresários, principalmente os da Faria Lima, sem desagradar os empregados.
A avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, é onde se encontra a elite financeira do país, que costuma fazer vultosas doações para os pré-candidatos à Presidência da República. Abriga os grandes bancos e os fundos de investimentos.
Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que não existe "almoço de graça na política". O toma lá sempre vem acompanhado do dá cá. Besta é coelho, como diz o ditado popular.
O problema para Flávio Bolsonaro é que o apoio a escala 6x1, proposta do governo Lula 3, já chega a 71% dos brasileiros, segundo recente pesquisa do instituto Datafolha.
Outro ponto que preocupa o staff político do senador-presidenciável, detectado na consulta do Datafolha, é que 55% dos eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022 são a favor do fim da escala 6x1.
O Datafolha também apontou que o percentual de apoio dos evangélicos chega a 67%. Lembrando ao caro e atento leitor que esse segmento religioso é considerado como o maior e principal reduto eleitoral do bolsonarismo.
O Datafolha também diz que 63% dos que frequentam a igreja - mais de uma vez por semana - são a favor do fim da escala. Os que vão uma vez por ano, 81%.
"A redução de jornada sem redução de salário, e a grade, com dois de descanso na semana, deve ser definida pelas negociações", disse Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, à Folha de São Paulo.
Flávio Bolsonaro se encontra nesse "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Vai chegar o momento de ter que assumir uma posição: ou fica do lado de quem pretende dar dinheiro para sua campanha ou do empregado.
Ficar escorregadio, em cima do muro, tapeando os dois lados, não é aconselhável, termina desagradando a todos. O eleitor não gosta de candidato que não toma posição diante de uma situação. Costuma chamá-lo de "vaselina".
Concluo lembrando que o então candidato Jair Bolsonaro, no pleito de 2018, chamou Geraldo Alckmin de "candidato vaselina" por não se posicionar diante dos assuntos.
Não acredito que o ex-morador do Palácio do Alvorada vai manter essa opinião em relação ao filho mais velho, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro.
COLUNA WENSE, QUARTA-FEIRA, 18.03.2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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