SEGURANÇA PÚBLICA PEC da Segurança
PEC DA SEGURANÇA: UMA NOVA ERA PARA AS POLÍCIAS OU MAIS UM DESAFIO PARA O SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA?
Aprovada pelo Congresso Nacional, proposta amplia a integração das forças de segurança, redefine competências institucionais e endurece o combate às facções criminosas. Mas o que realmente muda para as instituições e para os profissionais que estão na linha de frente?
08/11/2026 12h36 Atualizada há 12 minutos
Por: Carlos Nascimento Fonte: Editoria de Política

A segurança pública brasileira entra em uma nova etapa com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. De iniciativa do Poder Executivo, a proposta foi apresentada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a gestão do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

A matéria passou por uma ampla discussão no Congresso Nacional e recebeu alterações durante sua tramitação. Na Câmara dos Deputados, o relator foi Mendonça Filho (União-PE), responsável pela apresentação do substitutivo que modificou pontos importantes da proposta original. No Senado, a relatoria ficou com Rogério Carvalho (PT-SE).

O resultado foi uma proposta que procura reorganizar a atuação das instituições, ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e fortalecer os instrumentos de enfrentamento ao crime organizado.

Plenário do Senado analisa PEC da Segurança Pública - 3/11/26

O QUE MUDA NA SEGURANÇA PÚBLICA?

Uma das principais mudanças é a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O sistema, que já existia por legislação federal, passa a ter previsão constitucional, reforçando a integração entre as instituições responsáveis pela segurança pública.

Na prática, a intenção é melhorar o compartilhamento de informações, aproximar os serviços de inteligência e permitir operações conjuntas entre as diferentes forças.

A Polícia Federal terá suas competências constitucionais ampliadas no enfrentamento às organizações criminosas, milícias e crimes de repercussão interestadual e internacional.

A Polícia Rodoviária Federal também terá suas atribuições ampliadas, passando a contemplar o policiamento ostensivo de rodovias, ferrovias e hidrovias federais, conforme as condições previstas no texto.

Outro ponto importante é a possibilidade de criação de polícias municipais, observados os requisitos constitucionais e legais. A medida abre espaço para uma participação mais estruturada dos municípios na segurança pública.

A proposta também fortalece a atividade de inteligência e estabelece mecanismos de cooperação entre os órgãos federais, estaduais e municipais.

COMBATE ÀS FACÇÕES E AO CRIME ORGANIZADO

A PEC procura dar maior força constitucional ao enfrentamento das organizações criminosas de alta periculosidade, facções, milícias privadas e grupos paramilitares.

O texto prevê que a legislação estabeleça sanções mais rigorosas e um regime especial para integrantes e lideranças dessas organizações, considerando a posição hierárquica e a participação de cada pessoa nas atividades criminosas.

Também prevê instrumentos mais fortes de combate ao patrimônio relacionado ao crime organizado.

A intenção é atingir não apenas quem executa as ações criminosas, mas também as estruturas financeiras e de comando que sustentam essas organizações.

E OS PROFISSIONAIS DA SEGURANÇA? O QUE MUDA?

Essa é uma das questões que mais interessam aos policiais e demais servidores da segurança pública.

A PEC não estabelece aumento salarial automático, equiparação remuneratória entre carreiras, promoção funcional ou unificação das polícias. Também não transforma automaticamente os regimes de trabalho dos profissionais.

Entretanto, a proposta abre espaço para uma organização mais integrada das atividades, com maior intercâmbio de informações, cooperação operacional e parâmetros nacionais.

Para policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, penais, guardas municipais e demais profissionais, a mudança poderá representar novas formas de atuação conjunta e de planejamento das operações.

É importante destacar que a integração institucional não significa perda automática da autonomia administrativa dos estados nem transferência indiscriminada de atribuições entre as corporações.

A valorização profissional, a estrutura das carreiras, os salários, os equipamentos, a formação e as condições de trabalho continuam sendo questões fundamentais que precisam de políticas específicas.

Em outras palavras, a PEC reorganiza o sistema, mas não resolve, por si só, as reivindicações históricas das categorias.

ARTICULAÇÕES POLÍTICAS E PONTOS DE DIVERGÊNCIA

A tramitação foi marcada por negociações entre governo e oposição.

A proposta original do Executivo recebeu resistência de parlamentares preocupados com uma possível concentração de poder na União e com a preservação das competências dos estados.

O relator Mendonça Filho conduziu mudanças para acomodar essas preocupações e construir um texto com maior possibilidade de aprovação.

O governo defendia uma coordenação nacional mais forte, especialmente para enfrentar organizações criminosas que atuam em diferentes estados e até fora do país.

Já setores da oposição cobravam maior preservação da autonomia estadual e municipal, além de questionarem aspectos do financiamento e da organização das instituições.

A redução da maioridade penal também provocou um impasse no Senado. Emendas que tratavam do assunto foram retiradas da PEC principal e passaram a tramitar separadamente.

O tema foi objeto de uma disputa expressiva: o requerimento para desmembrar as emendas foi aprovado por 38 votos a 36, com uma abstenção.

Portanto, a PEC da Segurança Pública foi aprovada sem alterar a maioridade penal, que permanece em 18 anos.

COMO FOI A VOTAÇÃO NO CONGRESSO?

A proposta obteve ampla maioria na Câmara dos Deputados, demonstrando que a segurança pública conseguiu reunir parlamentares de diferentes posições políticas.

Câmara dos Deputados, 4 de março de 2026:

- Primeiro turno: 487 votos favoráveis, 15 contrários e uma abstenção.
- Segundo turno: 461 votos favoráveis e 14 contrários.

Senado Federal, 3 de novembro de 2026:

- Primeiro turno: 73 votos favoráveis e nenhum contrário.
- Segundo turno: 75 votos favoráveis e nenhum contrário.

No Senado, portanto, a aprovação do texto principal foi unânime entre os votos registrados nos dois turnos.

O resultado demonstra que, apesar das divergências durante a tramitação, houve uma ampla convergência política em torno da necessidade de reorganizar a segurança pública brasileira.

QUEM VOTOU CONTRA NA CÂMARA?

No segundo turno, 14 deputados votaram contra a proposta:
1. Capitão Augusto (PL-SP).
2. Célia Xakriabá (PSOL-MG).
3. Chico Alencar (PSOL-RJ).
4. Erika Hilton (PSOL-SP).
5. Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
6. Heloísa Helena (Rede-RJ).
7. Ivan Valente (PSOL-SP).
8. Juliana Cardoso (PT-SP).
9. Luiza Erundina (PSOL-SP).
10. Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ).
11. Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP).
12. Sâmia Bomfim (PSOL-SP).
13. Tarcísio Motta (PSOL-RJ).
14. Túlio Gadêlha (Rede-PE).

A maioria dos votos contrários veio de parlamentares do PSOL e da Rede, mas também houve votos divergentes de integrantes do PT e do PL.

É importante observar que a orientação partidária não significa que todos os integrantes de uma legenda tenham votado da mesma maneira.

COMO VOTARAM OS DEPUTADOS?

A votação nominal permite identificar a posição de cada parlamentar, independentemente de partido ou estado.

Consulta por parlamentar, partido e unidade da Federação:

https://painel.fenamp.org.br/votacoes/1512

O painel permite visualizar os 461 votos favoráveis, os 14 contrários e os demais registros da votação do segundo turno.

Para os leitores da Bahia, a consulta por unidade da Federação permite verificar individualmente como votaram os representantes baianos.

BAHIA NO CONGRESSO: DEPUTADOS E SENADORES VOTARAM A FAVOR DA PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA

A representação da Bahia no Congresso Nacional registrou apoio à PEC da Segurança Pública nas votações realizadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Na Câmara, durante o segundo turno, realizado em 4 de março de 2026, 33 deputados federais baianos votaram SIM e nenhum registrou voto contrário. O resultado demonstra unanimidade entre os parlamentares do estado que participaram da votação nominal.

No Senado Federal, os três representantes baianos também votaram favoravelmente à proposta: Angelo Coronel, Jaques Wagner e Otto Alencar. Os três registraram voto SIM tanto no primeiro quanto no segundo turno, realizado em 3 de novembro de 2026.

No resultado nacional, a PEC foi aprovada na Câmara por 461 votos favoráveis e 14 contrários, no segundo turno. No Senado, recebeu 73 votos SIM no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários em ambas as etapas.

