
A verdade é que Isaac Nery e o capitão Azevedo se alojaram no PDT porque não tiveram sucesso na busca de outra agremiação partidária.
Isaac, depois que saiu do Republicanos, em um pega-pega com o deputado federal Márcio Marinho, presidente estadual da legenda, foi atrás do PL.
Azevedo queria sair candidato a prefeito de Itabuna pelo União Brasil. Quando percebeu que ACM Neto estava propenso a apoiar o deputado Fabrício Pancadinha (SDD) resolveu ir para o PDT, que ficou com dois prefeituráveis o militar e o médico.
O presidente do PDT de Itabuna, Fernando Netto, teve que administrar o problema. E fez com muita competência e sinceridade. Disse a Isaac e a Azevedo que não podia garantir a candidatura de nenhum dos dois, que a decisão final caberia ao comando estadual do PDT.
Como o deputado federal Félix Júnior, presidente do PDT da Bahia, estava rompido com ACM Neto, e sabia que Azevedo era muito ligado ao ex-alcaide de Salvador, a certeza de que o capitão seria preterido era dada como favas contadas.
Na tentativa de buscar um consenso entre os três pré-candidatos - Pancadinha, Isaac e Azevedo -, ACM Neto propôs uma pesquisa para aferir quem tinha mais possibilidade de evitar o segundo mandato de Augusto Castro (PSD). A sugestão foi aceita pelos postulantes ao cobiçado comando do centro administrativo Firmino Alves.
A enquete apontou Pancadinha na frente nas intenções de voto. ACM Neto tomou a decisão de apoiar o deputado, que hoje aderiu ao lulopetismo, integrando a base aliada do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Coisas da política, onde a ingratidão é inerente ao processo político, a busca desenfreada pelo poder.
Outra verdade é que o PDT não é o abrigo partidário do desejo de Isaac Nery e do capitão Azevedo. Ambos são simpáticos ao bolsonarismo. Lembrando que a possibilidade da legenda lançar candidato à Presidência da República no pleito de 2026 não está descartada. Obviamente que esse nome seria Ciro Gomes.
Quanto a sucessão municipal de 2028, a esperança de derrotar o candidato de Augusto Castro, impedido de disputar à re-reeleição (ou terceiro mandato consecutivo) por força da legislação eleitoral, fica assentada na eleição de ACM Neto ao governo da Bahia.
Salta aos olhos, que não precisam ser do mesmo tamanho das corujas, e muito menos arregalados, que o oposicionismo ao governo AC não tem um nome com viabilidade eleitoral e força política. Lembrando ao caro e atento leitor que o prefeiturável de Augusto vai contar com o apoio de duas máquinas poderosas : a do Estado e do município.
Outro lembrete é que a oposição sempre caminha por estradas diferentes. A vaidade dos prefeituráveis, que chega a ser doentia em alguns, impede a imprescindível união.
Isaac continua no PDT. Não tenho informação sobre o capitão Azevedo, a não ser a de que não quer nem ouvir falar de ACM Neto, seu ex-padrinho político.
No frigir dos ovos, Isaac sai candidato a prefeito pelo PDT e Azevedo fica a ver navios. Augusto Castro se reelege e passa a ser o primeiro gestor a conquistar o segundo mandato consecutivo, via instituto da reeleição.
COLUNA WENSE, SEGUNDA-FEIRA, 05.05.2025.
(*) Marco Wense - Itabunense, Advogado e Articulista de Política. Assina a Coluna Wense, publicada diariamente em vários sites e blog da Bahia, a exemplo do PÁGINA DE POLÍCIA e O SERVIDOR.
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