Na manhã desta terça-feira (15), o Sindpoc reuniu-se com aposentados e pensionistas da Polícia Civil da Bahia para, mais uma vez, “tirar dúvidas” sobre as inconsistências nos contracheques. O evento, regado a salgados e sucos, foi realizado no auditório do Sindinapi — o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas, ligado à Força Sindical. Detalhe importante: o presidente do Sindpoc, Eustácio Lopes, também é dirigente da Força Sindical, o que revela que, no fim das contas, tudo gira em torno de articulação política. A presença massiva de aposentados da Polícia Civil serviu, em grande medida, como instrumento de demonstração de força sindical — e não propriamente como um compromisso com a solução concreta dos seus problemas.
Com fala mansa e o mesmo tom conciliador de sempre, Eustácio afirmou que o reajuste da GAPJ “será resolvido no salário de julho” e que está cobrando da gestão estadual a segunda parte do acordo: a famigerada integralidade e paridade. Palavras já repetidas como ladainha em reuniões anteriores — um roteiro que parece escrito para anestesiar ânimos e adiar cobranças.
Sabe-se que o presidente ainda está na ativa, e por isso talvez tente preservar pontes e manter a retórica diplomática. Mas o que realmente espanta e causa indignação na categoria é ver dois diretores do sindicato que já estão aposentados, ou seja, vivem o mesmo drama dos demais colegas inativos, assumirem o papel de defensores da gestão, passando pano e distribuindo paliativos. Na linguagem da própria polícia, é o velho "cheiro, toalha e sabão": um banho de ilusão, que tenta mascarar a real gravidade da situação e subestima a inteligência do policial civil aposentado.
Esses diretores, que deveriam estar na linha de frente das cobranças — por legitimidade, por vivência e por consciência de classe — preferem reproduzir o discurso oficial e tentar “acalmar os ânimos”. Um deles, Carlos Jorge Meira, chegou a dizer que os erros são do RH da SAEB/SUPREV e pediu tranquilidade. Já o outro, Bernardino Gayoso, teve a audácia de parabenizar o presidente por “atender às demandas”. A pergunta que ecoa entre os colegas é: quais demandas foram atendidas, se a folha continua errada, os valores não foram corrigidos e o sentimento predominante é de frustração?
É impossível ignorar que essa movimentação do sindicato aconteceu após aposentados começarem a se organizar por fora, preparando inclusive uma manifestação com carro de som em frente ao prédio da Polícia Civil, na Piedade. A reunião e os agrados parecem ter sido uma manobra clássica para conter o avanço do protesto. E funcionou, ao menos temporariamente: o movimento foi suspenso, com um cheque em branco simbólico entregue ao sindicato. Um gesto de confiança que pode custar caro.
Vale salientar que o uso do espaço do Sindinapi, vinculado à Força Sindical, reforça a suspeita de que o encontro foi, mais do que um gesto de escuta e respeito, um ato de instrumentalização política. Os aposentados da Polícia Civil foram utilizados como massa de manobra, servindo para reforçar a imagem política de dirigentes sindicais que hoje dividem o foco entre a categoria e suas pretensões em esferas mais amplas de poder.
O Sindpoc segue sua política de manter “tudo sob controle” — desde que ninguém pressione, ninguém grite e ninguém vá à rua. Enquanto isso, os aposentados esperam, engolem salgadinhos e alimentam esperanças que já passaram da validade. É inaceitável que representantes sindicais aposentados tenham se convertido em embaixadores da resignação, quando deveriam ser a voz mais firme da indignação. A categoria já percebeu: quem vive de promessa sindical dorme com o contracheque errado e acorda sem reajuste. A paciência tem limite — e a Polícia Civil aposentada está mais próxima de ultrapassá-lo do que nunca.
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