
Com a proximidade do Carnaval, o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES), já executa o planejamento estratégico para atender as demandas no período, principalmente os casos relacionados a acidentes de trânsito, em especial os que envolvem motociclistas.
Atualmente, o Huse registra média de 16 admissões diárias por acidentes de trânsito, sendo aproximadamente 12 delas com vítimas de motocicleta. O levantamento mais recente aponta que, a cada duas horas, pelo menos um paciente vítima de sinistro de trânsito dá entrada na unidade.
De acordo com o coordenador da Cirurgia Geral do Huse, Ricardo Jabbur, o período carnavalesco tradicionalmente apresenta aumento de ocorrências graves, muitas delas associadas ao consumo de álcool e ao excesso de velocidade. “No Carnaval, observamos, principalmente, fraturas expostas de membros, fraturas de fêmur e tíbia, traumatismos cranioencefálicos, lesões de coluna e traumas torácicos e abdominais provocados por impactos de alta energia. São casos que frequentemente exigem cirurgias de urgência, procedimentos ortopédicos complexos e, em muitos casos, internação em UTI”, explicou.
Segundo ele, o impacto vai além do atendimento imediato. “Quando há fratura, o tempo médio de internação varia de cinco a 11 dias, mas, a recuperação completa, pode levar de seis meses a um ano. Isso gera impacto direto na rede hospitalar, na ocupação de leitos e, também, na vida do paciente, que, muitas vezes, é jovem e economicamente ativo”, ressaltou Jabbur.
Dados do hospital indicam que cerca de 80% das vítimas atendidas por acidentes de trânsito são motociclistas, reforçando o alerta para esse público.
Estrutura reforçada para o período festivo
O superintendente do Huse, Rilton Morais, destaca que a unidade já está com equipes estruturadas e fluxos organizados para absorver a demanda esperada durante o Carnaval. “Estamos reforçando as escalas médicas e assistenciais, garantindo que não haja déficit de profissionais em nenhuma área estratégica, como cirurgia geral, ortopedia, neurocirurgia, anestesiologia, enfermagem, fisioterapia e suporte intensivo. Também estamos organizando a dinâmica interna e otimizando leitos para assegurar capacidade de resposta diante do aumento da demanda”, afirmou.
De acordo com Rilton, o objetivo é manter a eficiência e a qualidade da assistência mesmo diante do crescimento no número de ocorrências. “O Huse está plenamente preparado para oferecer atendimento rápido, seguro e resolutivo às vítimas de trauma durante o Carnaval”, reforçou.
Assistência
Parte significativa da demanda atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe) tem como destino o Huse, referência estadual em atendimento a traumas de média e alta complexidade. Por concentrar especialidades como cirurgia geral, ortopedia, neurocirurgia e suporte intensivo, a unidade absorve casos graves regulados pela Central de Regulação das Urgências, especialmente aqueles decorrentes de acidentes de trânsito.
Os dados do Samu reforçam esse cenário. Em 2024, foram registrados 10.564 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito em Sergipe. Em 2025, o número subiu para 10.969 ocorrências. As quedas de motocicleta lideram os registros, com crescimento no comparativo anual, seguidas por colisões entre carro e moto e entre motocicletas. O perfil das vítimas é majoritariamente masculino, com maior incidência na faixa etária de 19 a 40 anos — público que também representa parcela expressiva dos pacientes admitidos no Huse.
Diante do período carnavalesco, o superintendente do Samu 192 Sergipe, Ronei Barbosa, destaca que o serviço já atua com planejamento específico e reforço operacional. “Está chegando o período carnavalesco e o time de gestão do Samu 192 Sergipe, assim como toda a rede de urgência e emergência do Estado, se mobiliza para reforçar suas escalas, manter as equipes completas e ampliar o número de ambulâncias. Existe uma atenção especial para esse período porque, pelas próprias características da festa, há aumento no número de acidentes, muitas vezes associados ao consumo excessivo de bebida alcoólica e aos deslocamentos entre municípios”, afirmou.
O superintendente ressalta, ainda, a preocupação com os sinistros envolvendo motociclistas. “Como os dados demonstram, há, sempre, uma preocupação especial com os acidentes envolvendo motociclistas, porque, pela própria característica do veículo, já existe uma fragilidade maior. Quando ocorre um sinistro com motocicleta, há uma potencialidade maior de gravidade. O Samu está preparado com seu plano de contingência, mas é fundamental falar de prevenção: utilizar capacete e equipamentos de proteção, manter o veículo revisado, respeitar os limites de velocidade e não associar bebida alcoólica à direção. Com responsabilidade e prevenção, podemos reduzir o número e a gravidade das ocorrências”, enfatizou.





