
Já disse aqui, salvo engano por mais de duas vezes, que acho engraçado os bolsonaristas dizendo que sou petista e os petistas que sou bolsonarista. Nem uma coisa, nem outra.
Os petistas ficaram tiriricas da vida pela nota 6 que atribuir ao desempenho de Lula na sabatina do Jornal Nacional. Que coisa, hein! Acharam 6 uma injustiça.
Hoje, a nota cairia para 5 em decorrência do presidente Lula ter mentido dizendo que não conhecia a lobista amiga do filho Lulinha.
Fico a imaginar os bolsonaristas com a nota 2 que dou a Flávio Bolsonaro (PL) no debate de ontem, sexta-feira, 28. Vem aí uma avalanche de críticas e xingamentos.
Por que nota 2? Perguntaria o caro e atento leitor. A resposta é vapt-vupt: o número 1, além de protagonizar uma mentira atrás da outra, assentada em um inominável cinismo, mostrou que não está preparado para assumir o cargo mais importante da República do Brasil. Não falou nada com nada.
Mentiu em relação ao escândalo do Banco Master, sobre o amigo Daniel Vorcaro, a dinheirama para o filme de Jair Messias Bolsonaro, a tentativa de golpe de Estado e o governo do então presidente Bolsonaro.
E a prometida prestação de contas de "Dark Horse"? Onde foi parar os R$ 61 milhões? Cadê o contrato? Flávio Bolsonaro, além de senador, é candidato à Presidência da República. Tem que dar satisfação para o cidadão e a cidadã, o eleitor-contribuinte.
Os R$ 61 milhões são oriundos dos fundos de pensão do INSS, portanto dinheiro público. Ao ser cobrado sobre o destino da quantia e a prestação de contas, apelou para o deboche e ironia: "Não cabe a mim".
E cabe a quem cara-pálida, aos presenciáveis Lula (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante)?
Logo no início da sabatina, prestou solidariedade a Renata Vasconcellos, insinuando um desrespeito com a entrevistadora por parte de Lula. Flávio esquece das atitudes misóginas e machistas do pai Bolsonaro.
Sobre a política de aumento real do salário mínimo, fugiu do assunto como o diabo da cruz. Defender o reajuste contraria a classe empresarial, mais especificamente a da Faria Lima. O bom conselho é que o trabalhador coloque às barbas de molho.
Sobre o Pix, fez uma tímida defesa. Não quis contrariar Donald Trump, já que tem grande estima e consideração pelo presidente dos EUA, seu guru. Lembrando que o então presidente Bolsonaro batia continência para a bandeira dos Estados Unidos.
E o tarifaço? Disse que o irmão Eduardo Bolsonaro não festejou a medida tomada pelo governo Trump. Ora, ora, até as freiras do convento das Carmelitas leram as declarações públicas do número 3 enaltecendo o tarifaço.
Mas o que chamou mais atenção na sabatina foi o negacionismo ambiental de Flávio Bolsonaro. Ele deixou bem explícito que não acredita em aquecimento global, o que faz lembrar o negacionismo científico em relação às vacinas, mais especificamente na pandemia da Covid-19.
Concluo dizendo que o eleitorado do enteado da ex-primeira dama Michelli Bolsonaro vai continuar fiel ao primogênito, tudo como dantes no quartel de Abrantes. Mas no que diz respeito aos indecisos, a sabatina foi outro tiro no pé.
PS (1) - E o pessoal da defesa do meio ambiente? O que deve estar pensando sobre um candidato a presidente da República que não acredita no aquecimento global, que acha tudo uma frescura?
PS (2) - Depois do negacionismo científico em relação à vacina da Covid-19, pandemia que ceifou a vida de milhares e milhares de seres humanos, e do negacionismo eleitoral no tocante às urnas eletrônicas, temos agora o negacionismo do meio ambiente.
PS (3) - Outro ponto hilariante foi Flávio Bolsonaro dizer que o "Dark Horse" é uma "obra de arte". Tenha santa paciência!
PS (4) - Tal pai, tal filho. O primogênito levou uma "cola" na palma da mão.
COLUNA WENSE, SÁBADO, 29 DE AGOSTO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.




