Segunda, 08 de Junho de 2026
25°C 25°C
Salvador, BA
Publicidade

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de 360% no número de postagens com ameaças a escolas em quatro anos

Comentários que exaltam perpetradores de ataques saltaram de 0,2% em 2011, ano marcado pelo massacre de Realengo (RJ), para 21% em 2025.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.281
19/06/2025 às 14h34 Atualizada em 27/06/2025 às 22h49
Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de 360% no número de postagens com ameaças a escolas em quatro anos

Comentários que exaltam perpetradores de ataques saltaram de 0,2% em 2011, ano marcado pelo massacre de Realengo (RJ), para 21% em 2025.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Timelens.

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a empresa de monitoramento Timelens aponta que houve aumento de 360% no número de postagens com ameaças a escolas nas principais redes sociais utilizadas pelos brasileiros entre 2021 e 2025. O levantamento buscou identificar como as redes sociais lidam com os ataques violentos às escolas e, ao mesmo tempo, como questões como o bullying são tratadas no ambiente digital. Segundo a pesquisa, 90% dos conteúdos com discurso de ódio em 2023 estavam restritos à Deep Web — parte da internet que não aparece em buscas comuns. Em 2025, a exposição desse tipo de conteúdo na Deep Web caiu para 78%, sinalizando que as mensagens violentas e ameaçadoras, antes confinadas naquele ambiente fechado, agora circulam livremente, sem qualquer tipo de filtro, na web tradicional.

O levantamento motra que, até 21 de maio deste ano, já foram contabilizadas mais de 88 mil menções diretas a ameaças contra alunos, professores e diretores nas redes sociais; como efeito de comparação, em todo o ano de 2024 esse número foi de 105.192 postagens, enquanto em 2021 mal ultrapassavam 43.830 posts – um salto que expõe, de forma clara, a urgência de ações coordenadas para conter essa escalada.

Manoela Miklos, pesquisadora sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, alerta sobretudo para o aumento da violência contra meninas e mulheres no ambiente digital e destaca a urgência de que se entenda a nova realidade vivida por adolescentes. “Diferente das gerações anteriores, não há separação entre o mundo online e o offline — é uma vida só, híbrida. Se não compreendermos bem essa experiência, não vamos conseguir criar respostas eficazes para protegê-las”, afirma. Para ela, enfrentar esse cenário exige responsabilidade compartilhada entre Estado, escolas, famílias e sociedade.

Outro dado chama a atenção e aponta para uma escalada acentuada na proporção de comentários com elogios aos perpetradores de ataques. Se em 2011, ano marcado pelo massacre de Realengo (RJ), 0,2% dos comentários exaltavam agressores, em 2025 essa parcela já correspondia a mais de um quinto do total (21%). Entre os elogios, preponderam aqueles direcionados a jovens que supostamente reagiram com violência após sofrerem consequências psicológicas e emocionais em decorrência do bullying.

Além disso, o estudo da Timelens aponta que 21% dos comentários hostis exaltam a postura agressora, como se o autor da ameaça merecesse aprovação — cenário que embute uma “raiva silenciosa” cada vez mais ignorada pelas plataformas. Do levantamento constam dados que mostram que a vitimização por cyberbullying atinge igualmente meninos e meninas (12% em ambos os grupos), mas são os meninos que mais infligem ofensas: 17% admitiram ter agido de forma ofensiva no ambiente virtual, contra 12% das meninas, o que sinaliza um desequilíbrio preocupante na dinâmica de ataque e defesa entre os jovens.

Para Renato Dolci, diretor de dados na Timelens, a violência digital não é mais exceção — tornou-se parte do cenário cotidiano. Ele destaca que não se trata apenas de uma tendência, mas de um novo ecossistema em que meninos solitários, hiperconectados e emocionalmente desamparados encontram nas redes um caminho que começa com acolhimento e termina em radicalização.

“Quando o algoritmo substitui o afeto e a escuta, o risco deixa de ser virtual”, afirma o diretor da Timelens. Segundo ele, a violência nas redes ganhou terreno porque encontrou público, linguagem, recompensa e impunidade. “Os jovens não estão apenas consumindo conteúdo — estão formando identidade em espaços que valorizam o exagero e a exclusão”, completa Dolci.

O estudo ainda aferiu o impacto da sexualização precoce: entre estudantes do 9º ano, a proporção de meninas que já tiveram relação sexual subiu de 19% em 2015 para 22,6% em 2019. Entre os meninos, registrou-se queda de 35% para 34,6%, o que cria pressão extra sobre eles para “acompanharem” as colegas; 95% das meninas afirmam ter ao menos um amigo próximo para desabafar, percentual que cai para 85% entre os meninos, e menos de 50% de todo o grupo dizem estar satisfeitos com a própria imagem corporal.

