As urnas de 2026 entregaram ao Brasil um resultado que confirma uma característica que já vinha marcando a política nacional nos últimos anos: a forte divisão do eleitorado.
O primeiro turno terminou sem vencedor para a Presidência da República. Flávio Bolsonaro, do PL, terminou na frente, com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula, do PT, ficou em segundo, com 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta dos votos válidos. O resultado levou a eleição presidencial para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
É a primeira vez que Flávio Bolsonaro disputa a Presidência e chega à segunda etapa da eleição. Para Lula, a situação é diferente: o presidente tenta renovar o mandato e chegar a um eventual quarto mandato presidencial.
O resultado também chama atenção pelo desempenho de Lula. O percentual obtido no primeiro turno, pouco acima de 45%, é inferior ao registrado pelo petista nas suas principais campanhas presidenciais anteriores.
O que as urnas mostraram, portanto, não foi uma vitória definitiva de nenhum dos lados. Mostraram um país dividido em praticamente duas grandes forças eleitorais.
Agora começa outra eleição.
Presidente Lula se pronuncia após o 1º turno das eleições
A partir de agora, a eleição deixa de ser uma disputa entre vários candidatos e passa a ser uma escolha direta entre dois nomes.
Flávio Bolsonaro terá de transformar a liderança do primeiro turno em maioria.
Lula terá de buscar pouco mais de dois milhões de votos além daqueles que recebeu no primeiro turno para ultrapassar o adversário, mas a conta real será mais complexa, porque os votos dos demais candidatos, os votos brancos, nulos e a abstenção também entram na estratégia política do segundo turno.
A grande pergunta passa a ser: para onde irão os votos dos candidatos que ficaram pelo caminho?
Mas não será apenas uma questão de transferência automática de votos.
O segundo turno também será decidido pela rejeição aos candidatos, pela capacidade de cada campanha de conversar com eleitores que não votaram em seu candidato no primeiro turno e, principalmente, pela mobilização eleitoral.
A eleição presidencial chama mais atenção, mas o resultado para o Congresso Nacional talvez seja um dos capítulos mais importantes da eleição de 2026.
Na Câmara dos Deputados, 183 dos 513 eleitos exercerão o primeiro mandato, o equivalente a uma renovação de 35,67% da Casa.
Ao mesmo tempo, 301 deputados conseguiram a reeleição, representando 58,6% do total de parlamentares que tentaram permanecer no cargo.
Ou seja, não houve uma ruptura completa.
A Câmara terá renovação, mas também preservará uma parcela expressiva dos parlamentares que já estavam em Brasília.
No Senado, a mudança é ainda maior.
Das 81 cadeiras da Casa, 54 estavam em disputa. Dessas, 40 serão ocupadas por novos senadores, enquanto 14 dos atuais parlamentares que tentaram a reeleição conseguiram permanecer.
Isso significa que aproximadamente 74% das vagas disputadas no Senado serão ocupadas por novos nomes.
A composição política de Brasília, portanto, será diferente a partir de 2027.
E esse detalhe será fundamental para o próximo presidente.
Não basta ganhar o Palácio do Planalto. Será necessário construir maioria ou, pelo menos, uma base de negociação capaz de aprovar projetos, votar o Orçamento e sustentar politicamente o governo.
Se o Brasil apresentou uma disputa apertada pela Presidência, a Bahia produziu um resultado completamente diferente.
O estado reafirmou sua posição como um dos principais redutos eleitorais do lulismo.
Lula terminou a eleição na Bahia com ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro, mantendo uma diferença superior a três milhões de votos no estado.
O resultado presidencial baiano foi acompanhado por uma sequência de vitórias do grupo petista nas principais disputas estaduais.
Na disputa pelo governo estadual, não houve segundo turno.
Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador da Bahia.
O petista venceu novamente ACM Neto, repetindo o confronto de 2022, mas desta vez sem precisar de uma segunda votação.
Com isso, o PT mantém o governo baiano desde 2007 e chega a mais um mandato consecutivo no comando do Estado.
