
A Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES), realizou nesta quarta-feira (29) no Mercado de Artesãos, a culminância do Julho das Mulheres Negras. O evento marcou o encerramento de um mês inteiro de ações intensas dedicadas à promoção da igualdade racial, equidade de gênero e garantia de direitos para a população negra do município.
Com o tema “Celebrando a força, a resistência e o protagonismo das Mulheres Negras”, a programação reforçou a agenda realizada desde o início do mês. Por meio da Caravana de Direitos Humanos, Cidadania e Bem Viver, a iniciativa levou serviços essenciais de saúde, assistência social, educação, oficinas de empreendedorismo e palestras para comunidades quilombolas, bairros periféricos e unidades escolares.
A diretora de Politicas para as Mulheres e Direitos Humanos, Elbênia Ramos, destacou que o planejamento do mês buscou unir o cuidado prático ao empoderamento social. “Começamos o mês focando na saúde preventiva, tratando de temas como a anemia falciforme, condição com maior propensão na população negra. Trouxemos médicos para orientar sobre alimentação saudável e autocuidado, pois a saúde não começa quando a doença chega. Nosso foco foi educar e descentralizar esses atendimentos, levando a Caravana para as comunidades e para as escolas. O evento de hoje é o momento festivo de visibilidade e valorização cultural, com o samba de roda do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e as apresentações do Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI), mas lembrando sempre que a nossa luta por protagonismo e direitos é diária”, pontuou.
A secretária de Desenvolvimento Social, Lianne Carmo, ressaltou a responsabilidade da administração em criar mecanismos de apoio e incentivo para que as mulheres negras exerçam plenamente a sua cidadania. “Esta ação que marca o Julho das Mulheres Negras em Alagoinhas vem para reafirmar o nosso compromisso e a nossa vontade de fazer com que a garantia de direitos chegue a toda a população. Historicamente, a mulher negra é desvalorizada e pouco estimulada a ocupar espaços de poder. A nossa gestão atua não apenas para assegurar assistência e saúde, mas para garantir dignidade e o direito de toda mulher ser o que quiser e estar onde quiser. A maioria da nossa população é negra e precisa desse fortalecimento institucional para exercitar seus direitos com plenitude”, afirmou a secretária.
O evento também contou commulheres que vivem na pele os desafios cotidianos e a alegria de pertencer e preservar sua história. Como foi o caso de Célia Maria dos Santos, membro do Centro de Convivência para a Pessoa Idosa (CCPI). “Estou aqui hoje por um grande motivo: sou negra e estou na luta para que nosso povo mantenha seu espaço e seu valor. A Bahia é um estado majoritariamente negro e ainda assim enfrentamos discriminações absurdas no dia a dia, como os olhares desconfiados em estabelecimentos comerciais. Eu amo ser negra, tenho orgulho de ser baiana e me sinto totalmente representada neste espaço de conhecimento e união”, declarou.
Marisa Barbosa dos Santos, participante do CRAS Santa Terezinha, também ressaltou a luta contra o preconceito e o desejo de construir um futuro mais justo. “É um dia muito importante para falarmos da mulher negra e combatermos o racismo, que ainda é muito forte. Quando chegamos nos lugares, muitas vezes somos barradas ou encaradas, mas nós somos seres humanos e não vamos parar de lutar. Unidas, nós vamos combater essa violência. É um mês de comemoração, de vibração, porque nós somos negras, somos poderosas e vitoriosas. Mulher negra sim, agora e sempre!”, comemorou.

Foto: Secom / Alagoinhas




