
A palavra que se encaixa como uma luva na política brasileira é esculhambação. O lamaçal, cada vez mais fétido, vai tomando conta do Brasil.
O cinismo dos políticos, com a ressalva dos poucos dignos do voto, que cabem em um velho fusca, como diz a sabedoria popular, chega a ser assustador.
Avacalharam a política com P maiúsculo, que se dane a opinião pública. Lugar de se lamentar é no pé-do-caboclo. Os insatisfeitos e indignados que procurem uma lavagem de roupa.
Na CPI do Banco Master, sem dúvida o maior escândalo financeiro da República, que dificilmente será superado, a oposição acusou o PT de ser o principal protagonista da roubalheira.

Sérgio Moro
O ex-juiz Sérgio Moro, aquele que usou a Operação Lava Jato para entrar na política, que teve como contrapartida pela escancarada parcialidade o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro, foi o senador mais exaltado.
E por falar no então juiz Sérgio Moro, que se transformou em um imprescindível "cabo eleitoral" da candidatura de Bolsonaro, contribuindo para o crescimento do antipetismo, deu no que deu: foi defenestrado, sem dó e piedade, da Esplanada dos Ministérios.
Ainda sobre Moro, o STF anulou diversas decisões e condenações no âmbito da Operação Lava Jato. As barbeiragens jurídicas aliadas a uma explícita parcialidade fizeram com que a Alta Corte tomasse a decisão de livrar Lula da prisão.

Davi Alcolumbre
Agora vem o bolsonarismo e propõe a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, que enterre a CPI do Master em troca de uma redução da pena de Jair Messias Bolsonaro, via projeto de lei da dosimetria. O ex-morador do Alvorada foi condenado pela tentativa de golpe de Estado.
Lembro ao caro e atento leitor que as CPIs do INSS e do Crime Organizado ficaram sem um relatório final, não houve votação. As providências que deveriam ser tomadas foram engavetadas. A impunidade triunfou.
"Para os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei. Para os riscos, é dura lex, sed latex. A lei é dura, mas estica", dizia o saudoso jornalista e escritor brasileiro Fernando Sabino.
COLUNA WENSE, QUINTA-FEIRA, 30.04.2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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