
Mobilização apolítica, apartidária e independente de entidades sindicais busca paridade salarial e respeito às conquistas históricas, após aposentados serem excluídos das reivindicações oficiais da categoria.
O movimento dos policiais civis aposentados da Bahia teve início em 05 de agosto, quando veteranos da corporação decidiram organizar-se de forma autônoma, diante da omissão das entidades representativas que, segundo eles, deixaram a categoria de fora das últimas reivindicações salariais. Apolítico, apartidário e desvinculado de qualquer sindicato, o grupo tem como objetivo central garantir a paridade e integralidade dos proventos, além do cumprimento de reajustes nos mesmos prazos concedidos aos policiais da ativa.
Batizado de “DIREITO DOS VETERANOS DA POLÍCIA CIVIL”, o movimento reúne cada vez mais participantes por meio de um grupo no WhatsApp, e já promoveu ações significativas, como o protocolo de denúncia no Ministério Público Estadual, no dia 11 de agosto. Na ocasião, uma comissão formada por Crispiniano Daltro, Valter Santana, Fátima Humbelino, Jorge Araújo, Robson Cerqueira e Adalice Gomes apresentou documentos e relatou defasagens salariais à procuradora Eduwirgen, que recebeu o pleito e informou que o caso será distribuído a um procurador responsável.
A mobilização teve novo capítulo na manhã de 12/09, quando a mesma comissão juntamente com vários integrantes do Grupofoi foram recebidos em audiência pelo Delegado-Geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, no miniauditório de seu gabinete. Receptivo às demandas, Viana destacou que compreende a situação dos aposentados e lembrou que em breve também fará parte dessa condição. Colocou-se à disposição para intermediar o diálogo com o Secretário de Segurança Pública e demais instâncias do Governo do Estado, visando soluções concretas para o caso.
A postura firme e organizada dos policiais civis aposentados da Bahia representa uma reação direta ao abandono institucional e sindical. Ao manter caráter estritamente apolítico, apartidário e livre de influências sindicais, o movimento reforça que sua luta não é por interesses de grupos, mas pela preservação da dignidade, do respeito e dos direitos conquistados ao longo de décadas de serviço público. A mensagem é clara: mesmo fora da ativa, os veteranos continuam vigilantes e dispostos a lutar pela categoria.
Investigador VÁLTER SANTANA
"Boa tarde, pessoal,
Parabenizo a todos pela excelente organização da reunião, bem como pela forma firme e responsável com que conduzimos nossos encontros com o Ministério Público e com o nosso Delegado-Chefe, que demonstrou grande compreensão para conosco.
Essa mobilização demonstra que, quando nos unimos em torno de uma causa justa, conseguimos dar visibilidade às nossas demandas e mostrar a seriedade do nosso movimento.
Seguimos juntos nessa luta, com perseverança e fé, certos de que nossa união fará toda a diferença para alcançarmos os direitos que nos são devidos."
IPC Aposentado JORGE ARAÚJO
“No dia 11 de agosto, cerca de 200 aposentados protocolamos no Ministério Público um documento denunciando o desvio de uma parcela salarial que deveria ter sido reajustada junto com os colegas da ativa. Fomos recebidos pela procuradora Edwiges, que acolheu nossas demandas, e já foi designado o procurador responsável pelo caso.
No dia seguinte, 12 de agosto, nos concentramos em frente ao prédio da Polícia Civil e protocolamos outro documento ao Delegado-Geral, que se comprometeu a intermediar junto à SSP e ao Governo.
Após essas mobilizações, soubemos que o Governo incluiu o pagamento da diferença salarial retroativa a março na folha de agosto. Entendemos que esse avanço só ocorreu graças à pressão dos aposentados.
Ainda assim, seguimos em alerta. Não aceitaremos enrolação nem conluio entre governo e sindicato. Continuaremos firmes e vigilantes, inclusive avaliando medidas contra o sindicato por sua inércia diante das demandas dos aposentados.”
