
O escândalo que levou à prisão dos donos do Banco Master e da Cesta do Povo expôs um esquema bilionário de fraudes em empréstimos consignados e revelou a participação de entidades que deveriam representar servidores, mas que atuavam como operadoras financeiras. A operação da Polícia Federal mostrou como descontos ilegais, cobranças abusivas e acordos obscuros afetaram milhares de trabalhadores em todo o país, inclusive na Bahia. O caso reacendeu a urgência de responsabilizar associações e financeiras que exploram servidores há anos.
Não precisamos esperar por medidas do governo. Os sindicatos podem ingressar na Justiça e repetir o que foi feito no caso do INSS: pedir uma liminar para suspender todos os descontos, não só do Banco Master e do Credcesta, mas também das associações que atuam como financeiras. Elas emprestam dinheiro como se fossem bancos, mas operam como agiotas. Exigem mensalidades dobradas sob o pretexto de “segurança” e submetem servidores a cobranças que configuram associação criminosa, conforme o Artigo 288 do Código Penal.
A gravidade é tão evidente que duas dessas entidades, que se passam por associações de servidores e possuem CNPJ regular, sofreram hoje, dia 18, operações de busca e apreensão em Salvador. Isso confirma o que há muito vinha sendo denunciado.
Outro ponto é a relação permissiva entre o Estado e essas financeiras. Mesmo servidores sem margem no contracheque conseguem contrair empréstimos que são automaticamente descontados, ignorando o limite legal de 30 por cento de comprometimento da remuneração. Algo assim só acontece porque há conivência.
Diante disso, é hora de o SINDPOC - Sindicato dos Policiais Civis da Bahia, assumir essa pauta com urgência. A entidade precisa agir não só em defesa da categoria como um todo, mas principalmente dos policiais aposentados, que hoje são os mais explorados pela falta de uma representação sindical efetiva. E essa realidade deixou de ser restrita à inatividade. Centenas de policiais civis ainda na ativa já vivem uma rotina humilhante, marcada por descontos abusivos e dependência forçada dessas associações travestidas de entidades de classe. Uma ação imediata pode garantir uma liminar para barrar esses abusos e preservar apenas o valor legítimo da mensalidade dos filiados.
A crise dos consignados mostrou que o problema é profundo, estruturado e alimentado por interesses que ultrapassam qualquer limite ético. Cabe agora aos sindicatos encarar essa responsabilidade, acionar o Judiciário e proteger quem já vem sendo prejudicado há anos.
A categoria precisa de uma resposta firme, coordenada e urgente.
por Crispiniano Daltro
(*) Operação expões fraude bilionária e ligações do Banco Master com associações de servidores na Bahia.
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