A vitória de Jerônimo tem peso político nacional.
A Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do país e um dos estados mais importantes para a estratégia eleitoral do PT.
A campanha também foi marcada pela tentativa da oposição de desvincular a disputa estadual da eleição presidencial e pelo debate em torno do chamado voto casado.
No fim, a estratégia petista prevaleceu.
Jerônimo seguirá no Palácio de Ondina até 2030.
Jerônimo Rodrigues fala após ser reeleito governador na Bahia
Outra vitória de grande peso para o grupo governista foi a eleição para o Senado.
A Bahia tinha duas vagas em disputa.
As duas ficaram com o PT.
Rui Costa foi eleito senador pela primeira vez e Jaques Wagner foi reeleito.
Rui Costa terminou na primeira colocação, com aproximadamente 30% dos votos válidos, enquanto Jaques Wagner ficou com cerca de 27,6%.
A eleição representa a volta de Rui Costa ao Legislativo federal depois de dois mandatos como governador e de sua passagem pela Casa Civil da Presidência da República.
Para Wagner, significa a continuidade de uma carreira política que já passou pela Câmara dos Deputados, pelo governo da Bahia e pelo Senado.
Politicamente, o resultado também fortalece o grupo de Jerônimo Rodrigues e amplia o peso da Bahia dentro da bancada governista no Senado.
A derrota mais simbólica da eleição para o Senado na Bahia foi a de Ângelo Coronel.
O senador buscava a renovação do mandato, mas terminou atrás de Rui Costa e Jaques Wagner.
Coronel havia rompido com o grupo político do governo estadual durante a formação da chapa para 2026.
Depois de deixar o PSD, passou a integrar o Republicanos e aproximou-se do grupo de ACM Neto.
Na eleição, disputou o Senado dentro da chapa de oposição.
O resultado, porém, não foi suficiente para garantir sua permanência em Brasília.
A derrota mostra como o rompimento alterou completamente o cenário político de um senador que, em 2018, havia sido eleito justamente com o apoio do grupo petista.
Não é possível atribuir a derrota exclusivamente à mudança de lado, porque uma eleição envolve muitos fatores. Mas politicamente o resultado é significativo: Coronel deixa o Senado enquanto dois nomes ligados diretamente ao PT ocupam as duas vagas da Bahia.
A Assembleia Legislativa da Bahia terá 63 deputados na legislatura que começa em 2027.
A nova composição apresenta uma renovação expressiva.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, conquistou 20 cadeiras e terá a maior bancada da Casa.
O PSD ficou com nove cadeiras.
A composição também inclui União Brasil, PL, Avante, PDT, Republicanos, PP, MDB, PSDB e PSOL.
Um dado chama atenção: 53 dos 63 deputados estaduais eleitos estarão exercendo o primeiro mandato na Assembleia, segundo o levantamento divulgado após a totalização.
A nova legislatura também terá 10 mulheres.
A votação mais expressiva foi novamente da presidente da ALBA, Ivana Bastos (PSD), que alcançou 203.202 votos.
Logo depois apareceu Diego Castro (PL), com 160.305 votos, seguido por Rowenna Brito (PT), com 137.266 votos.
Um dos resultados mais interessantes da eleição estadual foi a vitória de Kleber Rosa.
Professor e investigador de polícia, Kleber construiu sua trajetória política disputando eleições majoritárias.
Depois de concorrer ao governo da Bahia em 2022 e à Prefeitura de Salvador em 2024, ele finalmente conquistou um mandato eletivo.
Kleber Rosa foi eleito deputado estadual pelo PSOL, com 68.921 votos.
A vitória também tem importância para a esquerda baiana.
O PSOL conquistou uma cadeira na Assembleia e passa a ter representação própria na Casa.
Para Kleber, o mandato representa uma mudança de posição: depois de duas campanhas majoritárias, ele passa agora a atuar diretamente no Legislativo.
Outro retorno importante é o de Soldado Prisco.
Marco Prisco Caldas Machado retorna à Assembleia Legislativa pelo PL.
