
Sergipe vive um momento de transformação no perfil de renda da sua população. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em informações do Governo Federal, mostram que 65,08% dos sergipanos integram, atualmente, as classes A, B e C, um crescimento de 8,44 pontos percentuais entre 2022 e 2024. O avanço reflete um conjunto de fatores econômicos e sociais que vêm reposicionando o estado no cenário nacional.
Um dos principais motores desse crescimento é o fortalecimento do mercado de trabalho. Sergipe encerrou 2025 com o maior número de empregos formais da sua história, alcançando 360.527 trabalhadores com carteira assinada, além de saldo positivo de 17.839 vagas no acumulado do ano. O estado também passou a liderar a renda média do Nordeste, com R$ 2.905 no terceiro trimestre de 2025.
Para o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), Jorge Teles, o avanço da população para faixas de maior renda está diretamente ligado à geração de empregos e à melhora na qualidade das ocupações. “O crescimento do rendimento médio em Sergipe ajuda a explicar esse avanço expressivo da população nas classes A, B e C. Hoje, o estado lidera a renda média no Nordeste, com R$ 2.905 no terceiro trimestre de 2025, quase R$ 500 acima da média regional. Esse resultado é reflexo direto de um mercado de trabalho mais forte, com mais oportunidades formais, salários em elevação e políticas públicas voltadas à inclusão produtiva”, pontuou.
Segundo o secretário, Sergipe vive o melhor momento da sua história no mercado de trabalho. “Alcançamos o maior número de trabalhadores com carteira assinada já registrado, com 360.527 vínculos formais. Esses avanços se refletem, também, na menor taxa de desemprego da nossa série histórica, de 7,7%, e na redução da desigualdade, com o menor Índice de Gini já registrado no estado”, complementou.
Além do emprego, o estudo da FGV aponta a integração de políticas públicas como fator decisivo para a mobilidade social. Programas como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ações de acesso à educação, crédito e inclusão produtiva ajudaram milhões de brasileiros a migrar para classes de maior renda. Em Sergipe, mais de 250 mil pessoas saíram da pobreza e da extrema pobreza apenas em 2024.
A secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, destaca a relevância do momento atual. “Esses dados confirmam que a política social funciona quando ela é integrada. A transferência de renda garante dignidade, mas, junto com ela, vêm oportunidades de trabalho, educação e inclusão produtiva. Em Sergipe, a gente já vê famílias que antes precisavam apenas de proteção hoje avançando com mais autonomia”, frisou.
Ambiente econômico favorável
Nesse contexto, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) tem papel estratégico na consolidação de um ambiente econômico favorável ao crescimento. Segundo a secretária de Estado da Fazenda, Sarah Tarsila Andreozzi, o avanço da renda em Sergipe está diretamente ligado à combinação de estabilidade fiscal, ampliação dos investimentos públicos, modernização da legislação tributária, crescimento da arrecadação e fortalecimento de setores estratégicos, como o turismo.
De acordo com Sarah Tarsila, a reorganização das contas públicas foi determinante para viabilizar esse ciclo de desenvolvimento. Sergipe conquistou o Capag A, classificação concedida pela Secretaria do Tesouro Nacional que atesta a capacidade de pagamento do Estado e amplia o acesso a operações de crédito e investimentos estruturantes. “Há cerca de dez anos, o Estado enfrentava dificuldades até para manter compromissos básicos. Hoje, temos Capag A, que é o melhor indicador de sustentabilidade fiscal do país, e isso nos permite planejar e executar investimentos estruturantes”, destacou.
Desde o início da atual gestão, o governo adotou uma estratégia de competitividade baseada em infraestrutura, segurança jurídica e capacidade produtiva, e não apenas em benefícios fiscais. Com a reforma tributária em curso e o fim gradual da guerra fiscal, o Estado passou a apostar em diferenciais estruturais para atrair empresas. “Precisamos oferecer condições reais para o investimento, como segurança energética, segurança pública, infraestrutura e mão de obra qualificada. Foi isso que orientou nossa estratégia de atração de novos empreendimentos”, explicou.
A secretária ressaltou que Sergipe reúne vantagens importantes nesse cenário, como a diversidade da matriz energética, com fontes térmica, eólica e solar, além de indicadores positivos na área da segurança pública. Com as finanças equilibradas, o Estado intensificou os investimentos em infraestrutura e, em 2025, registrou o maior volume de investimentos da sua história, com R$ 1,3 bilhão empenhado, valor equivalente a cerca de 8% da Receita Corrente Líquida, percentual superior à média nacional. “Quando o Estado investe em infraestrutura, ele gera emprego de forma imediata e cria as condições para atrair novos empreendimentos, o que se reflete em mais renda para a população”, afirmou.
Outro fator determinante para esse cenário foi o crescimento da arrecadação, alcançado sem aumento da alíquota modal do ICMS que hoje é a menor do Nordeste. Segundo a secretária, o avanço foi resultado da modernização da administração tributária e da melhoria do ambiente de negócios, com destaque para mudanças no Programa Administrativo Fiscal (PAF), que deram mais celeridade aos processos e ampliaram a segurança jurídica. “A arrecadação saiu de cerca de R$ 11 bilhões, em 2022, para mais de R$ 16 bilhões, em 2024. Isso mostra que é possível arrecadar mais com eficiência, diálogo e previsibilidade, sem penalizar o contribuinte”, explicou.
Desta maneira, desde 2023, foram publicadas mais de 300 medidas entre leis, decretos, portarias e instruções normativas, com o objetivo de simplificar regras, dar previsibilidade ao setor produtivo e fortalecer a relação do Estado com o setor privado. Além da infraestrutura, o turismo aparece como um dos vetores mais rápidos de geração de emprego e renda. Os investimentos do Governo do Estado em eventos juninos, economia criativa e promoção do destino Sergipe impulsionaram, especialmente, os setores de comércio e serviços. “O turismo é uma indústria de resposta rápida. Quando o Estado investe, o efeito é imediato na geração de emprego e renda”, ressaltou Sarah.
Políticas de transferência de renda
Outro ponto importante é o fortalecimento da arrecadação que propicia ampliação da capacidade do Estado de financiar políticas sociais e investimentos públicos. Parte dos recursos tributários é destinada à educação, saúde, segurança e assistência social, além do Fundo de Combate à Pobreza, que sustenta programas voltados à população em situação de vulnerabilidade. “Quanto mais o Estado arrecada com responsabilidade fiscal, mais ele consegue investir em políticas públicas. O tributo retorna para a população na forma de serviços, proteção social e oportunidades”, salientou a secretária da Fazenda.









