
O Departamento de Alimentação Escolar (DAE) da Secretaria de Estado da Educação (Seed), em parceria com o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Universidade Federal de Sergipe (Cecane/UFS), reuniu, na última terça-feira, 10, representantes das cooperativas de agricultores do Estado para discutir o andamento da compra, venda e distribuição dos produtos alimentícios nas escolas da rede pública estadual de ensino. Na ocasião, os produtores conversaram sobre como estão os processos em suas respectivas regiões, destacando o apoio dado pelo Governo do Estado na integração entre a agricultura familiar e as escolas da rede.
A diretora do DAE, Lucileide Rodrigues, destacou que este foi um momento de grande importância, que reafirma o compromisso da Seed com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), garantindo refeições adequadas aos estudantes da rede. “A reunião promoveu um espaço de escuta e diálogo com os agricultores familiares e os atores locais. A Seed reafirma que está à disposição para apoiar os agricultores, caminhando de mãos dadas com a agricultura do Estado, na perspectiva de fortalecer o Pnae e garantir alimentos de qualidade aos estudantes da rede estadual”, afirmou.
A nutricionista agente do Cecane, Kaila Carvalho, ressaltou que a reunião trouxe resultados positivos, com relatos favoráveis dos agricultores familiares sobre a distribuição dos alimentos nas escolas. “Ficamos muito satisfeitos com a presença dos agricultores, que puderam trazer depoimentos positivos, e nós pudemos entender se as diretrizes do programa estão sendo realmente atendidas. Saímos daqui muito satisfeitos e felizes com o resultado”, enfatizou.
A nutricionista também destacou a importância da reunião diante do novo reajuste anunciado pelo Governo Federal para os recursos destinados ao Pnae, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que passa a ser, neste ano, de R$ 6,7 bilhões. A medida impacta diretamente milhares de escolas em todo o país, incluindo a rede pública estadual de educação de Sergipe.
Outro ponto discutido foi a expectativa pela publicação da resolução da Chamada Pública (DP nº 0418/2025) para a aquisição de alimentos da agricultura familiar na rede neste ano. Sergipe é destaque, com investimento de 63% dos recursos do Pnae na compra de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar, superando o mínimo de 45% estabelecido pelo programa (percentual atualizado nesta semana. Anteriormente o mínimo era de 30%).
Agricultura familiar
Durante as discussões, os agricultores elogiaram a ampliação do mercado para a distribuição de suas produções locais, expandindo sua atuação para as unidades de ensino distribuídas nas Diretorias Regionais de Educação (DREs). Cada cooperativa distribui os alimentos com base nas potencialidades produtivas de sua região, além de atender às exigências do Pnae, contribuindo para uma alimentação saudável, que favorece o desenvolvimento, a aprendizagem e a socialização dos estudantes.
Alimentos como batata-doce, macaxeira, inhame, batata, cenoura, maxixe, hortaliças frescas (como alface e coentro) e frutas (como banana, abacaxi, laranja e tangerina) compõem a variedade presente na alimentação escolar. Em Sergipe, um dos grandes destaques é o camarão, distribuído em todas as DREs do estado.
O vice-presidente do Conselho de Alimentação Escolar, Manoel Antônio de Oliveira, destacou que Sergipe é referência na promoção da agricultura familiar junto às escolas estaduais, fortalecendo a integração entre o poder público e os produtores, além do desenvolvimento local das propriedades familiares. “Houve grandes avanços na distribuição de alimentos da agricultura familiar em Sergipe, e isso é importante porque todo o campo ganha, incluindo agricultores familiares, camponeses, assentados, quilombolas e pescadores”, ressaltou.
O coordenador de Produção, Comercialização e Logística da Cooperativa de Moita Bonita, município do agreste central, José Joelito Santos, elogiou a reunião. “É um momento de alinhamento na distribuição dos alimentos, mas também de gratidão, porque podemos apresentar ao DAE e ao Cecane o quanto está sendo importante para nós, agricultores, essa comercialização feita junto ao Estado, assim como a parceria com o governo, com as nutricionistas e com o DAE. Tudo para que o alimento de qualidade chegue às escolas, e o agricultor tenha seu produto valorizado”, contou.
De Areia Branca, também no agreste central, a produtora individual de alimentos orgânicos Elida Rosa exaltou a felicidade com a entrega de seus produtos frescos nas escolas como uma nova oportunidade de mercado. Segundo ela, a iniciativa possibilitou trazer os filhos de volta para o campo, para auxiliá-la na produção e atender ao aumento da demanda. “A gente ia para a feira livre, então o produto não era tão visto pelas pessoas como está sendo hoje, nas escolas. Para mim, foi uma sensação muito grande poder trazer meus filhos de volta para o campo comigo. Essa oportunidade que tivemos foi grandiosa, não só para mim, como produtora, mas também para outros produtores que querem participar dessa distribuição”, reiterou.





