A notícia de que Bruno Reis, prefeito de Salvador pelo União Brasil, pode assumir o comando estadual do PL, defenestrando João Roma, movimentou os bastidores da política da Boa Terra, mais especificamente da capital.
Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro, que tem o PL como abrigo partidário, vai transformar o Partido Liberal na legenda mais cobiçada pelos políticos, principalmente os gestores públicos.
O que se comenta nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, é que a ida de Bruno para o PL, assumindo o controle da sigla, decorre de um acerto com Flávio Bolsonaro, uma contrapartida ao seu apoio e o de ACM Neto à candidatura do primogênito de Jair Messias Bolsonaro na segunda etapa eleitoral.
Não existe almoço de graça na política. Essa máxima é inquestionável. Não tem colorido ideológico.
A primeira reação de João Roma, como uma contraofensiva às articulações para defenestrá-lo do comando do PL, foi dizer que pode ser candidato a prefeito de Salvador na sucessão de 2028.
Salta aos olhos que a declaração de Roma, ex-ministro no então governo Bolsonaro, foi direcionada para ACM Neto, que pode disputar o terceiro mandato como chefe do Palácio Thomé de Souza.
Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que Bruno Reis não tomaria qualquer iniciativa sem antes consultar ACM Neto, seu criador e padrinho político.
Lembrando ao caro e atento leitor que ACM Neto passou um bom tempo distanciado de João Roma, politicamente rompido. Na política, o retorno da confiança recíproca é muito complicado. A ferida nem sempre é cicatrizada.
Concluo dizendo que essa movimentação de Bruno Reis pode levar a um novo e irreversível chega pra lá entre João Roma e ACM Neto.
PS - Quem acompanha toda essa articulação, com os olhos arregalados como os da coruja, é o deputado federal e prefeiturável Leo Prates (Republicanos), muito próximo de ACM Neto.
COLUNA WENSE, DOMINGO, 11 DE OUTUBRO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) MARCO WENSE é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no PÁGINA DE POLÍCIA e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.