
Cada dia com seu cinismo. Os políticos, deixando de fora as poucas e honrosas exceções, que cabem em um fusca, debocham do eleitor.
Nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, ficam dizendo que o eleitor é um abestalhado, uma "presa" fácil.
A opinião de que o eleitor tem memória curta é unânime, que rapidamente esquece dos escândalos e das promessas não cumpridas.
O exemplo mais recente desse impregnado cinismo foi protagonizado por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL.
O primogênito de Jair Messias Bolsonaro, quando questionado sobre o aumento do Bolsa Família, diz, em alto e bom som, que foi um "ato de desespero", obviamente se referindo ao presidente Lula (PT).
Que coisa, hein! O número 1 esquece que o pai Bolsonaro, então chefe do Palácio do Planalto, candidato à reeleição, fez o mesmo.
O cinismo independe do campo ideológico. Tem cínicos na esquerda, direita, no centro e suas variantes, em todas as agremiações partidárias.
O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas, o mais votado do país, com quase 1,5 milhão de votos, sempre questionou o estranho aumento do patrimônio dos parlamentares.
Que coisa, hein! Na declaração de Nikolas de 2022, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, constava um patrimônio de R$ 36.820,46. O patrimônio declarado agora é de R$ 3,9 milhões, um crescimento de 10.491,94% no período.
É aquele velho ditado popular que se encaixa como uma luva no mundo da política: "macaco não olha para o próprio rabo".
O cinismo é inominável, assim como o descaramento e o sarcasmo com o eleitor, o cidadão e a cidadã contribuintes.
Concluo lembrando ao caro e atento leitor que a dinheirama, os milhões e milhões de reais que bancam a campanha dos candidatos, via fundos eleitoral e partidário, vem dos cofres públicos.
Que olhem para o espelho e perguntem: Espelho, espelho meu, existe alguém mais cínico do que eu?
COLUNA WENSE, SEXTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) MARCO WENSE é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no PÁGINA DE POLÍCIA e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.


