
A notícia de que Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), pode disputar à Presidência da República, não foi bem recebida pelo lulismo e bolsonarismo.
A preocupação dessas duas correntes políticas, que protagonizam a odienta e incrustada polarização, como se fosse uma crosta difícil de remover, faz sentido.
Em relação à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), Joaquim Barbosa, do Democracia Cristã (DC), passa a ser uma opção da direita antibolsonarista, que vem crescendo em decorrência das estripulias do número 1.
Essa direita antibolsonarista, também antipetista, não está representada pelas pré-candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). No staff do bolsonarismo, o apoio dos ex-governadores a Flávio no segundo turno é dado como favas contadas, 2+2=4.
Com efeito, Zema já se arrependeu das críticas que fez ao enteado de Michelle Bolsonaro quando do encontro com o amigo Daniel Vorcaro. De agora em diante é só cafuné.
Quanto ao lulismo, salta aos olhos que Joaquim Barbosa, que foi o relator do processo do mensalão na Alta Corte, vai colocar o assunto na mídia, podendo ser até a bandeira da sua campanha.
O escândalo do mensalão pega o PT e PL, abrigo partidário do clã Bolsonaro. O presidenciável Joaquim Barbosa pode "matar" duas "cobras" com uma só paulada, atingindo dois objetivos ao mesmo tempo.
Por que o PL? Perguntaria o caro e atento leitor. É que Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda, foi condenado pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Joaquim Barbosa, além de atrair o eleitorado da direita antibolsonarista, sem dúvida o mais lúcido, pode conquistar uma parte dos eleitores indecisos.
Por enquanto, céu de brigadeiro para Joaquim Barbosa. Com a confirmação da pré-candidatura, as nuvens cinzentas começam a aparecer.
COLUNA WENSE, QUINTA-FEIRA, 04.06.2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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