"CAUSOS POLICIAIS" “X9”: Falso Polícia
“X9”: A Indústria dos Falsos Policiais e a corrupção que os sustenta
De auxiliares administrativos de prefeituras a ex-autoridades: como se forma a rede de falsos agentes que aterroriza o interior.
08/05/2025 20h25 Atualizada há 10 meses
Por: Carlos Nascimento Fonte: Redação

A prisão de Luciano Sá Sampaio em Muritiba (BA) - um ex-funcionário administrativo da prefeituera que se passava por Policial Civil - escancarou um problema crônico no Brasil: a proliferação de falsos agentes de segurança, conhecidos regionalmente como "X9", "Gansos" ou outros codinomes. Esses indivíduos, muitas vezes com conexões políticas ou vínculos precários com o Estado, usam uniformes, armas e credenciais falsas para extorquir, coagir e até prender cidadãos, agindo com mais autoridade que policiais legítimos.

A Raiz do Problema: Conivência e Corrupção Institucional

O fenômeno não é novo. Relatos se multiplicam pelo interior do país:

Delegados que distribuem carteiras ilegais: Recentemente, um ex-delegado-geral foi processado por fornecer identidades policiais a servidores da REDA (Regime Especial de Direito Administrativo), que foram flagrados portando essas credenciais quando presos.

Autoridades que transformam a segurança pública em cabide eleitoral: Um dos casos mais emblemáticos envolve um ex-secretário de Segurança que, anos atrás, distribuiu carteiras funcionais em massa para alavancar a campanha de seu filho, eleito posteriormente como deputado federal.

Funcionários de prefeituras "emprestados" a delegacias: Muitos agem como se fossem policiais, usando equipamentos táticos e até participando de operações, sem qualquer formação ou autorização legal.

Modus Operandi: Do Prestígio Ilícito ao Crime Organizado

Esses falsos agentes não apenas usam a farda para assustar a população, mas também se inserem em esquemas maiores:

Extorsão: Cobram "taxas" para resolver problemas ou oferecem "proteção" a comerciantes.

Tráfico de influência: Usam sua falsa autoridade para beneficiar criminosos ou interferir em investigações.

Fraude eleitoral: Alguns são recrutados como "capangas" de políticos, usando a intimidação para garantir votos.

O Círculo Vicioso da Impunidade

Apesar de alguns casos chegarem à Justiça - como o do ex-delegado-geral citado ou de Luciano Sampaio -, muitos "X9" continuam atuando porque:

Há falta de controle rígido sobre a emissão de credenciais e armamentos.

Autoridades locais fecham os olhos, seja por conivência ou interesse político.

A população tem medo de denunciar, já que muitos falsos policiais mantêm ligações com o crime organizado ou com políticos influentes.

Conclusão: É Preciso Desmantelar a Máfia dos Falsos Policiais

Para acabar com essa chaga, medidas urgentes são necessárias:

Investigação ampla sobre todas as credenciais emitidas nos últimos anos, especialmente em cidades do interior.

Punição exemplar não só dos "X9", mas dos servidores públicos que os apoiam.

Fim do uso político das delegacias, com auditorias independentes em todas as unidades.

Campanhas de conscientização para que a população denuncie sem medo.

Enquanto o Estado não tratar o problema com a seriedade devida, os falsos policiais seguirão agindo à sombra da lei - não como exceção, mas como parte de um sistema podre que precisa ser desmontado. A segurança pública não pode ser moeda de troca para interesses escusos.

Chega de "X9".

A origem do termo "X9" no Brasil e seus equivalentes regionais

O termo "X9" surgiu como gíria policial no Brasil, mas sua origem exata é envolta em curiosidades. Uma das teorias mais aceitas remete ao Código 10, usado em radiotransmissões de polícias e táxis, onde "10-9" significaria "repita a mensagem", associando-se a quem "repete" informações às autoridades. Com o tempo, o "10-9" teria sido abreviado para "X9", virando sinônimo de delator.

Outra teoria sugere que o termo vem do "X" (incógnita) + "9" (gíria antiga para "caixão"), indicando que um X9 estaria "marcado para morrer" por trair o crime. Curiosamente, o termo ganhou até representação cultural no Carnaval: em São Paulo, existe a X-9 Paulistana, uma das escolas de samba mais tradicionais da capital, fundada em 1947 e sediada na Zona Norte. Além dela, há a X-9 de Santos, que se consagrou campeã do Carnaval santista em 2025. Ambas as agremiações carregam o nome que, nas ruas, tem um significado bem diferente.

Seja qual for a origem, o termo se espalhou pelo país, ganhando variações regionais. No Rio e em São Paulo, "X9" e "dedo-duro" são os mais comuns. Na Bahia, mesmo com alternativas como "garganta" ou "fofoqueiro", o "X9" ainda domina. Em Minas, usa-se "cagueta", enquanto no Sul aparecem termos como "xurumela".

No fim, o "X9" se tornou a expressão mais universal, um símbolo da relação tensa entre crime, polícia e os que vivem na linha tênue entre os dois lados – e também um nome que, ironicamente, virou motivo de orgulho para algumas das maiores escolas de samba do estado de São Paulo.

(*) ESCÂNDALO NA POLICIA CIVIL: Ex-Delegado-Geral é denunciado pelo MP

(**) CONFIRA DENÚNCIA: Ministério Público Estadual denuncia ex-Delegado-Geral da Polícia Civil por falsificação e peculato  

(***) Motorista “VIP” do ex-Delegado Chefe é detido passando-se por Policial Civil da Bahia