ARTICULISTAS “ACORDO DE PELICA”
“ACORDO DE PELICA” - A conta chegou e os Políciais Civis seguem pagando sozinhos. CONFIRA TERMO DO ACORDO
O “acordo de pelica” expôs a fragilidade da negociação sindical e o distanciamento entre promessa e realidade. Por CRISPINIANO DALTRO
14/11/2025 12h26 Atualizada há 2 meses
Por: Carlos Nascimento Fonte: por CRISPINIANO DALTRO

Meu texto sintetiza a frustração, o sentimento de frustração que tomou conta da base da Polícia Civil da Bahia. Depois de quase mil dias de reuniões, idas e vindas em secretarias, gabinetes e eventos oficiais, o resultado apresentado pelos dirigentes sindicais ficou longe do que a categoria esperava. Enquanto se vendia a ideia de uma grande conquista, as perdas acumuladas continuaram intocadas e os aposentados seguiram fora do jogo.

A maratona de reuniões que não entregou resultado

Durante dois anos, representantes de diversas entidades da Polícia Civil peregrinaram pela SAEB, SERIN, gabinetes parlamentares e atos do governo. Quatro assembleias lotadas discutiram propostas que, ao final, desembocaram em um acordo dividido em quatro parcelas, com percentuais proporcionais a 22% para 2025 e 2026, mas com efeitos que, na prática, se arrastam por três anos. Um congelamento travestido de avanço.

Mesmo assim, ainda há dirigentes que tratam o acordo como vitória. O contraste com o período anterior só amplia o incômodo: após oito anos de governo Rui Costa, quando a defasagem salarial chegou a cerca de 54%, negociar um pacote que ignora aposentados e empurra reajustes para o futuro que parece repetir os mesmos erros das promessas feitas há 18 anos, quando se falava em uma “nova gestão sindical” baseada em respeito, hierarquia e diálogo com os superiores.

Com o tempo, o que se viu foi a presença de dirigentes despreparados e “ingênuos”, fascinados pela ideia de união com o patrão, que no nosso caso atende pelo nome de Estado.

O “acordo de pelica” e o movimento seguinte do governo

Passada a euforia das assinaturas — cada entidade firmando seu próprio contrato — veio a surpresa. Apenas dois meses após a aprovação da Lei 14.891/2025, o governador Jerônimo enviou à Assembleia um novo projeto beneficiando todas as demais categorias do Executivo. Reajuste semelhante, dividido em quatro parcelas, com início imediato e encerramento em 2026, mas efeitos que chegam até abril de 2027. O mesmo pacote, só que com 1% a mais, totalizando 22,1%.

A pergunta que fica é inevitável: para que serviram dois anos de reuniões em 2022 e 2023, mais dois anos de acordo para 2025 e 2026?

Uma carreira de nível superior tratada como mão de obra barata

A Polícia Civil da Bahia segue entre as últimas carreiras policiais em remuneração. Funções que exigem formação superior — IPC, EPC e PTPC — continuam sem reconhecimento e com salários muito abaixo do mercado. A descrição é direta: uma remuneração aviltante, indigna, que não condiz com a responsabilidade nem com o risco da função.

Quando o piso ideal projetado pela categoria gira em torno de 14 mil reais de subsídio inicial, o que se paga hoje é visto como exploração. Essa realidade alimenta desmotivação, adoecimento e revolta. Não à toa, o sentimento predominante é de que a categoria foi usada mais uma vez, submetida ao amadorismo de dirigentes que agiram muito mais como corretores de intenções do governo do que como representantes da base.

O desfecho dessa negociação expôs um problema que vai além de números. A Polícia Civil da Bahia precisa de valorização real, planejamento e representação de verdade. Enquanto os acordos continuarem nascendo para atender prazos políticos e não necessidades estruturais, a sensação de abandono só vai aumentar. A categoria merece mais, e os resultados entregues até aqui mostram que ainda estamos longe desse caminho.

Por Crispiniano Daltro

 

(*) CONFIRA MATÉERIA: Policiais Civis dizem SIM a PROPOSTA do governo.

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