A petição de Flávio Bolsonaro, pedindo a substituição de Alexandre de Moraes por André Mendonça, é mais uma inconteste prova de que os critérios da indicação para a vaga no STF pelo presidente da República de plantão têm que ser revistos.
E com uma certa urgência.
Tomara que a tão falada e comentada reforma do Judiciário não tenha o mesmo fim da reforma política, que caiu no esquecimento, já que a classe política não quer nem ouvir falar do assunto, quer manter os privilégios.
Quando a discussão sobre a reforma política vem à tona, os segmentos ideológicos e os grupos políticos se unem. Esquerda e direita, bolsonarismo e lulopetismo, dão as mãos. É um por todos, todos por um.
São como farinhas do mesmo saco ou bananas do mesmo cacho.
Lembrando ao caro e atento leitor que André Mendonça foi indicado pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Para Flávio Bolsonaro, Mendonça deve esse favor ao pai.
O primogênito já dar como favas contadas que a decisão de Mendonça, o terrivelmente evangélico, vai lhe agradar. Matematicamente falando, 2+2=4.
Mas tem outra opinião em relação ao pedido de Flávio para que o processo saia de Alexandre de Moraes e passe a ser julgado por André Mendonça.
O que se comenta é que a petição é para alimentar o argumento de que o número 1 está sofrendo uma implacável perseguição política, já que é dado como certo que a Alta Corte vai negar o pedido.
O inferno astral toma conta do clã Bolsonaro. Pelo andar da carruagem por um bom tempo.
COLUNA WENSE, TERÇA-FEIRA, 03.11.2026.
Sobre o autor:
(*) MARCO WENSE é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no PÁGINA DE POLÍCIA e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.