
Jimmy Cliff nasceu em St. James e cresceu em Kingston, onde a música corria pelas ruas e pelos estúdios que moldaram o ska, o rocksteady e, mais tarde, o reggae. Ainda adolescente, ele já compunha, frequentava estúdios como Studio One e Beverly’s e chamava atenção pela voz forte e pelas letras que falavam de superação, espiritualidade e crítica social.
Nos anos 60, Cliff despontou como uma das primeiras estrelas jamaicanas com potencial internacional. Sua música atravessava estilos e ajudava a preparar terreno para o reggae que estava nascendo. Ele já era reconhecido antes mesmo de o gênero explodir no mundo.
A consagração mundial veio em 1972 com o filme The Harder They Come. Cliff atuou como protagonista e ainda assinou parte da trilha sonora, que se tornou histórica. A obra apresentou a Jamaica para o mundo de forma autêntica e deu ao reggae o impulso definitivo para ganhar espaço fora da ilha.
O disco da trilha sonora é considerado até hoje um dos mais importantes do reggae. A partir daí, Cliff entrou definitivamente no seleto grupo de artistas jamaicanos de repercussão global.
Depois do sucesso do filme, Jimmy Cliff se tornou presença constante em festivais, turnês e trilhas sonoras. Ele transitava com naturalidade entre reggae, soul, rock e ritmos africanos, o que ampliou seu público e consolidou seu nome na cena internacional.
Gravou e se apresentou ao lado de artistas de vários países, como Rolling Stones, Annie Lennox, Paul Simon, Wyclef Jean, Gilberto Gil e Lazzo Matumbi. Essa capacidade de dialogar com diferentes culturas fez sua música ecoar por mais de seis décadas.
Cliff recebeu prêmios e títulos que reforçam sua importância:
· Ordem do Mérito da Jamaica
· Indução ao Rock & Roll Hall of Fame
· Indicações ao Grammy
· Homenagens em diversos festivais pelo mundo
Sua carreira é uma das mais longas e consistentes da música jamaicana.
Entre seus maiores clássicos estão:
· Many Rivers to Cross
· You Can Get It If You Really Want
· The Harder They Come
· Reggae Night
· I Can See Clearly Now
Essas canções atravessaram décadas, trilharam filmes, tocaram em rádios no mundo inteiro e continuam presentes na memória de várias gerações.
Jimmy Cliff encontrou no Brasil um espaço afetivo e artístico único. Ele participou do Festival Internacional da Canção em 1968, lançou o disco Jimmy Cliff in Brazil com versões de músicas brasileiras e fez shows que marcaram época.
Teve parcerias importantes com artistas nacionais, entre eles:
· Gilberto Gil, com quem dividiu turnês pelo país
· Margareth Menezes, Cidade Negra e Titãs
· Lazzo Matumbi, grande referência do reggae baiano e da música afro-brasileira
Com Lazzo, Cliff alimentou uma relação de respeito e afinidade artística. Os dois compartilhavam raízes negras, espiritualidade e a visão do reggae como expressão de identidade. Essa ponte cultural ajudou a aproximar a Bahia da Jamaica, criando um diálogo musical que marca a história do reggae brasileiro.

"A vida é engraçada de certa forma, pois os últimos anos me prepararam para este momento, mas nada realmente nos prepara para o dia", Nabiyah.
Sua conexão com o Brasil também é familiar: sua filha, Nabiyah Be, nasceu da relação com a psicóloga baiana Sônia Gomes.
O músico deixa três filhos, Aken e Lilty, fruto do relacionamento com a atual esposa, Latifa, e a brasileira Nabiyah Be.
Jimmy Cliff não apenas cantou reggae. Ele levou a Jamaica para o centro da cultura global. Falou sobre esperança, liberdade e dignidade, inspirou músicos em todos os continentes e ajudou a transformar o reggae em patrimônio da música mundial.
Sua influência é visível na Jamaica, no Brasil — especialmente na Bahia — e em qualquer cena musical que valorize identidade, resistência e diversidade.
Jimmy Cliff faleceu em 24 de novembro de 2025, aos 81 anos, após uma convulsão seguida de pneumonia. A família agradeceu o apoio dos fãs e pediu respeito ao momento de luto.
Da pequena ilha caribenha para o planeta, Jimmy Cliff construiu uma carreira rara: longa, respeitada, diversa e profundamente humana. Ele abriu caminhos, criou pontes culturais e deixou um repertório que segue vivo. Sua música continua ecoando em palcos, festas, rodas de reggae e na memória afetiva de milhões de pessoas — no Brasil, na Jamaica e no mundo inteiro.
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"Meu amigo Jimmy Cliff partiu hoje. Tive a honra de poder acompanhá-lo por três anos, em turnês no mundo inteiro, e abrir o show desse mestre, como ocorreu nesse Rock’n Rio, em 1991.
Ficam as alegrias, o reggae que corre no sangue e saudade dessa lenda da música mundial e referência para os amantes do reggae!"
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