
O carnaval é uma das festas mais emblemáticas do Brasil e reflete a riqueza cultural e a diversidade do povo brasileiro. Em Vitória da Conquista, as festividades cessaram há alguns anos, sendo substituídas por outros eventos de grande porte realizados pelo Poder Público Municipal, a exemplo do São João, que atrai um público cada vez maior. Mas os registros dos antigos carnavais podem ser encontrados no Arquivo Público Municipal, que dispõe de fotografias e publicações sobre a folia carnavalesca.

Carnaval realizado na Praça da Bandeira
A história do carnaval remonta às antigas festas pagãs da Grécia e Roma, comemoradas entre os séculos 7 a.C. e 6 d.C. para celebrar a fertilidade e as colheitas. Com o tempo, essa festa foi adotada como um “adeus à carne” (carnis levale) e celebrada no mês de fevereiro, às vésperas da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma.
Nesses moldes, o Carnaval no Brasil chegou no século XVII, por meio dos colonizadores portugueses, inicialmente como o “Entrudo”, uma brincadeira popular onde as pessoas jogavam farinha, água e limões de cheiro umas nas outras.
Folia de Momo em Vitória da Conquista
O jornalista e memorialista Aníbal Lopes Viana publicou em sua Revista Histórica de Vitória da Conquista que a formalização do Carnaval na cidade se deu em 1927, quando o tipógrafo itabunense Waldemar Coutinho, conhecido como “Gato”, organizou o primeiro bloco carnavalesco, intitulado “Desculpe O Mau Geito” (Grafado propositalmente com “G”). “Antes desta data aconteciam desfile de cavaleiros, com máscaras e selas enfeitadas como uma disputa, mas sem a aparência de um festejo carnavalesco”, diz o autor.

Segundo Aníbal, desde as primeiras edições, o Carnaval de Vitória da Conquista aderiu a tradições de outros locais, sendo influenciado, principalmente, pelo carnaval de Itabuna. “Neste trecho desta ‘Revista Histórica’ vamos deixar consignada a história da Festa do Rei Momo no passado conquistense. Carnaval é folclore”, escreve Aníbal.
Em 1928, o bloco “Desculpe o Mau Geito” foi transformado em um “cordão” composto de rapazes e moças, dirigido pelos irmãos Bacelar: Sebastião e Deoclécio. Os “cordões” eram grupos de foliões que se reuniam para dançar e cantar, com instrumentos como flautas e pandeiros, tomando as ruas da cidade, principalmente na região da Praça da Bandeira, que eram decoradas com bandeiras, balões e outros enfeites, criando um ambiente festivo que atraía pessoas de todas as idades e classes sociais.

Entre as brincadeiras, o Entrudo também era prática nos festejos conquistenses e consistia em molhar uma pessoa com água perfumada ou mesmo pura. Havia também os brincalhões que colocavam tinta na água a ser atirada na pessoa. Com o passar do tempo veio a moda das laranjinhas, que tinham a forma de uma pequena laranja colorida e que se enchia de água perfumada e era atirada em uma pessoa conhecida.
Os precursores do Carnaval na cidade, conhecidos como a “mocidade conquistense”, era representada por: Rodrigues Silva (Cody), Manoel Vitório Bacelar (Nen), Deoclécio Bacelar, Sebastião Bacelar, Steliano Farias, Aristides Lira, Humberto Guerra, Olinto dos Santos Silva, Democréto Farias, Lauro Moreira (Tuta), Leonel Ribeiro, Eufrásio Piloto, João Chapéu de Pau, Júlio Marçal de Carvalho (Bade) Oscar Silva e Diodélio Lima.
Letras e Músicas
Naquele tempo, Conquista não dispunha dos meios de comunicação disponíveis hoje. Até 1932, poucas pessoas possuíam aparelhos de rádio. As músicas e letras do carnaval carioca vinham gravadas em discos que os comerciantes tocavam nas suas eletrolas, em que se copiavam as letras e as músicas.
Bandas locais e músicos animavam os desfiles com marchas e sambas. Os blocos como “Apaches”, “Filhos de Angola” e “Tupinambá Rei da Selva” trazem suas particularidades e tradições, garantindo um espetáculo repleto de cores e sons.
Carnaval a partir de 1950
As letras dos carnavais do passado conquistense eram produtos da terra. Eram escritas pelos jovens da época: Bruno Bacelar, Laudionor Brasil e lolando Fonseca e musicadas pelos maestros Francisco Vasconcelos e Manoel da Cruz.