E o fim da escala 6x1? Flávio Bolsonaro, que vem trabalhando nos bastidores para que a proposta não seja votada antes do segundo turno, foge do assunto como o diabo da cruz.
O número 1 é radicalmente contra a diminuição da jornada de trabalho de 44 para 40 horas por semana sem redução salarial, com dois dias de descanso.
Que coisa, hein! Tem até bolsonarista, da linha de extrema direita, do bolsonarismo chamado de raiz, defendendo que a folga seja somente depois do meio-dia de domingo.
O presidente do Senado, David Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou para a próxima quarta-feira, 14, a votação da proposta do fim da escala 6x1 em primeiro turno.
Questionado se a votação pode ser adiada, Alcolumbre disse que sequer tem um requerimento pedindo o adiamento, obviamente se referindo aos senadores do PL, abrigo partidário do clã Bolsonaro.
Ora, ora, e não vai ser protocolado nenhum pedido para que a votação seja depois do segundo turno do pleito presidencial. Senadores do PL sabem que mais de 75% do eleitorado é a favor do fim da escala 6x1 para 5x2.
Senadores bolsonaristas são favoráveis à manutenção da escala 6x1 no escondidinho, nos bastidores. De público, como já falei, foge do assunto como o diabo da cruz. É muito cinismo.
O que a campanha da reeleição de Lula espera é que, uma vez votada a proposta do fim da escala 6x1, pesquisas pós-votação apontem um crescimento do chefe do Palácio do Planalto, que busca o quarto mandato.
Tenho dito que o primogênito do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro vive o dilema do "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". O primeiro "bicho" é o trabalhador. O segundo, são os empresários doadores da campanha de Flávio, principalmente os da Faria Lima.
Concluo dizendo que chega a ser uma espécie de "masoquismo" os que se queixam da jornada de trabalho e votam em Flávio Bolsonaro.
COLUNA WENSE, SEGUNDA-FEIRA, 12 DE OUTUBRO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) MARCO WENSE é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no PÁGINA DE POLÍCIA e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.