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“SE A MODA PEGAR”: Prefeito de Florianópolis manda de volta quem chega sem emprego ou moradia

Topázio Neto cria posto de triagem na rodoviária e envia de volta viajantes sem vínculo na cidade. A ação divide opiniões, levanta debate jurídico e acende alerta sobre o direito de ir e vir.

Carlos Nascimento
Por: Carlos Nascimento Fonte: Redes Sociais
18/11/2025 às 00h42
“SE A MODA PEGAR”: Prefeito de Florianópolis manda de volta quem chega sem emprego ou moradia

Uma decisão polêmica do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, ganhou repercussão nacional nesta semana. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele anunciou que pessoas que chegarem à cidade sem emprego, familiares ou local para morar serão encaminhadas de volta ao município de origem — com passagem custeada pela prefeitura.

No vídeo, gravado na rodoviária da capital catarinense, Topázio explica que foi instalado um posto avançado da Secretaria de Assistência Social para “controlar quem chega” e oferecer passagens de retorno a quem não tem condições de se manter. Segundo ele, o objetivo é “manter a ordem e evitar sobrecarga dos serviços públicos locais”.

De acordo com a prefeitura, mais de 500 pessoas já foram “reencaminhadas” desde o início da ação. A gestão municipal justifica a medida como resposta ao aumento de pessoas em situação de rua, que cresce no período do verão, quando Florianópolis recebe um grande fluxo de turistas e migrantes.

Mas a iniciativa vem sendo duramente criticada. A Defensoria Pública de Santa Catarina e o Ministério Público Estadual já abriram procedimentos para apurar a legalidade da política. Os órgãos destacam que a triagem e o envio compulsório de viajantes podem violar princípios constitucionais, como o direito de ir e vir e a dignidade da pessoa humana.

Para defensores de direitos humanos, a prática é discriminatória e pode representar uma forma velada de expulsão de pessoas em vulnerabilidade. Juristas também lembram que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem reafirmado em diversas decisões a obrigação dos entes públicos de promover acolhimento, não afastamento, de quem busca oportunidades em outras cidades.

A prefeitura, por sua vez, alega que a ação é “humanitária” e que ninguém é obrigado a deixar a cidade. Segundo a gestão, o programa oferece transporte apenas para quem “deseja voluntariamente retornar” à cidade natal. Ainda assim, o tema segue sob investigação e deve ser debatido em audiências públicas ao longo do mês.

A proposta do prefeito de Florianópolis reacende um debate delicado: até onde vai o dever do poder público em garantir acolhimento social e onde começa o controle da migração urbana? Em um país marcado por desigualdade e mobilidade forçada, a ideia de “dar passagem de volta” pode soar prática, mas esbarra em princípios fundamentais. Se a moda pegar, o risco é que a exclusão comece nos portões de entrada das cidades.

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