
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) realizou, na manhã desta terça-feira, 24, no Teatro Atheneu, o Seminário ‘Busca Ativa Escolar: sua presença faz a diferença’. O evento reuniu gestores estaduais e municipais, equipes técnicas, conselhos tutelares e representantes da assistência social e da saúde para fortalecer ações intersetoriais de enfrentamento ao abandono escolar e qualificar as equipes responsáveis pela execução da estratégia em todo o estado.
A Busca Ativa Escolar (BAE) é uma estratégia nacional que articula metodologia social e ferramenta tecnológica para identificar, registrar e acompanhar crianças e adolescentes fora da escola ou em risco de evasão, possibilitando o planejamento do retorno ao ambiente escolar e o monitoramento da permanência do estudante por até um ano após a rematrícula. Em Sergipe, a política foi intensificada a partir de campanhas institucionais como ‘Fora da Escola Não Pode’ e, desde 2019, vem sendo ampliada em todo o território estadual, com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
Segundo dados da plataforma Busca Ativa Escolar, de 2018 até janeiro de 2026, já são 9.391 rematrículas realizadas na rede pública estadual de ensino, resultado das ações efetivas da iniciativa. Em 2023, foram 2.595 rematrículas, e em 2024 o número chegou a 2.016. Em 2025, a taxa de risco de abandono escolar nas escolas da rede pública estadual foi de 0,87%, evidenciando os impactos concretos da política na promoção do acesso e da permanência escolar. Desde 2019, ações contínuas têm contribuído para a consolidação da estratégia em todo o estado e, em 2025, a política passou a contar com monitoria específica voltada à Busca Ativa Escolar e ao Transporte Escolar.
O secretário executivo da Seed, Marcel Resende, destacou que a estratégia está presente em todas as 75 localidades do estado e tem produzido resultados significativos. “Essa abordagem demonstra ser vitoriosa, eficaz e crucial, pois, ultrapassando os limites da escola, visa a promover a inserção plena de nossos jovens na vida cidadã. É sabido que, muitas vezes, a criança manifesta sinais de dificuldades, como desânimo, faltas e o silêncio. Essas manifestações indicam a necessidade de intervenção para manter a criança na escola. A escola assume um papel central nesse processo. Nenhum outro agente público, seja da saúde ou da assistência social, acompanha o cidadão por tanto tempo quanto o professor e a escola. É nesse convívio prolongado que se identificam as causas que levam uma criança a não frequentar ou a abandonar a escola”, afirmou.
Capacitação e análise
O coordenador estadual da Busca Ativa Escolar, Agno Disevanio Andrade Santos Junior, ressaltou que o seminário teve como público-alvo as equipes que atuam diretamente na estratégia em todo o estado. “O evento reúne as equipes do Busca Ativa Escolar das redes estadual e municipais para analisar as razões que levam crianças a ficarem fora da escola, como trabalho infantil, bullying, abuso sexual, entre outros fatores. É fundamental que as estratégias, tanto em nível municipal quanto estadual, identifiquem essas causas para que possamos recuperar esses estudantes e garantir sua permanência na escola. Para isso, é indispensável a colaboração conjunta de todos os envolvidos, já que, muitas vezes, quando a criança deixa de frequentar a escola — seja para cuidar de irmãos mais novos ou para contribuir financeiramente com a família —, outras esferas da sociedade, além da educação, precisam ser acionadas para assegurar seu retorno e continuidade nos estudos”, explicou.
Durante o seminário, foram debatidas temáticas centrais relacionadas ao abandono e à evasão escolar, como violência no ambiente familiar, bullying no contexto escolar, gravidez na adolescência, trabalho infantil e uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas, reforçando a necessidade de respostas articuladas entre diferentes políticas públicas.
A diretora da Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), Maria Luiza Omena, enfatizou a importância da mobilização permanente das escolas. “Este seminário é fundamental porque nos esclarece e orienta sobre como mobilizar as equipes escolares para manter os alunos continuamente monitorados, evitando a evasão e o abandono escolar. O trabalho do Busca Ativa Escolar se inicia agora, mas se estende por todo o ano letivo, com o intuito de acompanhar de forma permanente as matrículas da nossa rede e garantir a permanência dos estudantes na escola”, destacou.
Para a coordenadora operacional da BAE de Neópolis, município do baixo São Francisco, Sally Magnes de Oliveira Soares, a conscientização das famílias é um dos principais desafios para evitar a evasão escolar no município. “Percebo que ainda falta incentivo de alguns pais para que os alunos frequentem a escola, especialmente em áreas do interior, onde persiste a visão de que a criança deve priorizar o apoio à família. Sabemos que esse suporte familiar é importante, mas a educação precisa ser prioridade, pois sem conhecimento e formação cultural se torna difícil se manter em uma sociedade cada vez mais exigente. Minha responsabilidade é conscientizar os pais e também os colegas de trabalho para que estejam atentos aos sinais de evasão. Pretendo estar sempre presente nas escolas, ampliando essa observação e solicitando que as equipes repassem as informações à coordenação, para que possamos, junto aos agentes administrativos, investigar os motivos das ausências. Se o aluno não está participando, certamente existe uma razão que precisa ser compreendida”, relatou.
Representante do Conselho Tutelar do município de Lagarto, no centro sul sergipano, o conselheiro Fábio Salustiano Dias dos Santos destacou a importância da corresponsabilidade entre os diferentes agentes públicos no enfrentamento à evasão escolar. “A Busca Ativa Escolar não é uma responsabilidade exclusiva da Secretaria de Educação, mas uma ação que exige parceria efetiva entre os diversos órgãos públicos, para que a política saia do papel e se concretize na realidade dos municípios. Em muitos casos, os fatores que afastam as crianças da escola estão relacionados à estrutura familiar, como ausência dos pais, vulnerabilidade socioeconômica e conflitos familiares, inclusive quando os estudantes não residem com seus responsáveis. Quando tomamos conhecimento dessas situações, quase sempre identificamos que há uma problemática familiar envolvida, o que reforça a necessidade de atuação articulada entre educação, assistência social, saúde e demais políticas públicas”, concluiu.












