O que falta para os deputados e senadores bolsonaristas, que ocuparam à força as mesas das duas casas, quebrarem tudo? O que falta para acamparem na porta dos quartéis e pedirem aos militares que intervenham com um golpe? O que falta para andarem por aí achando que está tudo bem e que vão sair impunes? Não falta nada. Na verdade sobram semelhanças com o ocorrido há mais de dois anos e que é um dos leitmotiv das manifestações desses dias, que se assemelham à violência que assistimos no dia 8 de janeiro de 2023. Incluindo-se as orações, as bíblias, as performances patéticas e as tias e tios do zaps filmando tudo para depois colocarem nas redes sociais, sem se importarem de produzirem provas dos próprios crimes.
O que assistimos nos últimos dias no Congresso Nacional não são apenas atitudes desesperadas de quem acha que o Brasil não tem leis. O que acontece, e que me faz lembrar do 8 de janeiro, é que uma horda de parlamentares resolveu desafiar o bom senso, as leis e as instituições, acreditando que vão fazer valer a sua vontade de uma forma ou de outra. É claro que ainda não houve depredações da casa legislativa, mas para que isso aconteça, não falta muito.
Mas há sim uma espécie de depredação. Até aqui simbólica, mas tão grave quanto a material que custou milhões aos cofres públicos. Posto que são essas senhoras e esses senhores que oferecem exemplos aos seus seguidores, não seria exagero dizer que a dimensão simbólica desses atos produz grave estrago. Diante disso, não parece tão difícil conceber que possamos assistir novas ondas de ataques, como aquelas de 8 de janeiro. Isso para não dizer das conspirações, que podem estar ocorrendo, longe dos nossos olhos, mas que agora contam com o declarado apoio do imperialismo estadunidense.
Não há remédio para o golpismo que não seja a aplicação da lei. A parte do Brasil que não se contaminou com o bolsonarismo deve manter-se firme no apoio às instituições, especialmente ao STF, cujo ministro Alexandre de Moraes é o alvo principal. Mas não apenas isso: é preciso defender a democracia contra os golpistas que continuam soltos e conspirando contra o Brasil, sem ceder a chantagens de nenhuma espécie, seja de nações estrangeiras, seja de impatrióticos parlamentares que apostam no confronto e são incapazes de admitir que a lei se cumpra.
O momento que vivemos é grave. Passada a fase das incontornáveis piadas e memes com o chefe da quadrilha que agora cumpre prisão domiciliar, é preciso redobrar a atenção. Mais do que isso, é preciso descruzar os braços e ocupar as ruas, sinalizando aos fascistas que quem paralisa o país é quem trabalha.
O que as centrais sindicais e movimentos sociais estão esperando para se pôr em campo? É preciso organizar e mobilizar a classe trabalhadora para defender a democracia.
Mas não se pode fazer isso sem entusiasmo, energia e resolução.
Por Carlos Zacarias de Sena Júnior (Professor do Departamento de História da UFBA)
publicado no Jornal A Tarde, Salvador, edição de 08/08/2025.
*COMENTE A MATÉRIA E COMPARTILHE!*
Se *INSCREVAM* no Canal do YouTube, clique no *"GOSTEI"* e COMPARTILHE...: