ARTICULISTAS “AUTO-DESTRUIÇÃO”
AUTOFAGIA POLÍTICA: A “Auto-Destruição” do Sistema em meio à crise de Representatividade
Como a radicalização, a corrupção e a perda de legitimidade alimentam um ciclo de degradação na política brasileira. por Laudelino Conceição (Lau)
15/07/2025 12h30
Por: Carlos Nascimento Fonte: por Laudelino Conceição (Lau)

No dia a dia, entre um bate papo e outro com colegas e amigos, vem à tona uma superficial discussão acerca do momento político do país, com ênfase para os recentes desdobramentos no Congresso Nacional, principalmente com a derrubada do decreto presidencial que instituía a cobrança do IOF dos afortunados, impondo ao presidente Lula uma fragorosa derrota e com prenúncios nada alvissareiros para o ano seguinte, eleições 2026, reeleição.

Mas, o que está acontecendo, em plena contemporaneidade, onde tanto se  propala a tal civilidade, harmonia entre os poderes que alicerçam a estrutura do Estado Democrático de Direito? Pois bem, não  é de difícil compreensão notar que o núcleo político do nosso amado e promissor  país sofre um processo autofágico.

 O conceito de autofagia nos remete a metáfora política. Afinal, o processo autofágico é natural no núcleo da célula  e as partes degradadas se auto reciclam. Já no contexto político, atual,  a “auto-degradação” e “auto-destruição” são aspectos que evidenciam inúmeras circunstancias em que nosso sistema político age de forma contrariando a essência  da natureza do ser e fazer política, com “P” maiúsculo com a inconteste manifestação e participação popular, e, acima de tudo,  com o debate de idéias respeitando as vertentes ideológicas, sem que haja contaminação pelo ódio e qualquer tipo de preconceito.

A autofagia política já se manifestava no pós Revolução Francesa, pois, posterior a derrota da Monarquia o grupo político vitorioso travou intestinas disputas dentro do próprio cerne político, ai, configurando um processo de “auto-degradação” e “auto-destruição”, onde o próprio movimento levou a guilhotina alguns dos seus  lideres. Assim sendo, diversos fatores ensejam o processo autofágico na política de qualquer natureza (partidária, sindical e outras). Mas essencialmente, na política partidária elencamos diversos fatores que contribuem para  sua autofagia:  a crise de representatividade manifestada na incapacidade de atender às demandas da população, seus representados, gera desconfiança e perda de legitimidade representativa, vindo à tona a perda do apoio popular. 

Ainda, na mesma linha, a radicalização e a polarização interna e externa minam a dinâmica política, deixando à margem o dialogo e o debate de idéias, ingredientes da natureza da política. E, por fim, os escândalos e corrupção atingem diretamente os atores políticos e as instituições, levando-os a uma acentuada autofagia.

Laudelino Conceição (Lau)

Ex-vereador de Salvador, professor de filosofia, acadêmico de direito e Escrivão de Policia Civil da Bahia.

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