Segundo o levantamento, os dados mostram como a combinação de ameaças abertas, celebração da violência e insuficiente apoio emocional está corroendo a segurança e o bem-estar de milhares de adolescentes. A necessidade de ações integradas que unam escolas, famílias, plataformas digitais e poder público nunca foi tão urgente.

O pesquisador Cauê Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, salienta que o Ministério da Educação tem buscado respostas concretas para enfrentar a violência nas escolas por meio do programa Escola que Protege, que operacionaliza o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (SNAVE), instituído pela Lei nº 14.643/2023.

“O programa propõe uma estratégia articulada em três eixos: a produção e difusão de conhecimento, com foco em pesquisas sobre convivência escolar; a resposta imediata com apoio psicossocial às comunidades afetadas; e o incentivo a práticas que promovem a cultura de paz”, explica Martins. Ele ressalta que a integração entre dados, políticas públicas e atuação interministerial, envolvendo MEC, MJSP, MDHC e Polícia Federal, tem sido fundamental para prevenir episódios extremos e enfrentar a presença de grupos extremistas nas redes.

Acesse o estudo completo AQUI. 

fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.281

Clique na IMAGEM e acesse a Coluna Fonte Segura/PÁGINA DE POLÍCIA, espaço destinado para publicações de artigos dos articulistas do Fonte Segura/Fórum Brasileiro de Segurança Pública.*COMENTE A MATÉRIA E COMPARTILHE!*

Se *INSCREVAM* no Canal do YouTube, clique no *"GOSTEI"* e compartilhe...:

@tvpaginadepolicia

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
MÚLTIPLAS VOZES Há 2 horas

FAMÍLIA E PRISÃO: presença inconteste e repercussões invisibilizadas

O conceito da prisionização secundária envolve os impactos da prisão sofridos pelas famílias, que sofrem repercussões ligadas às rotinas das unidades prisionais e ao campo jurídico-penal. Há também desdobramentos econômicos decorrentes do endividamento, consequências no mundo do trabalho e em aspectos das relações sociofamiliares. por Maria Palma Wolff

MÚLTIPLAS VOZES Há 2 horas

A infraestrutura invisível da vigilância no Brasil (Parte 3): monitoramento político, dissenso e os riscos democráticos da vigilância integrada.

Infraestruturas de vigilância construídas sob governos democráticos podem permanecer disponíveis para usos autoritários futuros. por Rodrigo Firmino, André Pecini e Thallita Lima

ATLAS DA VIOLÊNCIA Há 2 horas

DADOS DO ATLAS DA VIOLÊNCIA DE 2026 EVIDENCIAM AS DINÂMICAS DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NO BRASIL

São destaques da publicação os altos índices de letalidade de mulheres negras, a persistência da residência como principal lócus da violência, assim como os índices de reincidência e os tipos de violência que mais afetam as mulheres em cada ciclo da vida. Por Beatriz Schroeder e Deise Nunes

MÚLTIPLAS VOZES Há 2 horas

PRESENÇA QUE PROTEGE E APROXIMA: O Impacto da Base Fluvial Arpão na Cidadania e Segurança das Comunidades do Solimões.

Desde sua implementação, as ações articuladas na Base Arpão I resultaram na apreensão de toneladas de entorpecentes, como cocaína e maconha do tipo skunk, além de armas, munições e combustíveis ilegais, gerando um prejuízo financeiro direto ao crime organizado estimado em mais de R$ 100 milhões. por Aldo Ramos da Silva Jr. e César Maurício de Abreu Mello

MÚLTIPLAS VOZES Há 3 horas

Da Cooperação Policial ao Unilateralismo Coercitivo: As Implicações da Designação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA

Longe de constituir uma política criminal eficiente, a medida delineia-se como um instrumento de coerção geopolítica, capaz de desestabilizar as relações diplomáticas e institucionais entre as duas maiores democracias do continente. por Roberto Uchôa

FONTE SEGURA
FONTE SEGURA
Espaço dos articulistas do FONTE SEGURA/Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dedicado a análises baseadas em dados e transparência para qualificar o debate sobre segurança pública. O projeto conecta fatos e estruturas, promove cooperação federativa e alcança leitores em diversos países.
Ver notícias
Salvador, BA
25°
Parcialmente nublado
Mín. 25° Máx. 25°
25° Sensação
5.38 km/h Vento
66% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
05h51 Nascer do sol
17h14 Pôr do sol
Terça
25° 24°
Quarta
25° 24°
Quinta
26° 25°
Sexta
26° 25°
Sábado
27° 24°
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,18 +0,10%
Euro
R$ 5,97 +0,25%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 350,634,05 +3,80%
Ibovespa
168,610,02 pts -0.24%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio