
Para além das 78 escolas da Rede Pública Estadual de Ensino espalhadas em Aracaju, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) também possui outros tipos de unidades na capital, responsáveis por formar e educar o povo aracajuano. Neste aniversário de 171 anos, a capital das araras, dos cajueiros e dos caranguejos comemora sua fundação, mas, sobretudo, sua história. Atuando como ‘guardiões’ históricos, o Arquivo Público do Estado de Sergipe (Apes), a Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória e o Conservatório de Música de Sergipe (CMSE) são responsáveis por preservar registros, cultivar a educação e formar o cidadão aracajuano.
Tanto a ‘Epiphanio Dória’, quanto o Apes e o ‘Conservatório’ carregam ao longo de tantos anos a cultura que moldou e lapidou o povo sergipano, em especial, os aracajuanos, cuja educação foi construída sob os pilares destas localidades, ajudando a formar cidadãos presentes na construção destes 171 anos de história da capital, com seus mais de 600 mil habitantes e seus quase 40 mil estudantes na Rede Pública Estadual de Educação.
Biblioteca Pública Epiphanio Dória
A ‘Epiphanio Dória’ é a maior biblioteca pública do Estado de Sergipe. Localizada no bairro 13 de Julho, a biblioteca conta com um imenso acervo histórico de periódicos antigos, livros de grandes intelectuais sergipanos, documentos, fotografias históricas e demais ítens que constroem o universo sergipano. Seu nome é uma homenagem ao bibliófilo e ex-deputado Epifânio da Fonseca Dória e Menezes (1884 - 1976), nascido na cidade de Tobias Barreto (centro-sul Sergipano) e autor da biblioteca.
A biblioteca passou por algumas mudanças de sede no decorrer da sua história. A instituição foi criada no ano de 1948, pela Lei n° 233 da então província sergipana, definindo-a como Biblioteca Provincial de Sergipe. Apesar de sua data de criação ter sido essa, ela só foi inaugurada em 1851, num compartimento no Convento São Francisco, na capital da época, São Cristóvão. Quando Aracaju se tornou a capital da província, em 17 de março de 1855, a biblioteca ficou inativa por um bom tempo, até o fim do regime monárquico no Brasil, em 1889. No ano de 1911, a biblioteca passou a ser chamada de Biblioteca Pública do Estado, com inauguração em 1914, em um prédio que, hoje, é a atual Câmara de Vereadores de Aracaju. Em 1936, migrou novamente, indo para o edifício que abriga o atual Apes, e somente em 1974, é que a instituição passou a ser chamada de Biblioteca Pública Epiphanio Dória, sendo inaugurada em seu atual prédio.
A diretora da BPED, Juciene Maria, destaca a importância dessa biblioteca para a educação pública da cidade nestes 171 anos de vida. “A biblioteca é o espaço mais democrático que existe. O seu papel principal é promover a cultura, a educação e atender a todos, independentemente de qualquer nível social e idade. E a cultura não caminha sozinha, ela sempre está lado a lado com a educação. Hoje, temos várias ações voltadas, especialmente, para os estudantes de todas as redes de ensino, como a visita guiada e o incentivo à leitura. Também temos atividades para o público a partir dos 3 anos de idade, no nosso espaço infantil. Trabalhamos com todos os públicos, mas temos ações voltadas, especialmente, para o público estudantil de Sergipe”, comenta.
Para este aniversário de 171 anos da capital, a ‘Epiphanio Dória’ preparou uma programação especial até esta sexta-feira, 20, intitulada ‘Aracaju 171 anos: uma cidade para ler e amar’, que convida os cidadãos a mergulharem no passado e entenderem como foi a fundação da cidade, em 17 de março de 1855. Além disso, será contada a história de Inácio Barbosa, que governou Sergipe na época de transição da capital São Cristóvão para Aracaju. Também será realizada, no hall da biblioteca, a exposição ‘Aracaju em Fotos’ do escritor, memorialista e fotógrafo Expedito Souza durante a semana de aniversário da cidade.
Arquivo Público do Estado de Sergipe
O Apes, por sua vez, é a instituição que guarda vários arquivos relacionados à história de Sergipe, incluindo a de Aracaju, com mais de dois milhões de documentos de vários tipos de arquivos, incluindo um dos mais antigos encontrados em território sergipano, datado de 1692. Atualmente, ele está localizado no Centro da cidade, próxima à Praça Fausto Cardoso.
