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ENTRE O CUIDADO E A OMISSÃO: quando o Estado lava as mãos e o sindicato se cala

As ações de “bem-estar” promovidas pelo sindicato mostram boa intenção, mas também revelam o abandono do Estado e a inércia de uma entidade de classe que, em vez de cobrar resultados concretos, se distancia das verdadeiras lutas da categoria policial.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: por CRISPINIANO DALTRO
12/11/2025 às 12h08 Atualizada em 12/11/2025 às 12h53
ENTRE O CUIDADO E A OMISSÃO: quando o Estado lava as mãos e o sindicato se cala

As ações de “bem-estar” promovidas pelo sindicato mostram boa intenção, mas também revelam o abandono do Estado e a inércia de uma entidade de classe que, em vez de cobrar resultados concretos, se distancia das verdadeiras lutas da categoria policial.

Uma boa ação que desperta uma grande dúvida

Ao ler a matéria publicada pelo Sindpoc, intitulada “Policiais participam de ação de bem-estar e saúde mental em Salvador”, não há como negar o mérito da iniciativa.

O projeto “Polícia Cidadã” levou atendimento médico, psicológico e estético gratuito aos servidores do Complexo Policial 3D, em Itapuã.

A ação ofereceu desde serviços básicos, como aferição de pressão e testes de glicemia, até atendimentos mais complexos, como audiometria, assistência psicológica e eletrocardiograma — tudo pensado para aliviar, por um instante, a rotina pesada dos policiais civis.

Mas, diante de tanta boa vontade, surge uma questão inevitável: essa responsabilidade não seria do DEMEP — o Departamento de Saúde do Policial Civil?

Dever do Estado, não favor do sindicato

Não caberia ao Estado garantir, de forma permanente, o acompanhamento da saúde física e mental de uma categoria que lida diariamente com riscos extremos, violência e tensão constante?

O que o sindicato apresenta como conquista voluntária talvez devesse ser, na verdade, uma cobrança firme ao governo por políticas estruturadas de cuidado e prevenção.

É louvável que o Sindpoc se mova diante da omissão estatal. Contudo, é preciso cuidado: essas ações não podem servir de cortina de fumaça para o descaso do governo.

O policial: o único servidor com uma ferramenta letal

A administração estadual, sob a bandeira do partido dos trabalhadores, trata servidores da segurança pública — policiais, professores, médicos e enfermeiros — como peças intercambiáveis de uma máquina.
Mas o policial é diferente. Ele carrega diariamente uma
ferramenta letal, um instrumento capaz de tirar vidas.

Não é apenas um trabalhador: é alguém que, mesmo aposentado, jamais se desvincula da responsabilidade e do peso de portar uma arma.

Ainda assim, o Estado ignora essa condição e continua a negar direitos fundamentais como a paridade e a integralidade.

O adoecimento silencioso e a omissão institucional

Enquanto o governo se acomoda em ações de aparência, o desgaste psicológico, o alcoolismo, a dependência de medicamentos e o adoecimento mental crescem silenciosamente dentro das delegacias.
Não se trata de luxo, mas de sobrevivência.

O problema é que, em meio às boas intenções, o Sindpoc parece ter esquecido seu verdadeiro papel.
A entidade que deveria estar na linha de frente das
lutas salariais e estruturais limita-se a reproduzir o papel do próprio Estado: ameniza sintomas, mas não enfrenta causas.

Enquanto o governo trata a segurança pública com descaso, o sindicato se refugia em ações paliativas e midiáticas.

Paridade, integralidade e silêncio

Hoje, a categoria vive momentos de apreensão e indignação.

A questão da PARIDADE e integralidade atormenta os que estão prestes a se aposentar, e a diferença de reajustes entre ativos e inativos — concedida no último acordo salarial — expõe o desprezo pelos aposentados.

Ainda assim, o silêncio do sindicato é ensurdecedor.

Quando a luta vira festa

É bonito promover ações de saúde e bem-estar, mas é triste perceber que elas também servem para mascarar a inércia sindical.

Enquanto o Sindpoc comemora massagem e manicure, questões urgentes como a paridade, a integralidade e a defesa da categoria seguem esquecidas.

O que deveria ser luta virou festa — e, dentro da entidade de classe, até a simples filiação de um policial civil é tratada como um grande evento.

É louvável cuidar da saúde, mas é vergonhoso usar essas ações como cortina de fumaça para esconder a omissão.

Enquanto o governo se exime e o sindicato se distrai, os direitos da categoria continuam sendo corroídos.

No Sindpoc de hoje, tudo é motivo de comemoração — menos o que realmente importa.
E, nesse cenário, quem paga o preço é o policial, que segue sozinho, entre o descaso e o silêncio.

Autoria:
Crispiniano Daltro

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CRISPINIANO DALTRO..
CRISPINIANO DALTRO..
Administrador, Pós graduado em Gestão Pública de Municípios pela Uneb/Ba, coordenador e professor do curso de Investigador Profissional ministrado pela Facceba, ex-Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia - SINDPOC, ex-Coordenador Geral da Federação dos Trabalhadores Público do Estado da Bahia – FETRAB e Investigador de Policial Civil. E-mail: crispinianodaltro@yahoo.com.br | Whatsapp: (71) 99276 - 8354
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