A votação mostra que os representantes da Bahia, nas duas Casas do Congresso, apoiaram a proposta que promove mudanças na organização da segurança pública brasileira.

Agora, o desafio será acompanhar a implementação das medidas e cobrar que as mudanças se traduzam em melhores condições de trabalho, estrutura, valorização profissional e mais segurança para a população.

Fontes: Câmara dos Deputados e Senado Federal, registros oficiais de votação da PEC 18/2025.

O QUE AINDA PRECISA ACONTECER?

A aprovação no Congresso não significa que todas as medidas terão aplicação imediata.

A PEC segue para promulgação, e determinados dispositivos dependerão de regulamentação por leis específicas, normas administrativas e medidas de implementação.

Também será necessário definir como os governos federal, estaduais e municipais vão estruturar a integração, compartilhar informações, financiar as atividades e preparar os profissionais.

A efetividade da proposta dependerá, portanto, da capacidade de transformar as mudanças constitucionais em políticas públicas concretas.

NÃO BASTA MUDAR A CONSTITUIÇÃO, É PRECISO FORTALECER QUEM FAZ A SEGURANÇA ACONTECER

A PEC da Segurança Pública representa uma mudança importante na organização do sistema brasileiro. A integração das forças, o fortalecimento da inteligência e o enfrentamento mais estruturado das facções são medidas que respondem a problemas reais da sociedade.

Entretanto, não se pode confundir reorganização institucional com solução definitiva para a violência.

O sucesso dessa mudança dependerá de investimentos, planejamento, estrutura, equipamentos, formação continuada e, sobretudo, valorização dos profissionais que diariamente colocam a própria vida em risco para proteger a população.

Policiais não precisam apenas de novas atribuições. Precisam de condições adequadas para trabalhar, remuneração digna, proteção jurídica e reconhecimento institucional.

A segurança pública não se constrói somente com leis mais rigorosas ou mudanças na Constituição. Ela depende de instituições fortes, profissionais respeitados e governos comprometidos com resultados.

A PEC foi aprovada. Agora começa o verdadeiro teste: fazer com que as mudanças saiam do papel e cheguem às ruas, às delegacias, aos quartéis, às unidades prisionais e aos municípios brasileiros.

**Porque, no final, uma segurança pública mais eficiente precisa proteger a sociedade, fortalecer suas instituições e valorizar aqueles que fazem da proteção da vida uma missão diária.**

DOCUMENTOS E FONTES OFICIAIS

Consulte a proposta, os textos e o histórico de tramitação:

1. Íntegra e tramitação da PEC 18/2025, no Congresso Nacional:

2. Redação final aprovada pela Câmara dos Deputados:

3. Votações nominais no Senado Federal:

4. Mapa de votação dos deputados no segundo turno:

Página de Polícia | Informação, análise e compromisso com a segurança pública.

JERÔNIMO DEFENDE PEC DA SEGURANÇA E PEDE UNIÃO CONTRA O CRIME

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu a PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado em dois turnos, e destacou que o combate ao crime organizado exige integração entre União, estados e municípios.

Segundo o governador, a participação federal é fundamental em ações que ultrapassam as competências estaduais, especialmente na fiscalização das fronteiras e no enfrentamento às organizações criminosas.

Jerônimo também ressaltou os investimentos da Bahia em armamentos, viaturas, presídios, câmeras corporais, reconhecimento facial e inteligência policial. Defendeu ainda o fortalecimento das guardas municipais e ações sociais, como o programa Bahia pela Paz.

Para o governador, é necessário atingir as fontes de financiamento e a estrutura do crime organizado por meio de uma atuação conjunta entre os entes federativos.

GOVERNO AVALIA NOMES PARA COMANDAR NOVO MINISTÉRIO DA SEGURANÇA PÚBLICA

O governo federal estuda a criação do Ministério da Segurança Pública e avalia nomes de perfil político e técnico para assumir a pasta.

Entre os políticos cotados estão os petistas Rui Costa, ex-governador da Bahia e senador eleito, e Camilo Santana, também senador. Já entre os nomes técnicos aparecem o promotor Lincoln Gakiya, referência no combate ao PCC, e Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública.

A escolha envolve um dilema: apostar em um nome de força política ou em um especialista com experiência no enfrentamento ao crime organizado. A definição ainda não foi anunciada, e a lista de cotados pode mudar.