Sexta, 24 de Abril de 2026
25°C 27°C
Salvador, BA
Publicidade

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de 360% no número de postagens com ameaças a escolas em quatro anos

Comentários que exaltam perpetradores de ataques saltaram de 0,2% em 2011, ano marcado pelo massacre de Realengo (RJ), para 21% em 2025.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.281
19/06/2025 às 14h34 Atualizada em 27/06/2025 às 22h49
Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de 360% no número de postagens com ameaças a escolas em quatro anos

Comentários que exaltam perpetradores de ataques saltaram de 0,2% em 2011, ano marcado pelo massacre de Realengo (RJ), para 21% em 2025.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Timelens.

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a empresa de monitoramento Timelens aponta que houve aumento de 360% no número de postagens com ameaças a escolas nas principais redes sociais utilizadas pelos brasileiros entre 2021 e 2025. O levantamento buscou identificar como as redes sociais lidam com os ataques violentos às escolas e, ao mesmo tempo, como questões como o bullying são tratadas no ambiente digital. Segundo a pesquisa, 90% dos conteúdos com discurso de ódio em 2023 estavam restritos à Deep Web — parte da internet que não aparece em buscas comuns. Em 2025, a exposição desse tipo de conteúdo na Deep Web caiu para 78%, sinalizando que as mensagens violentas e ameaçadoras, antes confinadas naquele ambiente fechado, agora circulam livremente, sem qualquer tipo de filtro, na web tradicional.

O levantamento motra que, até 21 de maio deste ano, já foram contabilizadas mais de 88 mil menções diretas a ameaças contra alunos, professores e diretores nas redes sociais; como efeito de comparação, em todo o ano de 2024 esse número foi de 105.192 postagens, enquanto em 2021 mal ultrapassavam 43.830 posts – um salto que expõe, de forma clara, a urgência de ações coordenadas para conter essa escalada.

Manoela Miklos, pesquisadora sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, alerta sobretudo para o aumento da violência contra meninas e mulheres no ambiente digital e destaca a urgência de que se entenda a nova realidade vivida por adolescentes. “Diferente das gerações anteriores, não há separação entre o mundo online e o offline — é uma vida só, híbrida. Se não compreendermos bem essa experiência, não vamos conseguir criar respostas eficazes para protegê-las”, afirma. Para ela, enfrentar esse cenário exige responsabilidade compartilhada entre Estado, escolas, famílias e sociedade.

Outro dado chama a atenção e aponta para uma escalada acentuada na proporção de comentários com elogios aos perpetradores de ataques. Se em 2011, ano marcado pelo massacre de Realengo (RJ), 0,2% dos comentários exaltavam agressores, em 2025 essa parcela já correspondia a mais de um quinto do total (21%). Entre os elogios, preponderam aqueles direcionados a jovens que supostamente reagiram com violência após sofrerem consequências psicológicas e emocionais em decorrência do bullying.

Além disso, o estudo da Timelens aponta que 21% dos comentários hostis exaltam a postura agressora, como se o autor da ameaça merecesse aprovação — cenário que embute uma “raiva silenciosa” cada vez mais ignorada pelas plataformas. Do levantamento constam dados que mostram que a vitimização por cyberbullying atinge igualmente meninos e meninas (12% em ambos os grupos), mas são os meninos que mais infligem ofensas: 17% admitiram ter agido de forma ofensiva no ambiente virtual, contra 12% das meninas, o que sinaliza um desequilíbrio preocupante na dinâmica de ataque e defesa entre os jovens.

Para Renato Dolci, diretor de dados na Timelens, a violência digital não é mais exceção — tornou-se parte do cenário cotidiano. Ele destaca que não se trata apenas de uma tendência, mas de um novo ecossistema em que meninos solitários, hiperconectados e emocionalmente desamparados encontram nas redes um caminho que começa com acolhimento e termina em radicalização.

“Quando o algoritmo substitui o afeto e a escuta, o risco deixa de ser virtual”, afirma o diretor da Timelens. Segundo ele, a violência nas redes ganhou terreno porque encontrou público, linguagem, recompensa e impunidade. “Os jovens não estão apenas consumindo conteúdo — estão formando identidade em espaços que valorizam o exagero e a exclusão”, completa Dolci.

O estudo ainda aferiu o impacto da sexualização precoce: entre estudantes do 9º ano, a proporção de meninas que já tiveram relação sexual subiu de 19% em 2015 para 22,6% em 2019. Entre os meninos, registrou-se queda de 35% para 34,6%, o que cria pressão extra sobre eles para “acompanharem” as colegas; 95% das meninas afirmam ter ao menos um amigo próximo para desabafar, percentual que cai para 85% entre os meninos, e menos de 50% de todo o grupo dizem estar satisfeitos com a própria imagem corporal.