Ele recebeu 50.235 votos.
Prisco já havia exercido mandato na ALBA e ficou conhecido nacionalmente por sua atuação ligada à representação dos policiais militares.
Seu retorno acontece agora em um cenário político diferente, com o PL ampliando sua presença na Assembleia e ocupando uma posição mais forte no campo conservador.
A segurança pública, portanto, deverá continuar sendo uma das áreas de maior visibilidade de seu mandato.
Um dos nomes que mais chamaram atenção na eleição para deputado federal na Bahia foi Sandro Filho (PP). Aos apenas 21 anos, o vereador de Salvador deixa a Câmara Municipal, onde exercia seu primeiro mandato, para ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. Ele foi eleito com 167.394 votos, tornando-se o deputado federal mais jovem já eleito pela Bahia.
A ascensão de Sandro foi rápida. Ele chegou à Câmara de Salvador em 2024, eleito com 12.565 votos, e em pouco menos de dois anos conseguiu ampliar sua votação em uma proporção expressiva. Durante a campanha, ganhou visibilidade principalmente nas redes sociais, com uma atuação marcada por críticas ao governo estadual e forte presença em pautas de fiscalização e oposição.
Agora, o desafio muda de tamanho. Se na Câmara de Salvador Sandro ganhou projeção como um dos vereadores mais jovens da capital, em Brasília terá de transformar essa popularidade em atuação parlamentar. A eleição também coloca seu nome entre os novos representantes de uma geração que chega à política institucional utilizando as redes sociais como principal instrumento de comunicação com o eleitor. Aos 21 anos, Sandro não apenas troca o Legislativo municipal pelo Congresso: passa a integrar uma nova geração de políticos baianos que chega a Brasília com forte presença digital e um eleitorado construído, em boa parte, fora das estruturas políticas tradicionais.
Nota: a apuração final disponível registra 167.394 votos para Sandro Filho.
A Bahia continuará com 39 representantes na Câmara dos Deputados.
O mais votado foi Pastor Sargento Isidório, do Avante, com 248.147 votos.
A bancada baiana terá representantes de diferentes correntes políticas.
| Nº | Deputado federal | Partido | Votos |
|---|---|---|---|
| 1 | Pastor Sargento Isidório | Avante | 248.147 |
| 2 | Antonio Brito | PSD | 205.815 |
| 3 | Neto Carletto | Avante | 197.240 |
| 4 | Daniel Alencar | PSD | 192.492 |
| 5 | Lucas Reis | PT | 192.080 |
| 6 | Sandro Filho | PP | 167.394 |
| 7 | Ivoneide Caetano | PT | 163.055 |
| 8 | Doutora Raissa Soares | PL | 162.370 |
| 9 | Roberta Roma | PL | 156.108 |
| 10 | Gabriel Nunes | PSD | 155.060 |
| 11 | Jorge Solla | PT | 152.049 |
| 12 | Valmir Assunção | PT | 148.941 |
| 13 | Sergio Brito | PSD | 148.775 |
| 14 | Ricardo Maia | MDB | 147.981 |
| 15 | Diego Coronel | Republicanos | 144.890 |
| 16 | Carlos Muniz | PSDB | 141.762 |
| 17 | Afonso Florence | PT | 138.163 |
| 18 | Elmar | União Brasil | 134.235 |
| 19 | Olivia Santana | PCdoB | 123.359 |
| 20 | Dal Barreto | União Brasil | 122.667 |
| 21 | Adolfo Viana | PSDB | 119.865 |
| 22 | Daniel Almeida | PCdoB | 114.552 |
| 23 | Alice Portugal | PCdoB | 114.395 |
| 24 | Ditinho Avivip | União Brasil | 111.025 |
| 25 | Claudio Cajado | PP | 110.384 |
| 26 | Leur Lomanto Junior | União Brasil | 108.893 |
| 27 | Maria Marighella | PT | 108.870 |
| 28 | Joseildo Ramos | PT | 108.200 |
| 29 | João Bacelar | PL | 107.232 |
| 30 | Paulo Azi | União Brasil | 105.797 |
| 31 | Capitão Alden | PL | 105.110 |
| 32 | Manuel Rocha | União Brasil | 104.969 |
| 33 | Léo Prates | Republicanos | 103.794 |
| 34 | Raimundo Costa | PSD | 102.907 |
| 35 | Mário Negromonte Júnior | PSB | 101.536 |
| 36 | Márcio Marinho | Republicanos | 97.458 |
| 37 | Charles Fernandes | PSD | 87.945 |
| 38 | Elmo Vaz | Avante | 65.558 |
| 39 | Félix Mendonça Júnior | PDT | 60.159 |
A composição mostra PT e PSD entre as principais forças da bancada baiana, ao lado de União Brasil, Avante e outras legendas.
