
O trabalho desenvolvido pela Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE) tem apresentado avanços significativos no fortalecimento dos sistemas de gestão da doação de órgãos no estado, constituído ainda pela Central Estadual de Transplantes (CET) e do Banco de Olhos de Sergipe (Bose). As ações realizadas ao longo dos últimos anos reforçam a importância da gestão qualificada, da capacitação permanente dos profissionais de saúde e da sensibilização da sociedade para ampliar o número de transplantes e salvar vidas.
Ao longo de 2025, Sergipe registrou 54 doadores efetivos, representando uma redução de pouco mais de 5% em relação a 2024. Apesar disso, houve um ganho expressivo na eficiência do processo, refletido no aumento do número de órgãos transplantados. Foram captados seis corações, crescimento de 50% em comparação ao ano anterior. O número de rins também cresceu, passando de 56 para 65, um aumento de 16%. Já a captação de fígados apresentou um crescimento de 30%, saindo de 22 em 2024 para 29 em 2025.
Segundo a coordenadora da OPO/SE, Darcyana Costa, os resultados refletem o fortalecimento das estratégias de identificação precoce da morte encefálica e do cuidado com o potencial doador. “Temos investido fortemente na busca ativa dentro das unidades, na qualificação da manutenção do potencial doador e, principalmente, no acolhimento às famílias. Mesmo quando o número de doadores se mantém estável, conseguimos ampliar o aproveitamento dos órgãos, o que significa mais vidas salvas”, destaca.
Entre as principais ações desenvolvidas pela OPO/SE estão a sensibilização da população, por meio de visitas a universidades e escolas, com o objetivo de tornar a doação de órgãos um tema mais acessível para a sociedade. Em 2025, foram realizadas mais de 30 palestras, ampliando o diálogo com a sociedade sobre a importância da doação de órgãos. As iniciativas realizadas incluem ainda campanhas como a do Setembro Verde.
A equipe também ampliou o número de capacitações voltadas aos profissionais que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), Unidades de Apoio Crítico (UAC) e Ala Vermelha, além de promover cursos específicos para os colaboradores da própria OPO. “Adotamos estratégias com prazos e objetivos claros para otimizar a captação de órgãos e tecidos. Cada profissional envolvido nesse processo entende hoje a importância do seu papel, desde a identificação da morte encefálica até o apoio às famílias”, salientou Darcyana.
Outros avanços
Outro destaque é o fortalecimento das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs) em Sergipe, com capacitações voltadas ao aumento das notificações de morte encefálica nos estabelecimentos hospitalares. Somente no ano passado, a OPO/SE contabilizou 341 notificações, 170 protocolos concluídos e 54 doadores efetivos, demonstrando crescimento em indicadores quando comparados aos anos anteriores.
“Quando fortalecemos os sistemas de gestão da doação de órgãos, conseguimos engajar mais os profissionais de saúde e qualificar cada etapa do processo. Isso impacta diretamente no consentimento familiar e na otimização dos transplantes”, concluiu o coordenador da Central Estadual de Transplantes, Benito Fernandez.