Segundo o levantamento, os dados mostram como a combinação de ameaças abertas, celebração da violência e insuficiente apoio emocional está corroendo a segurança e o bem-estar de milhares de adolescentes. A necessidade de ações integradas que unam escolas, famílias, plataformas digitais e poder público nunca foi tão urgente.

O pesquisador Cauê Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, salienta que o Ministério da Educação tem buscado respostas concretas para enfrentar a violência nas escolas por meio do programa Escola que Protege, que operacionaliza o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (SNAVE), instituído pela Lei nº 14.643/2023.

“O programa propõe uma estratégia articulada em três eixos: a produção e difusão de conhecimento, com foco em pesquisas sobre convivência escolar; a resposta imediata com apoio psicossocial às comunidades afetadas; e o incentivo a práticas que promovem a cultura de paz”, explica Martins. Ele ressalta que a integração entre dados, políticas públicas e atuação interministerial, envolvendo MEC, MJSP, MDHC e Polícia Federal, tem sido fundamental para prevenir episódios extremos e enfrentar a presença de grupos extremistas nas redes.

Acesse o estudo completo AQUI. 

fontesegura.forumseguranca.org.br/EDIÇÃO N.281

Clique na IMAGEM e acesse a Coluna Fonte Segura/PÁGINA DE POLÍCIA, espaço destinado para publicações de artigos dos articulistas do Fonte Segura/Fórum Brasileiro de Segurança Pública.*COMENTE A MATÉRIA E COMPARTILHE!*

Se *INSCREVAM* no Canal do YouTube, clique no *"GOSTEI"* e compartilhe...:

@tvpaginadepolicia

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Episódio 5 Há 3 dias

CONVERSA DE SEGURANÇA

Podcast Conversa de Segurança – Episódio 5

PERÍCIA EM EVIDÊNCIA Há 3 dias

IA vai substituir o CSI?

A Inteligência Artificial é uma ferramenta que apresenta limitações técnicas. Uma vez que seus sistemas operam com base em probabilidades e padrões estatísticos, pode dar origem a informações incorretas com aparência de verdade.  por  Thyone Almeida de Rosa

PROFISSÃO POLÍCIA Há 3 dias

ENTRE CÂMERAS E PROTOCOLOS: Os limites da política institucional das polícias na era da transparência

Abordagem recente da PM na zona leste da capital paulista, que terminou com a morte de uma mulher, reforça debate sobre as formas de lidar com a exposição proporcionada por câmeras de celulares e redes sociais. por Juliana Lemes da Cruz

Múltiplas Vozes Há 3 dias

Orçamento Público e Militarização da Segurança: Prioridades Estatais e Expansão do Aparato Repressivo nos Estados Brasileiros

As matrizes militarizadas se caracterizam pela centralidade do policiamento ostensivo, pelo fortalecimento institucional das corporações armadas e pela adoção de estratégias repressivas como principal mecanismo de enfrentamento da violência urbana. por Giselle Florentino e Fransérgio Goulart

Múltiplas Vozes Há 2 semanas

O POLICIAL COMO PROFISSIONAL DA COMUNICAÇÃO: Voz e Escuta Ativa no Processo de Gestão de Conflitos

A escuta ativa, qualificada e humanizada, sustenta a leitura da cena de ação, a avaliação dos riscos e a tomada de decisão justa, ética e proporcional, evitando julgamentos baseados em estereótipos sociais, preconceitos e reprodução de estigmas. Por STEPHANIE MAYRA DE MORAES e FRANCIS ALBERT COTTA

FONTE SEGURA
FONTE SEGURA
Espaço dos articulistas do FONTE SEGURA/Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dedicado a análises baseadas em dados e transparência para qualificar o debate sobre segurança pública. O projeto conecta fatos e estruturas, promove cooperação federativa e alcança leitores em diversos países.
Ver notícias
Salvador, BA
25°
Parcialmente nublado
Mín. 25° Máx. 27°
26° Sensação
2.21 km/h Vento
79% Umidade
100% (16.69mm) Chance chuva
05h40 Nascer do sol
17h23 Pôr do sol
Sábado
27° 26°
Domingo
27° 26°
Segunda
27° 26°
Terça
27° 26°
Quarta
27° 26°
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,02 +0,02%
Euro
R$ 5,87 +0,01%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 414,608,18 -0,05%
Ibovespa
191,378,44 pts -0.78%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio