
Programa que supera ao mesmo tempo as dificuldades do acesso à água no semiárido e da oferta dela com alta salinidade no subsolo daquela região, o Água Doce (PAD) passou a operar em Sergipe a partir de 2025, com três novas unidades de dessalinização. Hoje são cerca de três mil famílias atendidas com água potável de 32 desses sistemas, em comunidades rurais de nove municípios. No mesmo período, o Governo do Estado começou licitação para outras 11 unidades do PAD e também houve a recuperação de seis sistemas e outras 40 visitas das equipes de manutenção.
Nesta semana foram realizadas visitas às comunidades de Três Tanques, em Carira, no agreste central, e no povoado Craibeiro, em Porto da Folha, no alto sertão, onde foram realizados reparos e manutenção nas bombas d'água que fazem o sistema de dessalinização funcionar.
Cleverton Rodrigues Gonçalves de Melo é usuário e operador da unidade do Craibeiro e reforça a importância do acompanhamento periódico feito pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), pasta onde o PAD é coordenado no estado. “Aqui é uma comunidade que sempre sofreu com a falta de abastecimento de água, mas o dessalinizador do PAD tem ajudado bastante. Oferecemos água mineral subterrânea tratada e o pessoal da Coderse sempre faz a análise para ver como está. O Governo do Estado tem disponibilizado a equipe para prestar atendimento na reforma nos aparelhos e fazer manutenção nas bombas, quando dá defeito, e em todo o equipamento”, relatou Cleverton Rodrigues.
Coordenador Estadual do PAD em Sergipe, Vandesson Carvalho informou que a equipe da Coderse faz visitas para avaliar a qualidade da água ou quando são chamados operadores. “Eles têm capacitação, feita em 2023, para operar o sistema e fazer algumas atividades de manutenção, como a retrolavagem e a reposição de produtos usados na filtragem da água. A Coderse é acionada quando é necessário um técnico ou equipamentos”. Ele informa que no último ano houve intervenções nas unidades de Porto da Folha, Simão Dias, Tobias Barreto, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Poço Verde e Carira. Nas duas últimas, houve também a recuperação de sistemas ou poços.
Segundo o diretor de Infraestrutura Hídrica da Coderse, Ernan Sena, a companhia tem expertise em serviços em poços, o elemento principal para um sistema de dessalinização, contando com pessoal capacitado e máquinas. “Em 2025, cinco poços em sistemas do PAD em Poço Verde passaram por limpeza e teste de vazão, feito por equipes da Gerência de Perfuração. Esta limpeza das impurezas presentes no poço é uma forma de aumentar a produção de água e o tempo de vida do poço, todos com mais de dez anos de atividade só atendendo os dessalinizadores”, destacou.
Novos sistemas
Também no início desta semana, o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, esteve com o secretário Nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Serra, em Brasília/DF. O departamento federal faz parte do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), que coordena o nacionalmente o PAD. Além de Sergipe, o programa está presente nos outros oitos estados do Nordeste e em Minas Gerais. “Nosso encontro em Brasília tratou da implementação dos 11 novos sistemas do Água Doce, que estão em processo de formalização de licitação para ser lançada em breve pela Coderse. Um investimento de R$ 9 milhões, consolidando a retomada do crescimento do programa em Sergipe a partir de 2025, quando foram construídos três cistemas em Carira, Poço Verde e Porto da Folha. Ao final dessas duas empreitadas de obras, o Governo do Estado vai ampliar de 29 para 43 o número de comunidades do semiárido com sistemas de dessalinização PAD”, completou Paulo Sobral.
Responsabilidade ambiental
O operador Cleverton Rodrigues foca na importância do uso racional dos sistemas de dessalinização. A água do poço não é infinita e somente cerca de 50% dela é aproveitada para consumo, restando porcentagem igual com alta concentração de sal e que deve ter destinação correta, para não contaminar o solo. “A gente faz o atendimento pessoal, que vem com seus galões para poder pegar duas vezes por semana, cada um tem a sua quantidade, porque o sistema também não suporta. Água é saúde pública, é um bem que ninguém vive sem e aqui você não precisa comprar água mineral, tem na própria comunidade”.










