
Em alusão ao Fevereiro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre a leucemia, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), unidade gerida pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), reforçou nesta sexta-feira, 6, a importância do cadastro de doadores de medula óssea durante a ação itinerante ‘Sergipe é aqui’, realizada no município de Malhada dos Bois.
O gesto solidário, que leva poucos minutos, pode ser decisivo para salvar vidas de pacientes que aguardam por um transplante. De acordo com a hematologista do Hemose, Lourdes Alice Marinho, a leucemia não é uma doença única, mas um conjunto de diferentes tipos de neoplasias que afetam os tecidos responsáveis pela produção do sangue.
“Costumamos comparar a medula óssea a uma fábrica, pois é dela que saem os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas. Quando ocorre algum tipo de mutação ou erro nesse processo de produção celular, dentro da medula óssea, pode surgir a leucemia. Por isso, falamos em leucemias, no plural”, detalhou.
O Hemose realiza o cadastramento de forma contínua e integra o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), ampliando as chances de compatibilidade entre doadores e pacientes em todo o país e no exterior. Quanto maior o número de pessoas cadastradas, maiores são as possibilidades de encontrar um doador compatível.
Cadastro nos municípios
Por meio do ação itinerante ‘Sergipe é aqui’, o Hemose tem ampliado o acesso ao cadastro de doadores de medula óssea em diversos municípios sergipanos. A iniciativa descentraliza o serviço, aproxima a população das ações de saúde e fortalece a rede de solidariedade, permitindo que mais pessoas se cadastrem sem a necessidade de deslocamento até a capital.
A autônoma Janice Soares aproveitou a realização do serviço em seu município para realizar o cadastro. Para ela, a iniciativa é muito importante. “Gosto de cuidar da minha saúde e, além disso, quero poder ajudar outras pessoas e salvar vidas. Achei essa iniciativa muito importante para o município, pois contribui tanto para a doação de medula óssea quanto para conscientizar outras pessoas”, afirmou.
Já a estudante Maria Clara Ramos também realizou o cadastro de medula óssea. “Procurei saber como funcionava e aí decidi realizar o meu cadastro. Fiquei muito feliz em saber que com esse gesto posso ajudar outras pessoas que tanto precisam”, relatou Maria Clara.
Quem pode doar
A pessoa precisa ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde e apresentar um documento oficial com foto. No momento do cadastro, é preenchido um formulário com dados pessoais e coletada uma pequena amostra de sangue, que será utilizada para os testes de compatibilidade.
Segundo a gerente de captação do Hemose, Rozeli Dantas, o processo de cadastro é simples e acessível. “Após o cadastro, o doador passa a integrar o banco nacional. Caso haja compatibilidade com algum paciente, esse doador é chamado para novas etapas. Por isso é fundamental manter os dados atualizados. Esse compromisso pode representar a esperança de cura para quem está lutando contra a leucemia”, reforçou a gerente.
Outro exemplo de solidariedade é o biomédico Mateus dos Santos, que neste mês foi acionado pelo Redome para a coleta da segunda amostra, etapa fundamental para confirmar a compatibilidade e avançar no processo de doação. Ele relata a alegria de seguir no processo. “Foi com muita felicidade que recebi a ligação do Redome informando que eu poderia ser um possível doador compatível de medula óssea. É uma bênção, considerando que a chance de compatibilidade é de uma em quase 100 mil”, afirmou.
Outros serviços
A população também contou com a presença do Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Aquino (CER IV), que realizou a solicitação e a entrega de Órteses, Próteses e Meios de Locomoção (OPMs). Entre os beneficiados está a dona de casa Maria Aparecida Gomes, que recebeu uma cadeira de rodas e uma cadeira de banho para o filho.
“Eu não tenho nem palavras para agradecer. Receber esses equipamentos é uma emoção muito grande, porque eu não teria condições de comprar uma cadeira dessas, e meu filho estava sofrendo muito por não ter. Quero agradecer imensamente ao Governo do Estado por esta ajuda que chegou até nós. Como mãe, a gente nunca quer ver um filho passando por isso, mas aprende a aceitar e compreender. Que esse trabalho continue ajudando outras famílias que vivem essa mesma situação”, afirmou Maria Aparecida.





