
Da antiga feira da Rua Grande, no século XIX, à atual Ceasa, as feiras livres acompanharam as transformações urbanas, econômicas e culturais de Vitória da Conquista. Parte dessa trajetória pode ser conhecida por meio de fotografias, documentos administrativos e plantas arquitetônicas preservados pelo Arquivo Público Municipal.
O acervo ajuda a contar como os espaços de comercialização mudaram ao longo das décadas e como feirantes, produtores rurais, comerciantes e consumidores contribuíram para a formação da identidade de Vitória da Conquista e do Planalto da Conquista.
A tradição das feiras livres no município remonta ao século XIX, com a primeira feira da então Imperial Vila da Vitória. Ela funcionava na antiga Rua Grande, abrangendo áreas onde hoje estão as praças Tancredo Neves e Barão do Rio Branco. O local reunia comerciantes, negociantes e tropeiros de diferentes regiões, inclusive do norte de Minas Gerais.
Registros do memorialista e professor Mozart Tanajura relatam a existência de um grande barracão na Rua Grande, utilizado para abrigar os feirantes e tropeiros que chegavam à vila na véspera da feira, realizada aos sábados.
Na obra“História de Conquista: crônica de uma cidade”, Tanajura registra que, em 1912, o barracão já se encontrava bastante deteriorado e acabou demolido durante o governo do intendente Coronel Gugé. A feira, no entanto, continuou sendo realizada na região, onde se concentrava boa parte das casas comerciais da época.
Ao longo do crescimento da cidade, a feira mudou de endereço e também de dimensão. Em 1938, durante a gestão do então prefeito Régis Pacheco, foi transferida da Rua Grande para a Avenida Municipal, atual Avenida Lauro de Freitas. Mesmo sem um edifício destinado ao Mercado Público e ainda sem pavimentação, a atividade comercial permaneceu no local até o final da década de 1940, quando passou para a Praça da Bandeira.
Décadas depois, com o crescimento econômico e urbano de Vitória da Conquista, a região ganhou o Centro Comercial Fernando Spínola, popularmente conhecido como Mercadão. O espaço se consolidou como importante ponto de comércio, enquanto a feira continuou crescendo e ocupando áreas do entorno.