A instituição também nasceu no mesmo ano da ‘Epiphanio Dória’, em 1848. A Lei n.° 233, que criou a biblioteca, também deu vida ao Apes, na época, como uma seção da própria biblioteca. O chamado “Archivo” guardava ‘papeladas’ relacionadas ao “Governo geral, ou provincial”, bem como notícias de jornais da época, além de mapas e demais documentos que remetessem à memória da província e do Império, na época. Posteriormente, em 1923, por meio da Lei n.° 845, o arquivo se desvinculou da biblioteca e tornou-se o “Archivo Publico do Estado”. Por falta de recursos, o “Archivo” voltou a ser uma seção da biblioteca em 1926, mas tornou a ser recriado em 1945, pelo Decreto-lei nº 617.
O Apes, assim como a ‘Epiphanio Dória’, também teve muitas moradas. Do seu início até o ano de 1947, ele fazia parte das dependências da Biblioteca Pública, mas foi nesse ano que o Arquivo Público ganhou o seu espaço, migrando para os porões da antiga sede da Assembleia Legislativa (atual Escola do Legislativo Deputado João de Seixas Dória - Elese, localizada no Palácio Fausto Cardoso, centro de Aracaju). A instituição permaneceu lá até 1964, ano em que migrou para a antiga Escola Normal (hoje, o Centro de Turismo), ficando lá até o ano de 1970. Nesse ano, o Arquivo Público mudou novamente, estabelecendo-se no antigo prédio do Atheneu (o Atheneuzinho, hoje, Museu da Gente Sergipana) até 1975. Finalmente, nesse ano, o Apes se mudou para o seu local atual, o Palácio Carvalho Neto.
O Arquivo Público do Estado de Sergipe é parte da educação aracajuana, como afirma a diretora da instituição, Sayonara Santana. “Devemos refletir sobre como os acervos que o Apes possui são tão úteis para compreender a história da capital de Sergipe. Fazemos um trabalho em manter sempre o Apes próximo da sociedade, com as visitas das escolas por meio do projeto ‘A escola vai ao Arquivo’, com as unidades da Rede Pública Estadual de Educação e de demais redes. Esses estudantes são o futuro de Aracaju, e manter o senso de preservação histórica neles e em todos os cidadãos aracajuanos estabelece laços que nos unem e que nos fazem ser aracajuanos”, reitera.
Conservatório de Música de Sergipe
O CMSE carrega a história de Sergipe e da capital, Aracaju, por meio da música há 80 anos. Localizado no Centro da cidade, o ‘Conservatório’ oferece oficinas, cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) e cursos técnicos para os seus alunos, atendendo ao público infantojuvenil e músicos de Banda e Orquestra.
Sua história é um pouco mais recente do que o Apes e o ‘Epiphanio Doria’. Ele foi fundado pelo professor e maestro Genaro Plech em 1945, por meio da Lei nº 840, que a denominava, na época, Instituto de Música e Canto Orfeônico de Sergipe. O Instituto fazia parte de um projeto nacional, chamado de Canto Orfeônico no Brasil, coordenado pelo músico e compositor Heitor Villa-Lobos, que incentivava a educação musical para a promoção do patriotismo nas escolas brasileiras.
O local passou por alguns prédios históricos, como o que abriga o atual Memorial do Poder Judiciário de Sergipe, e a antiga sede da Escola Normal. De 1971 para cá, o Conservatório situa-se em seu atual prédio, formando gerações de músicos que contribuíram para a música sergipana e levando a identidade de Aracaju pelo Estado e pelo país. A instituição está conectada com a população da cidade, principalmente com os estudantes, futuras sementes da música sergipana.
O diretor do CMSE, Heitor Mendonça, afirma que vê a relação do Conservatório com os alunos da Rede Pública Estadual de Educação de forma muito direta. “O espaço forma músicos, mas forma, também, sensibilidade, disciplina, escuta, convivência e pertencimento. Isso é formação cidadã. A música desenvolve valores importantes para a vida em sociedade e amplia o repertório cultural dos estudantes”, afirma.
O CMSE, assim como o Apes e o ‘Epiphanio Dória’, faz parte da história dos 171 anos da história de Aracaju. Os três são equipamentos públicos de formação cidadã para alunos da Rede Pública Estadual de Educação e para toda a sociedade aracajuana e sergipana.