"Os colegas veteranos aposentados estão dando um excelente caráter de cidadania, partiram para luta dos seus e nossos interesses, como profissionais de polícia civil. A Lei do reajuste salarial foi aprovada, não deixando dúvidas no artigo 6° que eles têm o direito aos reajustes que nós da ativa recebemos. Mas foram excluídos e os sindicatos nada fizeram. Eles sim foram para luta. Nosso respeito e parabéns colegas pela coragem." Adailson da Hora IPC
Segundo Crispiniano Daltro, integrante da comissão de policiais civis aposentados da Bahia, o movimento começou a ganhar forma em julho, quando os veteranos perceberam que as entidades sindicais haviam desconsiderado a participação dos aposentados nas pautas de reivindicação. “Foi uma falta de respeito com colegas que dedicaram décadas de suas vidas à instituição”, afirmou.
Daltro relata que, a partir desse sentimento de indignação, foi criado um grupo no WhatsApp que rapidamente superou as expectativas de adesão, reunindo nomes de grande relevância e respeito dentro da instituição policial, como o Investigador de Polícia Valter Santana e a Escrivã Edna Brito, entre outros policiais com um legado na instituição policial civil.
De acordo com ele, essa articulação resultou, na formação de uma comissão de aposentados que já discute a ampliação do movimento, chamando os delegados e peritos aposentados, uma vez que essas categorias igualmente ficaram de fora do reajuste diferenciado aos policiais da ativa”
EPC Aposentada Edvaldina, carinhosamente conhecida como “Dina”
"Estou satisfeita em ver a mobilização dos colegas aposentados nesta última semana, buscando corrigir a falha do Governo do Estado ao não reajustar nossa GAPJ como determina a Lei.
Por motivos médicos, não estive presente na segunda (11/08) e na terça (12/08), mas acompanhei tudo pelo grupo de WhatsApp 'DIREITO DOS VETERANOS', que já reúne 195 membros entre Escrivães, Investigadores e Peritos Técnicos aposentados.
Vejo com entusiasmo a participação expressiva das mulheres, tanto nas conversas online quanto nas ações presenciais no Ministério Público e na Delegacia-Geral, onde levamos nossas reivindicações para que seja cumprida a Lei nº 14.891/25, art. 6º.
O mais lamentável é que este grupo surgiu diante da ineficácia do sindicato, que deveria nos representar e não esteve presente nas comitivas. Mesmo assim, nossas ações estão repercutindo.
Mais uma vez, estamos provando que unidos somos mais fortes — e assim continuaremos até garantir nossos direitos."
Edna Brito, Escrivã de Polícia Aposentada, expressa preocupação e indignação com a exclusão dos policiais civis aposentados do reajuste salarial concedido aos ativos em maio e que se repetirá em agosto. Ela lembra que a categoria dedicou décadas de serviço — muitos com mais de 35 anos de atuação, jornadas superiores a 40 horas semanais, sacrifícios pessoais e familiares — sempre com orgulho e compromisso com a sociedade.
Para Edna, a lei garante integralidade e paridade aos que ingressaram antes de 2003, mas o governo, ao deixar os aposentados de fora, cometeu um grave equívoco. Diante da omissão das entidades representativas, a categoria se organizou em comissão para reivindicar seus direitos, realizando reuniões com o Ministério Público e com o Delegado-Geral, que, segundo ela, demonstrou boa vontade em apoiar a causa.
A escrivã reforça que a luta é legítima, necessária e deve ser conduzida com união e perseverança, sem alardes ou politicagem.
Conclui convocando os colegas a manter fé e esperança, afirmando que todos são dignos de seus direitos e que só alcançará vitória quem persistir na busca por eles.
(*) APOSENTADOS EM LUTA: Policiais Civis da Bahia reagem à omissão Sindical e iniciam Movimento Pró-Direitos
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