Sábado, 24 de Janeiro de 2026
25°C 27°C
Salvador, BA
Publicidade

Brasileiro na guerra: jogador relata fuga da Ucrânia

Entrevista com o jogador brasileiro Lucas Rangel, que tem uma vasta carreira na Europa, passando pela Albânia e vivia na Ucrânia quando começou a guerra com a Rússia. Com pouca informação sobre o que estava acontecendo, o jogador passou três dias no trajeto até a Polônia, de onde finalmente seguiu ao Brasil. Atualmente, Rangel tem contrato com o Sabah FC, do Azerbaijão, até o final da temporada europeia.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Amanda Ribeiro
23/05/2022 às 18h57
Brasileiro na guerra: jogador relata fuga da Ucrânia

Na entrevista, o paranaense conta mais detalhes sobre sua fuga da Ucrânia, carreira longe do Brasil, preconceito enfrentado no exterior, e compartilha dicas para jovens atletas.

Atacante brasileiro relata sua fuga da Ucrânia; jogador estava a 1hr30 de distância da primeira cidade atacada

Em conversa com o Sambafoot, o atacante brasileiro falou da trajetória no futebol europeu e sobre tudo o que passou ao fugir da Ucrânia após a invasão russa

Lucas Rangel tem apenas 27 anos, mas já jogou em vários países do futebol europeu. O atacante, que nasceu em Alvorada, no Rio Grande do Sul, nunca hesitou em deixar o Brasil para evoluir em clubes no exterior.

Em entrevista para o Sambafoot, o campeão na Albânia e também na Finlândia conta que viveu momentos de alegria e de tensão no Velho Continente. O mais marcante foi quando jogava pelo Vorskla Poltava, da Ucrânia – time que passou a fazer parte em setembro de 2021. E ele estava lá quando a invasão russa ao país aconteceu, em fevereiro desse ano, e que resultou em uma verdadeira saga para deixar o país. “Foi um momento de pânico, principalmente para nós, estrangeiros. A primeira cidade a ser atacada ficava a uma hora e meia da nossa”.

Início da carreira e mudança para a Europa

Lucas Rangel foi revelado pelo Londrina, do Paraná, em 2015. Ele rodou por outros clubes brasileiros, como o Grêmio Barueri, até ter a primeira oferta, um ano depois, para se transferir para o futebol europeu. O Kukesi, da Albânia, era o clube interessado. Ele não sabia nada sobre o país e não falava nenhum outro idioma além do português, mas encarou o desafio e hoje dá uma dica para a nova geração. “Meu recado para os jovens atletas que têm o sonho de vir jogar na Europa é começar a aprender o inglês, porque vai ser bastante exigido por aqui”.

O paranaense também passou por clubes da Áustria, Finlândia, Turquia, Ucrânia e Azerbaijão, onde está hoje, defendendo o Sabah FC. Muitos jogadores, às vezes, evitam se mudar para países considerados “alternativos” no meio do futebol, mas Lucas diz que não se arrepende por nenhum segundo de suas escolhas. “Tem que dar a cara a tapa e vir para a Europa sem medo, porque depois não tem arrependimento nenhum”.

Em todos esses países, passou por experiências únicas e inesquecíveis. Na Finlândia, por exemplo, sentiu na pele, literalmente, o maior frio da vida – quase 30 graus Celsius negativos! Na Turquia, teve um desentendimento com o técnico do time por não falar o mesmo idioma. E na Ucrânia, uma experiência complicadíssima que, como ele mesmo disse, não deseja “nem para o pior inimigo”.

Drama e saga para fugir da Ucrânia

Apesar de ter gostado do futebol e do povo ucraniano, o atacante, enquanto defendia o Vorskla Poltava, decidiu fugir do país depois que o conflito com a Rússia começou, em fevereiro desse ano. “Quando começamos a escutar os rumores de que poderia haver uma guerra, ninguém acreditava, nem mesmo os ucranianos. Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Quando nós, jogadores, ficamos sabendo da situação real, foi um momento de pânico, principalmente para os estrangeiro”.

De Poltava, onde vivia, Lucas deixou tudo para trás e partiu rumo a Lviv, cidade que faz fronteira com a Polônia, com o intuito de fugir da guerra que já havia iniciado. O caos instalado no país fez com que uma viagem, que duraria normalmente 12 horas, se transformasse em um percurso de mais de 30 horas. Durante o trajeto, o atacante mandava sua localização, fotos e vídeos para sua esposa no Brasil, e chegou a avisar que, se ficasse um tempo sem dar notícias, era porque o pior havia acontecido.

Ao chegar no seu destino, ele não conseguiu atravessar a fronteira do país vizinho na primeira tentativa. Só após insistir por três ou quatro vezes é que ele conseguiu passar para o outro lado do portão. Mas não foi simples, e houve momentos em que ele achou que não fosse conseguir.

