
O mistério envolvendo Jaques Wagner e a proposta da dosimetria, aprovada pelo plenário do Senado, continua. Todo dia aparece um fato novo ou, se o caro e atento leitor preferir, uma nova narrativa.
Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e do PSD da Bahia, saiu em defesa do parlamentar petista. Otto disse que o entendimento "só veio depois de uma conversa do Wagner com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad".
Otto ainda alfinetou Gleisi Hoffmann (PT-PR), secretária de Relações Institucionais da Presidência da República, que criticou o acordo de Wagner com a oposição em torno da diminuição das penalidades dos condenados por atentarem contra o Estado Democrático de Direito, os golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Se referindo a Gleisi, Alencar declarou que a secretária desconhece o funcionamento do Senado. Finalizou dizendo que nunca recebeu um telefone de Gleisi, que Wagner tem sido o "carregador de piano" da Casa Legislativa.
O enigma permanece. Fica difícil acreditar que Wagner, representando o governo Lula no Senado, faria um acordo com o bolsonarismo à revelia do presidente, sem consultá-lo. Se foi assim, então não pode mais continuar como líder.

Fernando Haddad participou a Lula a conversa com Wagner? Perguntaria o caro e atento leitor. Fica difícil acreditar (2) que o ministro da Fazenda não comunicou ao chefe do Palácio do Planalto seu encontro com Wagner, que teve como escopo a aprovação da redução de benefícios fiscais em troca da diminuição das penas dos que participaram da trama golpista, beneficiando o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. O clã Bolsonaro penhoradamente agradece.
Portanto, nesse imbróglio todo, disse-me-disse pra lá e pra cá, o mistério continua. O presidente Lula foi o último a saber do acordo para diminuir a pena dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)?
Se o presidente Lula não foi comunicado sobre o acordo, principalmente com o oposicionismo bolsonariano, é sinal de alerta, de que não se faz mais companheiros como antigamente.
PS - Se Lula sabia do acordão, passa a ser um grande ator. Será convidado a fazer o papel principal da próxima novela da Globo. E Gleisi Hoffmann? Ficaria como a "bobinha da corte".
COLUNA WENSE, SEXTA-FEIRA, 19.12.2025.
(*) MARCO WENSE, advogado e articulista político itabunense, conhecido por sua coluna diária publicada em sites como *PÁGINA DE POLÍCIA e O SERVIDOR*. Seu estilo de escrita é marcado por:
• Linguagem acessível, mas com toques sofisticados (ex.: "nefasta", "abastados");
• Tom crítico, indignado e sarcástico, defendendo os direitos dos trabalhadores e atacando políticas elitistas;
• Posicionamento combativo e engajado, com forte apelo emocional e moral;
• Desconfiança em relação ao sistema político, criticando mordomias e defendendo a Constituição.
- Sua personalidade transparece idealista, apaixonada e defensora da justiça social, usando sua coluna como plataforma de denúncia.
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