Autoria: Fátima Umbelino, Servidora Pública Estadual aposentada
A cada dia que passa, chegamos à conclusão de que o serviço policial nos dias atuais é escasso, apesar de termos hoje um vasto material humano, equipamentos de primeira linha e um avanço tecnológico que não deixa a desejar a qualquer estado brasileiro. Saliento que vivenciei uma estrutura diferente lá pelo ano de 1985.
Preciso citar que, apesar da escassez de recursos naquela época, a “antiga” CEPOL/CENTEL recebia os chamados e repassava imediatamente para o rádio das viaturas em serviço. Todos os detalhes da solicitação eram transmitidos: nome, idade, residência, além das informações sobre o autor e a vítima do fato que motivara a ligação para o 190.
Em seguida, a CENTEL/CEPOL designava uma viatura disponível na área da delegacia mais próxima, onde o registro do fato era feito. Os agentes, chefiados pelo comissário mais antigo da guarnição, comunicavam o deslocamento para atender à ocorrência, detendo e conduzindo o agressor. Na maioria das vezes, o autor era levado à delegacia na própria viatura, onde se procedia com o registro da ocorrência e as providências cabíveis.
Diante desse relato, fico refletindo: de que adianta o avanço tecnológico se, hoje, quando o cidadão liga para o 190, passa por um verdadeiro interrogatório? As atendentes questionam até a "data do batismo" e tentam tranquilizar dizendo que "logo, logo a viatura chegará" — um ledo engano. Esse atendimento só parece ser ágil quando já há um óbito a ser registrado, situação em que várias viaturas rapidamente se deslocam ao local.
O curioso é que, apesar da tecnologia avançada da atual CICOM, o atendimento ainda deixa a desejar. Moradores da rua que abriga o mercado Assaí, a garagem de veículos da Polícia Civil e o Departamento Médico da instituição esperavam um maior patrulhamento, capaz de coibir o uso de entorpecentes e até mesmo relações sexuais ao ar livre. No entanto, os verdadeiros moradores seguem impotentes, vivendo em uma rua que alguns insistem em chamar de "segura".
A modernização dos equipamentos e a ampliação do efetivo policial são conquistas inegáveis, mas é preciso garantir que esses recursos se traduzam em eficiência operacional. O cidadão não precisa de tecnologia pela tecnologia; ele precisa de respostas rápidas, atendimento humanizado e, acima de tudo, da sensação concreta de segurança.
Enquanto o serviço policial não equilibrar inovação e efetividade, continuaremos a ver falhas que, em muitos casos, poderiam ser evitadas com uma gestão mais ágil e comprometida com o bem-estar da população.