As ruas do entorno do Centro de Criatividade foram tomadas por música, dança e manifestações da cultura popular na tarde deste sábado, 31, durante o Cortejo Cultural do Festival Sergipanidade. Reunindo grupos tradicionais de diferentes municípios, a iniciativa levou ao espaço público expressões que atravessam gerações e fazem parte da identidade sergipana.
O Cortejo Cultural é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), em parceria com a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), e a Secretaria Especial da Cultura (Secult), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e integra a programação da segunda edição do Festival Sergipanidade.
Para a presidente da Funcap, Stéfanie Oliveira, o cortejo representa uma oportunidade de reconhecer os mestres, grupos e comunidades que mantêm vivas as tradições populares do estado. “É muito importante ocupar as ruas com essas manifestações, porque a cultura também se fortalece quando é vista, vivenciada e compartilhada com a população. Reunir grupos de diferentes municípios em um mesmo percurso é valorizar suas histórias, seus saberes e a diversidade que forma a identidade sergipana. Além de dar visibilidade a esses mestres e artistas, é uma forma de aproximar o público da nossa cultura e fortalecer o sentimento de pertencimento”, destacou.
O cortejo percorreu ruas que guardam parte da história cultural de Aracaju e da comunidade da Maloca, reconhecida como quilombo urbano. O trajeto passou pela Rua dos Estudantes, ligada à origem do tradicional Arranca Unha e à atuação do líder comunitário João da Cruz, e pela Rua Marechal Deodoro, que reúne referências como a criação da banda Bolo de Feira e a tradicional queima do Judas.
Já pelas ruas Gararu e Nossa Senhora das Dores, o percurso destacou histórias ligadas à música, à religiosidade de matriz africana, ao carnaval e a mestres populares, valorizando os territórios onde essas manifestações construíram suas raízes e relações com a comunidade.
Cultura e Tradição
Ao longo do percurso, mestres, brincantes e integrantes dos grupos compartilharam suas tradições com moradores e visitantes, que acompanharam a passagem das manifestações. O Mestre Neilton Santana, do grupo São Gonçalo, destacou a importância do encontro entre diferentes manifestações culturais durante a Semana da Sergipanidade. “É um momento único, que reúne grupos de várias partes do estado para apresentar e representar suas cidades. Para nós, é uma alegria fazer parte dessa celebração e ter a oportunidade de compartilhar nossa cultura com o público. É um encontro que valoriza a diversidade e fortalece as tradições sergipanas”, afirmou.
A percussionista Leilinha Nascimento, do Batalá, destacou a alegria de participar do cortejo ao lado de outros grupos que representam a cultura sergipana. “Para nós, é uma honra fazer parte desse momento, dividindo as ruas com manifestações culturais que são referências para todos nós. E estar aqui, nesse espaço maravilhoso que é o Centro de Criatividade, totalmente revitalizado, torna tudo ainda mais especial. Esse lugar é o coração da percussão de Aracaju”, afirmou.
O Mestre Saci, do Grupo Saci Quilombola, destacou a importância de incluir o cortejo na programação da Semana da Sergipanidade e de valorizar as manifestações da cultura popular. “O Governo do Estado está de parabéns por promover esse encontro, que representa anos de resistência e fortalece a nossa cultura. O cortejo é uma riqueza tanto para quem participa quanto para o público, que tem a oportunidade de conhecer melhor nossas tradições. O saber cultural é um patrimônio imensurável e é muito gratificante ver tantas pessoas interessadas em prestigiar e preservar essa riqueza”, afirmou.
Participaram do cortejo os Zabumbadores de Vó Lurdes, o Cacumbi de Mestre Deca, o Batalhão de Bacamarteiros de Carmópolis, o Samba de Pareia, o Reisado São José, o Batalá, a Batucada Buscapé, o São Gonçalo, o Mestre Saci e o Baque Mulher. A diversidade de ritmos, instrumentos, danças e expressões populares transformou o trajeto em um encontro entre diferentes tradições culturais do estado.
Público aprova
A passagem dos grupos também mobilizou moradores e visitantes, que acompanharam o cortejo, registraram as apresentações e tiveram contato com manifestações populares de diferentes regiões de Sergipe. A professora Keicy Assis ressaltou a importância histórica e cultural do Centro de Criatividade para Sergipe e a emoção de acompanhar o cortejo ao lado de mestres e grupos da cultura popular.
“O Centro de Criatividade tem uma representatividade enorme para a comunidade e para todo o estado. Quem é sergipano sabe que, em algum momento, já passou por aqui para assistir a uma quadrilha ou prestigiar manifestações como as da Dona Nadir da Mussuca e dos grupos quilombolas. Poder dividir as ruas, que também são nosso palco, com tantos mestres e saberes da nossa cultura é uma experiência extraordinária e muito prazerosa”, destacou.
A aposentada Leny Gonçalves, moradora de Nossa Senhora do Socorro, fez questão de ir a Aracaju para prestigiar o cortejo. “Estou amando! Está a coisa mais linda do mundo, é uma alegria ver tantos grupos reunidos, celebrando a nossa cultura e levando essa riqueza para as ruas”, contou.
Festival Sergipanidade
A segunda edição do Festival Sergipanidade aconteceu de 29 a 31 de outubro, no Centro de Criatividade, em Aracaju, com o tema 'Nossa gente, nossas raízes, nossa identidade'. A programação gratuita reuniu diferentes linguagens artísticas e saberes tradicionais, com oficinas, rodas de conversa, sessões do Cine Sergipanidade dedicadas a produções locais, desfile de moda com coleções contempladas pela Lei Paulo Gustavo, feira de artesanato e economia criativa e apresentações musicais de artistas de diferentes gerações.