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O calvário de Glauber Braga é também o do Brasil

Terça passada, a CCJ rejeitou recurso de Glauber e a repórter Danielle Brant, da Folha de S. Paulo, apontou a conduta atípica de Motta na abertura das sessões no plenário da casa nos dias em que o caso de Glauber foi levado à Comissão de Ética e à CCJ, medida que prejudicava o deputado do PSOL.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Carlos Zacarias de Sena Júnior (Prof. do Depto de História/UFBA)
02/05/2025 às 19h39 Atualizada em 02/05/2025 às 20h40
O calvário de Glauber Braga é também o do Brasil

24 anos decorreram desde que o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) agrediu com socos e pontapés o jornalista Maneca Muniz, quando este lançava em Brasília “As veias abertas do carlismo”, livro-denúncia contra o tio do deputado, na época filiado ao PFL, Antônio Carlos Magalhães. Sobrinho de ACM, Magalhães performava o estilo truculento do então senador, acostumado a desferir sopapos e proferir xingamentos a desafetos.

O relatório de Magalhães apresentado à Comissão de Ética da Câmara defendendo a cassação do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ) seria a expressão de civilidade de um parlamento que evoluiu com o tempo, mas não é o caso. A se crer nas imagens de semi-pugilato e no alarido que todos os dias assistimos, com deputados da extrema-direita lançando vitupérios contra minorias políticas, parlamentares, contra o presidente Lula e o STF, vivemos a pior das legislaturas. O parlamento não melhorou, mas também não evoluiu Paulo Magalhães, deputado direitista e ocasional aliado do governo, que jamais se desculpou pelas agressões e nem usou do mesmo critério de parcimônia que teve para Glauber.

Quando escrevi minha coluna “Glauber precisa ficar” há 15 dias, o psolista entrava pelo nono dia de greve de fome, tentando resistir ao avanço da proposta de cassação prestes a ser votada em plenário por efeito da pressão de Arthur Lira (PP-AL), seu adversário e alvo de frequentes denúncias pelos desmandos no orçamento secreto. Na véspera da publicação do meu texto, Glauber encerrou a greve de fome, motivado por um acordo firmado entre o presidente da Câmara e aliado de Lira, Hugo Motta (Republicanos-PB), e parlamentares que intercederam pelo psolista, como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bonfim (PSOL-SP).

Após encerrar a greve de fome, com 5 kg a menos e 60 dias a mais para preparar a defesa, Glauber falou à jornalistas reafirmando seu compromisso em seguir lutando. Dizendo não estar disposto a suspender “a luta contra o orçamento secreto, contra o poder oligárquico” e “pela responsabilização dos assassinos de Marielle” e “dos golpistas de plantão”, o psolista, mais uma vez, honrou seu mandato.

Terça passada, a CCJ rejeitou recurso de Glauber e a repórter Danielle Brant, da Folha de S. Paulo, apontou a conduta atípica de Motta na abertura das sessões no plenário da casa nos dias em que o caso de Glauber foi levado à Comissão de Ética e à CCJ, medida que prejudicava o deputado do PSOL.

Motta, que junto com Alcolumbre (União-AP), negocia medida para reduzir a pena dos golpistas do 8 de janeiro, tem o poder de não levar o caso de Glauber à votação. Pelos compromissos com Lira e pela forma como se conduz diante dos extremistas, no entanto, parece improvável que assim proceda. Nessa toada caminhamos para testemunhar a Câmara cassar, pela primeira vez, um deputado por agressão, enquanto continua aceitando pistoleiras, assassinos e corruptos.

Carlos Zacarias de Sena Júnior (Professor do Departamento de História da UFBA)

(*) Publicado no Jornal A Tarde, edição de 02.05.2025.

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