
As mudanças nas estruturas das polícias estaduais preparam terreno para a radicalização em 2022, na opinião da jornalista Cristina Serra.
"Há uma extensa e perniciosa tradição de rebeliões nas polícias, e nisso elas não diferem da atuação das Forças Armadas no Brasil. Mais recentemente, episódios corroboram a preocupação com o extremismo cada vez maior desses contingentes. Foi o que se viu, por exemplo, em 2017, no Espírito Santo, e quase um ano atrás no motim de policiais militares no Ceará, que terminou com um senador baleado", escreve a jornalista na Folha de S.Paulo.
"As propostas abrem as portas, definitivamente, para a partidarização das forças de segurança e a formação de esquemas de poder paralelos que escapariam totalmente de qualquer forma de controle político-institucional. Se aprovadas, teriam o efeito de um anabolizante nas fileiras policiais, sob a égide escancarada do bolsonarismo. Os partidos progressistas têm que exigir do candidato à presidência da Câmara que apoiam o firme compromisso de conter a agenda da ultradireita. Esses projetos preparam o terreno para a radicalização em 2022", escreve.
Governadores criticam projeto que reduz poder sobre polícias. Doria diz que é "radicalmente contra".
Governadores se opõem ao plano da extrema direita de centralizar na esfera federal o controle das polícias estaduais. Para o Governador de São Paulo, João Dória, plano tem a interferência de Jair Bolsonaro.
Já começou a mobilização dos governadores contra dois projetos de lei orgânica das polícias civil e militar, que restringem o poder político dos estados sobre as tropas armadas e os bombeiros, em todo o país.
Muitos governadores veem inconstitucionalidade e interferência do Palácio do Planalto nas polícias, uma das bases de apoio do presidente Jair Bolsonaro, que já está em campanha pela reeleição, em 2022, informa O Estado de São Paulo.
Os projetos preveem mudanças significativas na estrutura das polícias. Estabelecem, por exemplo, mandatos de dois anos para os comandantes-gerais da Polícia Militar, dos Bombeiros e Delegados-Gerais de Polícia Civil, além de condicionantes para que sejam demitidos. As já foram discutidas com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sem que tenham sido ainda formalmente submetidas à Câmara dos Deputados.
“Somos radicalmente contra”, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Já mobilizamos a bancada de São Paulo e outros governadores também estão mobilizando suas bancadas”.
Vários governadores consideram que os projetos de lei orgânica das polícias interferem em suas atribuições constitucionais. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que a proposta de dar mais autonomia às polícias deveria ocorrer no âmbito dos Estados.
Por sua vez, o governador Wellington Dias (PT), do Piauí, presidente do Fórum de Governadores do Nordeste, também crítico aos projetos, defende a manutenção do princípio constitucional do poder do eleito na escolha da equipe de segurança pública.
Fonte: brasil247.com




