
Durante o Carnaval de Salvador, quando milhões de pessoas ocupam os circuitos da cidade e a cultura negra se afirma como base histórica e simbólica da maior festa popular do país, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi) intensifica sua atuação no enfrentamento ao racismo. A presença da secretaria se dará de forma articulada, com ações de acolhimento às vítimas, formação antirracista, monitoramento de ocorrências e valorização da cultura afro-brasileira, tanto na capital quanto no interior do estado.
Expressão máxima da identidade baiana, o Carnaval também expõe desigualdades estruturais que se traduzem em episódios de discriminação racial, violência simbólica e violações de direitos. O aumento dos registros dos casos de racismo nos últimos anos reforça a necessidade de respostas efetivas do poder público, especialmente em um evento de grande visibilidade e intensa circulação de pessoas, como a festa momesca.
De acordo com Ângela Guimarães, secretária da Sepromi, “a escalada dos casos de racismo não pode ser naturalizada. O Estado tem o dever de atuar de forma firme e permanente, e é isso que temos feito por meio de políticas públicas que acolhem, orientam, formam e responsabilizam. No Carnaval, quando essas situações tendem a se intensificar, nossa atuação ganha ainda mais centralidade para garantir que o racismo seja enfrentado de forma imediata e estruturante”, afirma.
Ao longo do Carnaval 2026, a Sepromi contará com uma ampla estrutura de atendimento e acolhimento às vítimas de racismo. Postos fixos funcionarão na Praça Municipal, atendendo aos circuitos do centro histórico, na Avenida Sete, através do Plantão Integrado em Direitos Humanos, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, na Sede do Procon, localizada na Avenida Carlos Gomes, e em Ondina, no Sistema Integrado da Superintendência de Prevenção à Violência e da Valorização Profissional - SPREV - SSP. Ao todo, cerca de 180 profissionais capacitados atuarão com escuta qualificada, apoio psicossocial e orientação jurídica, garantindo atendimento humanizado e resposta rápida às denúncias.
As ações da SEPROMI não se restringem à capital. Durante o período carnavalesco, a secretaria amplia sua atuação para dez municípios do interior da Bahia, entre eles Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro, Rio de Contas, Maragogipe e Vera Cruz. Equipes volantes atuarão assegurando presença institucional, acolhimento inicial e encaminhamento adequado das demandas também fora de Salvador.
Durante todo o Carnaval, vítimas e testemunhas de racismo poderão acionar os canais de denúncia, como o WhatsApp do Centro de Referência Nelson Mandela, pelo número (71) 3103-1435, além do telefone (71) 3117-7448. Também estão disponíveis a Delegacia Especializada de Combate aos Crimes de Racismo e Intolerância Religiosa (DECRIN -(71) 99637-8289 / 3450-1111), e da Ouvidoria Geral do Estado (0800-284-0011).
A formação e a sensibilização antirracista constituem outro eixo central da atuação da secretaria no Carnaval. Estão previstas capacitações para agentes da Polícia Civil, por meio da Academia de Polícia Civil da Bahia (Acadepol), profissionais da saúde da rede estadual, agentes de turismo e catadores e catadoras de materiais recicláveis. Haverá ainda formações específicas voltadas para equipes operacionais de camarotes, com foco na prevenção de práticas discriminatórias. Paralelamente, a Sepromi reforça a divulgação da Lei nº 14.532/2023, que equipara a injúria racial ao crime de racismo, e do Estatuto da Igualdade Racial, ampliando o acesso à informação e à educação jurídica.
No campo do fomento cultural, o edital Ouro Negro, coordenado em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult), representa um investimento histórico de R$ 17 milhões, destinados ao apoio de 138 projetos de entidades de matriz africana e blocos de índio. Entre as iniciativas contempladas está o Bloco Varanda das Pretas, no Circuito Riachão, que fortalece a visibilidade das mulheres negras e reafirma o Carnaval como espaço de afirmação da cultura antirracista.
A secretaria também atua no monitoramento e na qualificação dos dados sobre ocorrências de racismo, por meio da integração de informações no Observatório Municipal. A iniciativa contribui para diagnósticos mais precisos e para o aprimoramento das políticas públicas de promoção da igualdade racial.
Fonte
Ascom/Sepromi
