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Ronda Maria da Penha fortalece proteção e acolhimento a mulheres vítimas de violência em Sergipe

Mais do que fiscalizar medidas protetivas, serviço realizado pela Polícia Militar atua como rede de apoio e incentivo para que vítimas rompam o cic...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
30/03/2026 às 20h42
Ronda Maria da Penha fortalece proteção e acolhimento a mulheres vítimas de violência em Sergipe
Ronda Maria da Penha oferta proteção e acolhimento a mulheres vítimas de agressão em Sergipe / Fotos: Igor Matias

Quando Glória Stephanie Santana, 24 anos, vivenciou um caso de violência de gênero ao colocar fim em um relacionamento e ter sua casa quase invadida pelo ex-namorado, o apoio que recebeu da Ronda Maria da Penha foi fundamental para se sentir mais segura e retornar à sua rotina. Em Sergipe, a iniciativa da Polícia Militar (PMSE), que foca na proteção e acolhimento a mulheres vítimas de agressão, desempenha um papel estratégico no enfrentamento à violência de gênero, oferecendo não apenas fiscalização de medidas protetivas, mas, também, acompanhamento e apoio às mulheres atendidas.

“Depois que registrei a ocorrência e comecei a receber o acompanhamento da ronda, passei a me sentir mais segura. Saber que existe uma equipe acompanhando a situação trouxe mais tranquilidade para mim e para o meu filho”, relata Glória, que é mãe de uma criança de 4 anos.

Ela destaca como o acompanhamento da Ronda Maria da Penha lhe permitiu recomeçar após as agressões física, verbal e patrimonial. “Nos primeiros meses, eu tinha muito medo e cheguei a deixar de levar meu filho para a escola. Com o acompanhamento e as orientações da equipe, fui recuperando a confiança para retomar minha rotina”, relata.

Segundo Glória, o sentimento de acolhimento proporcionado pela presença constante da equipe da ronda a fortaleceu. “Muita gente acha que denunciar não vai dar em nada, e, no início, eu mesma pensei isso, mas, depois, percebi que existe uma rede de apoio pronta para ajudar. Saber que tem esse acompanhamento faz toda a diferença. É realmente um serviço que traz conforto, sensação de segurança para a gente conseguir voltar a ter uma vida normal”, completa.

Atuação 

De acordo com dados do Painel do Ligue 180, Sergipe registrou 1.027 denúncias de violência contra a mulher ao longo de 2025. O total de atendimentos realizados pelo canal no estado, incluindo orientações, informações e registros de violência, alcançou 2.094 ocorrências no ano passado. No mesmo período, 520 mulheres foram assistidas pela Ronda Maria da Penha em Sergipe e 1.716 visitas foram realizadas pelas equipes da PMSE ligadas ao programa.

Criada em 2019, a Ronda Maria da Penha atua diretamente no monitoramento de medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça. Atualmente, o serviço está presente nos municípios de Estância, Lagarto, Nossa Senhora da Glória, Tobias Barreto e Itabaiana, e já alcançou 1.287 mulheres atendidas, desde sua implantação. 

A entrada no programa ocorre após a formalização da denúncia e a concessão da Medida Protetiva de Urgência. Os casos são encaminhados pelo Fórum local, que identifica situações de maior vulnerabilidade ou risco de feminicídio. A partir disso, a Ronda Maria da Penha passa a realizar o acompanhamento direto da vítima, mantendo contato constante e oferecendo suporte sempre que necessário.

O trabalho desenvolvido pelas equipes vai além da atuação policial tradicional. As visitas às assistidas podem ocorrer semanalmente, quinzenalmente ou até diariamente, a depender do grau de risco da vítima. Os profissionais envolvidos passam por capacitações em temas como violência de gênero, direitos humanos e escuta ativa, o que contribui para uma abordagem mais humanizada.

A comandante da Ronda Maria da Penha em Lagarto, tenente Myrella, explica como funciona a atuação da equipe no acompanhamento das mulheres que possuem medida protetiva. “Os casos chegam até nós por meio do Judiciário, que identifica situações de maior gravidade. A partir daí, passamos a acompanhar essas mulheres com visitas periódicas para verificar se o agressor está cumprindo a medida protetiva e avaliar o nível de risco em que elas se encontram”, afirma.

A oficial também destaca a importância da confiança construída entre as equipes da ronda e as mulheres atendidas, ressaltando que o trabalho envolve não apenas proteção, mas, também, orientação e fortalecimento emocional das vítimas. “Como é uma mesma equipe que realiza a fiscalização, cria-se um vínculo de confiança com as assistidas. E a gente orienta tanto as mulheres quanto a família para saberem como agir em caso de quebra da medida. Muitas vezes, só a presença constante da equipe já ajuda a inibir novas ameaças e dá mais confiança para que elas sigam em frente”, acrescenta.

Além da fiscalização das medidas protetivas, a ronda atua em três frentes principais: assistência, prevenção e repressão. Caso o agressor descumpra a decisão judicial, a equipe pode realizar a prisão imediata. Da criação do serviço até o final de 2025, foram efetuadas 290 prisões relacionadas a casos de violência doméstica durante as fiscalizações.

Outro aspecto importante da atuação é a integração com outras políticas públicas voltadas às mulheres. Durante o acompanhamento, as assistidas também recebem orientações sobre direitos e serviços disponíveis, como acesso a casas de apoio, programas sociais e prioridade em determinados atendimentos.

Denúncia 

A Polícia Militar reforça a importância da denúncia como passo fundamental para romper o ciclo da violência e garantir a proteção às vítimas, como lembra o cabo Tomas Nery. “Em muitas comunidades do interior ainda existe uma cultura em que a mulher aceita a violência em silêncio e tem pouco acesso à informação sobre seus direitos. Por isso, além do atendimento das ocorrências, também realizamos palestras e ações educativas, principalmente em escolas, para ajudar a mudar essa realidade e incentivar que mais mulheres procurem ajuda”, destaca o policial.

A população pode buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, disponível em todo o país. Também é possível registrar denúncias pelo 181, Disque Denúncia da Polícia Civil, ou acionar o 190, em situações de emergência.
 

Glória Stephanie Santana
Glória Stephanie Santana
A comandante da Ronda Maria da Penha em Lagarto, tenente Myrella, explica como funciona a atuação da equipe no acompanhamento das mulheres que possuem medida protetiva
A comandante da Ronda Maria da Penha em Lagarto, tenente Myrella, explica como funciona a atuação da equipe no acompanhamento das mulheres que possuem medida protetiva
O cabo Tomas Nery
O cabo Tomas Nery
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