
Entre 2023 e 2025, os cinco perímetros irrigados de vocação agrícola mantidos pelo Governo do Estado consolidaram a produção de quiabo como uma das principais cadeias produtivas de Sergipe. A partir do levantamento dos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), no período, foram colhidas quase 28 mil toneladas do vegetal, cultivadas em 1.569 hectares, gerando mais de R$ 51 milhões em renda para os produtores irrigantes. O quiabo na irrigação pública estadual só perde para a batata-doce (52,7 milhões de toneladas e R$ 102 milhões no triênio).
Conforme a Coderse — vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) — o melhor desempenho dos seus perímetros irrigados no triênio foi registrado em 2025. Somente no último ano, a produção alcançou 10.940 toneladas, em uma área de 559 hectares, com faturamento de R$ 17.598.995,00. Em comparação com 2024 houve aumento de 22% na produção, reforçando a importância da irrigação permanente para garantir regularidade e qualidade ao cultivo.
A maior parte do volume colhido segue concentrada no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco, alto sertão sergipano. Entre 2023 e 2025, o polo agrícola administrado pela Coderse produziu 22,3 mil toneladas de quiabo, sendo 9 mil toneladas apenas em 2025. A produção é escoada principalmente para Salvador/BA, além de atender o mercado do estado de Alagoas e municípios sergipanos.
Mas também tem quiabo no Perímetro Irrigado Piauí, situado em Lagarto, centro-sul do estado. Lá foram produzidas 538 toneladas no acumulado dos últimos três anos, sendo mais de 178 toneladas em 2025. De acordo com o gerente do perímetro, Gildo Almeida, durante o verão e períodos de estiagem, a produção mantém qualidade elevada graças ao fornecimento regular de água. “Sem boa irrigação, não produzia. Se fosse depender só da chuva do inverno seria até mais difícil por causa do excesso de água no solo”, avalia.
O gerente também ressaltou que o aumento da produção em 2025 está associado ao manejo adequado da cultura e à destinação das safras aos programas de compras institucionais, como o de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além do abastecimento das feiras e mercados locais.
O perímetro Piauí atende agricultores de sete povoados de Lagarto e possibilita diversificação produtiva, incluindo pecuária leiteira e criação de gado de engorda, com a produção de ração e silagem, além de culturas como batata-doce, macaxeira e milho. “Se não fosse a água fornecida pela Coderse, não tinha como produzir tudo isso”, enfatizou.
Para o produtor irrigante do perímetro Piauí, Nielson de Oliveira, o cultivo do quiabo é a principal fonte de renda familiar. Ele informa que a planta começa a produzir entre 60 e 70 dias após o plantio e pode manter colheitas por até oito meses, dependendo das condições do solo e do manejo. “A irrigação aqui é de grande importância. Se não fosse ela, a gente não produzia nada. Mesmo plantando no inverno, o custo seria maior”, afirmou. Segundo o agricultor, a irrigação também reduz despesas com adubação e otimiza o uso de insumos, garantindo maior margem de lucro. Parte da produção é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e outra ao comércio e feiras do município.
Além dos perímetros Califórnia e Piauí, também produzem quiabo os perímetros irrigados Jacarecica I, em Itabaiana; Jacarecica II, situado entre os municípios de Areia Branca, Malhador e Riachuelo; e no Poção da Ribeira, na divisa entre Areia Branca e Itabaiana. Em cinco dos seis perímetros da Coderse, ou seja, em todos onde a vocação é a agricultura, tem produção de quiabo.










