
Sexta-feira, 3 de abril de 2026
Quando tem oportunidade, critica a guerra contra o Irã e o genocídio palestino, e é uma das poucas vozes sensatas a denunciar a falência do atual sistema de governança global representado no desequilíbrio do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Já a extrema direita aposta suas fichas em táticas conhecidas: faz dancinha para humanizar o candidato e pede interferência externa dos Estados Unidos.
A essa altura, depois do bombardeio contra a Venezuela e do tarifaço que atingiu também o Brasil, os ditos “valores americanos” que o senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou nas eleições só podem ser interpretados como um pedido claro de intervenção.
Esses valores não são um fantasma novo; eles nos assombram há décadas. Vivendo mais um 1º de abril e lembrando os 62 anos do golpe militar que derrubou o governo democrático de João Goulart (PTB), isso fica evidente.
O apoio irrestrito dos Estados Unidos aos golpistas não incluiu apenas o financiamento de órgãos de pensamento para estimular oposição a Goulart, nem somente o repasse financeiro a governadores de extrema direita que conspiravam contra o presidente: a Operação Brother Sam previa o deslocamento de um porta-aviões com tropas à costa brasileira, pronto para agir caso as tropas do general Mourão não tivessem êxito na marcha que foi o estopim do golpe.
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Não foi apenas Goulart o derrubado: junto com ele caiu um projeto de governo reformista que animava os trabalhadores e ameaçava, como poucas vezes na nossa história, os interesses do latifúndio e do imperialismo.
Por isso, a repressão teve que ser brutal. Só assim os movimentos organizados e agitados que havia naquele período seriam eliminados. Um projeto excludente e desigual foi imposto ao país que, apesar de lampejos desenvolvimentistas, só fez aprofundar a dependência, a dívida externa e a piora nas condições de vida das massas trabalhadoras.
É pela manutenção desse projeto que as forças de extrema direita conspiram e se articulam com o imperialismo. E é para enfrentar esse projeto e as ameaças de interferência que precisamos lembrar de 1964.
É fundamental levar essa lembrança às urnas em outubro e não permitir que, mais uma vez, os interesses de uns poucos barrem os avanços — ainda que modestos — da maioria dos brasileiros.
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(*) Lucas Estanislau
Coordenador de jornalismo
brasildefato.com.br
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