O percurso até Lviv foi de carro, junto com um casal de pastores e com uma senhora ucraniana, sogra de um influencer brasileiro que havia pedido a ajuda de Lucas para tirá-la do país. Com fome, frio e muito cansaço, o grupo levou, no total, cerca de três dias entre a saída de Poltava até finalmente conseguir entrar na Polônia. De lá, o jogador seguiu para Portugal, para depois embarcar rumo ao Brasil e reencontrar sua família.

“Um momento que marcou foi quando a gente estava fugindo de carro, no meio da floresta, e passou um jato rasante que parecia próximo, mas não dava para enxergar pois estava escuro. Logo depois, vimos um clarão no céu – era o jato, da Rússia, sendo abatido por um caça da Ucrânia”.

Expectativas para o futuro

Após o início do conflito, a FIFA comunicou que jogadores estrangeiros que estavam atuando na Ucrânia e na Rússia estariam liberados para jogar em outros países. Lucas aproveitou a medida e acertou, por empréstimo do Vorskla, com o Sabah, do Azerbaijão. Ele diz que não sabe o que fará no futuro, mas que uma coisa é certa: não quer voltar para a Ucrânia de jeito nenhum.

“Eu converso muito com meus colegas de profissão que jogavam na Ucrânia e, para ser sincero, ninguém quer voltar para lá.”

O contrato com o Sabah é apenas até junho, e o atacante disse que já apareceram outros clubes interessados em seu futebol e que vai analisar tudo. Ele contou, também, que a Federação Ucraniana de Futebol pensa em colocar seus clubes filiados para jogarem em outro país. Mesmo sem saber o que vai fazer, ele garante que não se vê fora da Europa tão cedo e, por agora, não pensa em retornar ao Brasil.

Quando a gente é gaúcho, a vontade é enorme de jogar na dupla grenal. Mas, se depender do meu agente, que eu confio muito, eu não volto para o Brasil tão cedo”.

Amanda Ribeiro (www.sambafoot.com/br/)

Contato: acruz@oddsscanner.com

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Colunismo de intriga Há 2 semanas

2026 será o ano dos ataques aos parentes dos inimigos da direita

Um influencer fascista pregou essa semana nas redes sociais que é preciso agir logo e pegar a filha de Alexandre de Moraes. Esse sujeito só é diferente dos jornalões por ser mais autêntico, sincero e explícito. por MOISÉS MENDES

Constituição Cidadã Há 4 semanas

Entre a Constituição Cidadã e a Insegurança Jurídica

É triste para os operadores do direito (magistrados, membros do Ministério Público e advogados) ver o país vivenciar essa insegurança jurídica, chamada de ativismo judicial. por Ives Gandra da Silva Martins

A NOSSA AMAZÔNIA Há 4 semanas

PATAGÔNIA, A NOSSA AMAZÔNIA

A Amazônia, cujo maior território se encontra no Brasil, (e inclui também Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), a maior floresta tropical mundial, resguardo da biodiversidade e do controle do clima do orbe terrestre, podemos dizer que é a nossa Patagônia, assim como esse vasto território no sul do continente, repartido entre a Argentina e o Chile, seria a Amazônia destes dois países.por CARLOS PRONZATO

Brasil sequestrado. Há 1 mês

Síndrome de Estocolmo

Tudo bem se amamos odiar o presidiário, seus filhos e tudo o que o fascismo representa. Mas precisamos voltar a discutir temas urgentes. O Brasil precisa se livrar de seus sequestradores. por Carlos Zacarias de Sena Júnior

IGHB Há 1 mês

IGHB, ESSA LUZ NÃO VAI SE APAGAR

Mas, apesar de qualquer polêmica política, o governo tem o dever de distribuir os impostos que correspondem à cultura, de forma democrática. Em virtude desta angustiante situação, em setembro, o IGHB lançou a campanha “Não deixe esta luz se apagar”

COLUNISTAS.
COLUNISTAS.
Aqui você encontra profissionais que fazem a diferença trocando experiências e falando de tudo um pouco. Nossos Colunistas são especialmente convidados para dividir com você suas vivências cotidianas em um bate-papo recheado de utilidade e variedade. Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados nesse espaço “opinião” não refletem necessariamente o pensamento do Página de Polícia, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor.
Ver notícias
Salvador, BA
28°
Tempo nublado
Mín. 25° Máx. 27°
31° Sensação
3.87 km/h Vento
74% Umidade
100% (0.82mm) Chance chuva
05h23 Nascer do sol
18h07 Pôr do sol
Domingo
27° 25°
Segunda
27° 26°
Terça
27° 25°
Quarta
26° 25°
Quinta
27° 25°
Publicidade
Publicidade


 


 

Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,29 +0,00%
Euro
R$ 6,23 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 499,496,46 -0,52%
Ibovespa
178,858,55 pts 1.86%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Anúncio