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Rainha do Sul: quando a ficção inspira o cerco a um império criminoso

Operação baiana mira liderança do tráfico, prende advogada da cúpula e bloqueia patrimônio milionário.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Editoria de Polícia
27/11/2025 às 13h25
Rainha do Sul: quando a ficção inspira o cerco a um império criminoso


A Polícia Civil da Bahia entrou em cena com uma ofensiva que lembra a narrativa intensa da famosa série que inspirou o nome da operação. A Rainha do Sul, paródia direta das versões estreladas por Alice Braga, sobrinha de Sônia Braga e a atriz mexicana Kate del Castillo, ganhou contornos reais ao desmontar parte da cadeia de comando de uma facção que movimentava grandes quantias, distribuía drogas, lavava dinheiro e articulava ataques armados em vários estados.

O alvo central foi uma advogada descrita como a principal ponte entre o líder máximo do grupo, preso no Presídio de Serrinha, e os operadores espalhados pela Bahia e outros quatro estados. Ela foi localizada em São Caetano, em Salvador, com cerca de 190 mil reais em espécie. Segundo as investigações, era a responsável por repassar ordens estratégicas, reorganizar territórios e manter o fluxo de comunicação com internos e chefes externos. A relação íntima com o líder reforçava sua posição de confiança dentro da organização.

A operação cumpriu até agora 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Entre os investigados estão responsáveis pela contabilidade do tráfico, gerentes territoriais que comandavam áreas em Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari e Salvador, além de operadores encarregados do transporte, armazenamento e distribuição de drogas e armas. As ações ocorreram simultaneamente na Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo.

O cerco financeiro também foi pesado. A polícia bloqueou bens que revelam o padrão de vida sustentado pelo esquema ilícito: sete carros, um jetski, um haras com cavalos de raça e uma usina de energia solar avaliada em cerca de um milhão de reais. Há ainda bloqueios de contas e investimentos ligados a 26 CPFs e CNPJs. Esse montante pode ultrapassar cem milhões de reais.

A ação envolveu equipes do DENARC, DRACO, DHPP, DEIC, DIP, DEPOM, DPMCV, POLINTER, CORE e COPJ, além do apoio do DPT - Departamento de Polícia Técnica e das Polícias Civis de Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo, uma verdadeira "Força Tarefa" A meta é clara: cortar o fluxo de dinheiro, enfraquecer a estrutura interna e comprometer a capacidade de reação da facção.

A Operação Rainha do Sul mostra como as forças policiais brasileiras costumam batizar suas ações com nomes fortes e criativos, prática que se destaca ainda mais na Polícia Civil da Bahia. Além de facilitar a identificação pública, esses nomes reforçam o impacto de investigações complexas e ajudam a marcar operações que, como esta, atingem o núcleo estratégico do crime organizado.

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