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Entre o medo e o silêncio: por que muitas mulheres não denunciam casos de violência?

Muitas mulheres que vivem situações de violência não denunciam, e essa realidade está, quase sempre, atravessada por sentimentos e condições que vã...

Redação
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Petrolina - PE
27/03/2026 às 21h35
Entre o medo e o silêncio: por que muitas mulheres não denunciam casos de violência?
Foto: Reprodução/Prefeitura de Petrolina - PE

Muitas mulheres que vivem situações de violência não denunciam, e essa realidade está, quase sempre, atravessada por sentimentos e condições que vão muito além da decisão individual. Insegurança, dúvidas e o receio das consequências fazem parte desse processo. Diante do aumento dos casos de violência contra a mulher no país, compreender esses fatores é essencial para fortalecer estratégias de acolhimento, proteção e enfrentamento.

Entre esses fatores, o medo se destaca. Medo de represálias, de novas agressões ou até de colocar a própria vida em risco. Em muitos casos, o agressor ameaça, intimida e cria um ambiente de constante tensão, o que dificulta qualquer tentativa de rompimento. Esse cenário pode ser ainda mais delicado quando há filhos envolvidos, tornando a decisão de denunciar ainda mais complexa. A dependência emocional e financeira também pesa. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por não se sentirem seguras para recomeçar sozinhas, seja pela falta de renda, seja pelo vínculo afetivo construído ao longo do tempo. A esperança de mudança, somada ao desgaste emocional, pode adiar a decisão de buscar ajuda. Em muitos casos, a denúncia não acontece de forma imediata, mas é construída a partir de um processo de escuta, orientação e fortalecimento emocional.

A vergonha e a falta de informação completam esse cenário. Sentimentos de culpa, medo de julgamento e o desconhecimento sobre o que caracteriza a violência ou sobre onde procurar apoio fazem com que muitas situações permaneçam invisíveis. “É importante entender que cada mulher tem seu tempo. Muitas chegam ao atendimento com medo, insegurança e sem rede de apoio. Nosso trabalho é acolher sem julgamento, ajudar essa mulher a se reconhecer na situação de violência e, a partir disso, construir caminhos possíveis para que ela se sinta segura para tomar decisões”, destaca a psicóloga do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), Adla Guimarães.

Nesses casos, o apoio especializado faz toda a diferença. No CEAM, muitas mulheres encontram, pela primeira vez, um espaço seguro para falar sobre o que vivem, compreender que estão em situação de violência e receber orientação adequada. Em Petrolina, o serviço, vinculado à Prefeitura por meio da Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome, já atendeu mais de 800 mulheres entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, oferecendo suporte psicológico, jurídico e socioassistencial, além de integrar a rede de proteção com CRAS, CREAS, Patrulha da Mulher e outros órgãos.

Também estão disponíveis o WhatsApp Mulher, pelo número (87) 99165-1803, e o Plantão Mulher, que assegura atendimento emergencial e encaminhamento rápido. As iniciativas reforçam que nenhuma mulher precisa enfrentar essa situação sozinha e que sempre há caminhos de acolhimento, proteção e recomeço.

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