
A justiça racial como direito fundamental foi debatida na manhã de hoje, dia 19, por especialistas, membros e servidores do Ministério Público do Estado da Bahia que participaram do seminário promovido pela Instituição, como parte da programação da ‘3ª Edição do MP no Novembro Negro’. O momento foi de sensibilização do público interno sobre o racismo estrutural. “O racismo é uma chaga que permeia a nossa sociedade e que precisa ser constantemente combatida”, frisou o coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (CAODH), promotor de Justiça Rogério Queiroz. Ele assinalou que “quando nós vemos desigualdade, ela está diretamente relacionada ao racismo. Quando vemos violência, ela está diretamente relacionada ao racismo. Temos que enxergar isso e encontrar soluções”. Também nesta manhã, foi lançado o segundo censo étnico-racial do MPBA.
Rogério Queiroz lembrou que a sociedade brasileira avançou, mas é preciso prosseguir. Para isso, é necessário “fincar estacas” todas as vezes em que políticas e ações queiram trazer retrocessos para o enfrentamento do racismo, disse ele. “Temos que fincar estacas e isso é o seguinte: para trás a gente não anda”, reforçou, sinalizando que “é nosso dever, como cidadão, trabalhar para um salto civilizatório do nosso país”. O Ministério Público tem caminhado nesse sentido e, segundo a procuradora-geral de Justiça em exercício, Norma Cavalcanti, busca estruturar ações firmes de combate ao racismo. “O MP está com olhos sempre voltados ao outro para construir estratégias e fortalecer a luta
Presidente do Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Equidade Racial, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o conselheiro João Paulo Schoucair parabenizou o MPBA pelas iniciativas e destacou que os órgãos do sistema de Justiça precisam reconhecer o problema do racismo, pois têm papel fundamental no combate. Ele citou ações afirmativas implementadas pelo CNJ, “que tem compromisso com a equidade racial”, informando como exemplo que, neste mês de novembro, foi implementado um mutirão para julgamento de 20% dos 11 mil
A programação foi iniciada com uma fala da promotora de Justiça Valdenízia Souza Santos, que reconheceu sua posse no cargo como fruto “da teimosia dos meus pais, mas também da luta histórica do movimento negro, encampada por aliados que nos auxiliaram na ocupação de
A procuradora do Estado Maristela Barbosa Cicerelli palestrou sobre ‘As invisíveis, mas sensíveis barreiras do racismo institucional’, registrando que racismo é a “dificuldade de acesso às oportunidades”. Para ela, combater o racismo individual não é o suficiente para a resolução do problema, pois a maior parte do racismo é institucional e estrutural. A psicóloga
O evento foi aberto com apresentação musical de Daniela Alvares e encerrado pelas Ganhadeiras de Itapuã. O professor doutor Glauber Lemos lançou material audiovisual produzido para traduzir em imagem a cartilha ‘Por uma educação antirracista’, do CAODH. Ele destacou importância da democratização do conhecimento e de ações que ampliam o acesso às pessoas surdas. O material produzido pelo professor
Programação
Uma série de ações foram desenvolvidas pelo MPBA no ‘Novembro negro’. Desde o último dia 10, a Instituição realizou ciclos de palestras para debater medidas de enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial, reunindo, em Salvador, especialistas de diversas áreas com membros, servidores e a sociedade em geral.

Fotos Salvador: Sérgio Figueiredo
