
A pregação da importância do voto regional, eminentemente política, muito longe de ser uma mensagem religiosa, tem seus obstáculos.
O principal entrave é como sustentar o discurso do voto regional apoiando um candidato que tem domicílio eleitoral em outra região. A chamada "dobradinha" ocorre entre candidatos à Câmara dos Deputados e ao Parlamento estadual.
Fulano de tal usa o argumento do voto regional como imprescindível para uma forte representação política. Ao mesmo tempo, em uma situação constrangedora, apoia um candidato de outra região.
Longe desse dilema estão os que vão disputar uma vaga no Senado, que só declaram o voto no candidato a governador e presidente da República. Alguns preferem o silêncio.
Já existiu em Itabuna, em priscas eras, um movimento chamado de "Bancada do Cacau", tendo na linha de frente um pequeno grupo de empresários. Mas foi sucumbido por forças poderosas.
O discurso da necessária representatividade política, com representantes do sul da Bahia no Congresso Nacional, não vai adiante. Prevalece o primeiro eu, depois eu também.
Que cada um cuide do seu quintal. O vale-tudo para ser eleito anda de mãos dadas com o ensinamento maquiavélico de que os fins justificam os meios, que se dane a representatividade política.
No frigir dos ovos, que não precisam ser tão pequenos como os da codorna ou tão grandes como os de ema, muito cinismo e tapeação.
Bancada do Cacau, um sonho que virou um grande pesadelo.
PS (1) - E os dirigentes de legendas, principalmente os presidentes de diretórios municipais que não têm filiados postulantes a cargo eletivo? Perguntaria o caro e atento leitor. O argumento seria o da fidelidade partidária, sendo obrigados a votar em candidato de outra região, sob pena de serem destituídos do comando da sigla, o manda quem pode, obedece quem tem juízo.
PS (2) - A preocupação dos senhores candidatos, deixando de fora as honrosas exceções, infelizmente poucas, diria que pouquíssimas, é com o fundo eleitoral, quanto o partido vai dar para a campanha, o valor do faz-me rir.
COLUNA WENSE, SÁBADO, 03.01.2026.
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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