
A acessibilidade faz parte da programação do Concurso de Quadrilhas Juninas do Gonzagão durante todas as noites da competição. Nessa quarta-feira, 10, durante a terceira noite classificatória, intérpretes de Libras acompanharam as apresentações dos grupos juninos, ampliando o acesso de pessoas surdas aos enredos, músicas e narrativas levadas ao arraial. A iniciativa integra a programação do ciclo junino promovida pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), e acontece pelo segundo ano consecutivo em parceria com o Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe (Ipaese).
Nesta etapa classificatória do concurso, subiram ao palco as quadrilhas Balanço do Nordeste, Chapéu de Couro, Cangaceiros da Boa, Pisa na Brasa, Encanto do Matuto, Rosa Dourada e Unidos em Asa Branca.
Acessibilidade na cultura
A assessora técnica de Cultura da Funcap, Grazzy Coutinho, destacou que a presença dos intérpretes integra a política de acessibilidade adotada nas programações juninas do Governo de Sergipe. “Em todas as programações juninas tem acessibilidade, e nos concursos de quadrilhas do Gonzagão e do Arranca Unha não seria diferente. Desde o ano passado, os intérpretes de Libras estão presentes nos nossos festejos, trazendo mais inclusão para as pautas culturais. Essa inclusão é muito importante para toda a sociedade e para todo o público”, afirmou.
Durante as apresentações, os profissionais permanecem posicionados em área visível para o público, permitindo maior acesso às narrativas desenvolvidas por cada quadrilha. A tradução em Libras durante uma apresentação de quadrilha exige acompanhamento constante de diferentes elementos do espetáculo. Além das músicas, os profissionais interpretam diálogos, encenações, falas dos marcadores e aspectos narrativos que ajudam a construir os enredos apresentados pelos grupos.
Para a intérprete Beatriz Rabelo, a presença da Libras em eventos culturais amplia o acesso da população às manifestações artísticas. “A nossa profissão contribui para essa comunicação e para que toda a sociedade esteja incluída. É algo muito positivo para o nosso estado, pois mostra que a cultura nordestina e a cultura sergipana são para todo mundo”, explicou.
Beatriz Rabelo também detalhou a dinâmica adotada durante as apresentações. Segundo ela, os intérpretes atuam em sistema de espelhamento e revezamento para garantir qualidade na tradução ao longo de toda a programação. “O espelhamento é uma técnica em que os dois intérpretes acompanham tudo ao mesmo tempo. Caso exista algum momento em que um não consiga ouvir ou aconteça alguma falha, o outro dá suporte. Também há troca e revezamento, geralmente a cada 20 ou 30 minutos, para descanso da mente e do corpo”, destacou.
Público aprova
A professora Adna Alves acompanhou a terceira noite classificatória e pontuou a importância da acessibilidade em eventos culturais. “É muito relevante porque é preciso dar acesso cultural a todos e todas. Há algum tempo, pessoas com deficiência auditiva ou visual não tinham essa oportunidade que o Governo tem dado. Quando se quer transmitir a cultura do seu povo, a primeira necessidade é garantir acesso a todos. A ação inclusiva precisa estar na escola, nos eventos oficiais e, também, em qualquer evento em que as pessoas estejam presentes”, afirmou.
Adna também destacou a importância das quadrilhas juninas para a preservação da cultura popular. “A quadrilha é a linguagem do sertanejo, do forró. Eu nasci em uma rua onde tinha concurso de quadrilhas. Então, para a gente, quadrilha não é só dança, é conhecimento sobre a cultura sertaneja. A gente fica feliz, se empolga e vê oportunidade para grupos de todo o estado mostrarem seu talento”, considerou.
Resultado e próxima etapa
Na terceira noite da etapa classificatória, garantiram vaga para as semifinais os grupos Unidos em Asa Branca, Balanço do Nordeste e Cangaceiros da Boa. Já as quadrilhas Encanto do Matuto, Pisa na Brasa, Chapéu de Couro e Rosa Dourada encerraram sua participação na competição.
O Concurso de Quadrilhas Juninas do Gonzagão segue nesta quinta-feira, 11, a partir das 20h, com a quarta e última noite classificatória. Sobem ao palco as quadrilhas Luar do Sertão, Unidos do Arrasta Pé, Meu Xodó, Asa Branca, Raízes do Sertão, Século XX e Pioneiros da Roça. A programação segue até o dia 15 de junho, quando será conhecida a campeã da edição 2026.