Dos 39 eleitos, 28 foram reeleitos e 11 chegam à Câmara em uma nova condição, segundo o levantamento divulgado após a totalização.
A Assembleia terá uma composição bastante diversificada.
Confira a relação completa, em ordem de votação:
| Nº | Deputado estadual | Partido | Votos |
|---|---|---|---|
| 1 | Ivana Bastos | PSD | 203.202 |
| 2 | Diego Castro | PL | 160.305 |
| 3 | Rowenna Brito | PT | 137.266 |
| 4 | Dr. Thiago Gilleno | Republicanos | 114.627 |
| 5 | Denise Menezes | PSD | 103.744 |
| 6 | Elinaldo | União Brasil | 101.314 |
| 7 | Rosemberg Pinto | PT | 100.378 |
| 8 | Alex da Piatã | PSD | 99.911 |
| 9 | Pedro Tavares | União Brasil | 98.193 |
| 10 | Rogério Andrade | MDB | 93.451 |
| 11 | Luciano Pinheiro | PDT | 92.339 |
| 12 | Sandro Régis | União Brasil | 91.754 |
| 13 | Osni Cardoso | PT | 89.356 |
| 14 | Cinthya Marabá | PL | 89.063 |
| 15 | Angelo Almeida | PT | 87.532 |
| 16 | Samuel Júnior | PL | 87.152 |
| 17 | Andrea Castro | PSD | 86.973 |
| 18 | Vilma Reis | PT | 83.222 |
| 19 | Marcinho Oliveira | PDT | 83.074 |
| 20 | Tancredo Isidório | Avante | 82.883 |
| 21 | Léo de Neco | Avante | 81.903 |
| 22 | Igor | PL | 79.736 |
| 23 | Niltinho | PSD | 79.480 |
| 24 | Júlio Pinheiro | PT | 78.635 |
| 25 | Jânio Natal Júnior | PL | 77.706 |
| 26 | Juvenilson Passos | PT | 76.627 |
| 27 | Hassan de Zé Cocá | PP | 75.359 |
| 28 | Zé Raimundo | PT | 74.853 |
| 29 | Ricardo Rodrigues | PSD | 74.441 |
| 30 | Júnior Muniz | PT | 74.146 |
| 31 | Carlinhos Sobral | MDB | 73.274 |
| 32 | Eduardo Alencar | PSD | 72.752 |
| 33 | Júnior Nascimento | União Brasil | 72.382 |
| 34 | Cláudia Oliveira | PSD | 71.455 |
| 35 | Bobô | PCdoB | 70.898 |
| 36 | Dr. Pitágoras | PP | 70.752 |
| 37 | Angelo Coronel Filho | Republicanos | 69.444 |
| 38 | Kleber Rosa | PSOL | 68.921 |
| 39 | Vitor Azevedo | Avante | 68.806 |
| 40 | Silva Neto | Avante | 66.967 |
| 41 | Tiago Correia | PSDB | 65.969 |
| 42 | Paulo Câmara | PL | 65.682 |
| 43 | Fabrício Falcão | PCdoB | 64.755 |
| 44 | Penalva | PP | 64.606 |
| 45 | Roberto Carlos | PV | 64.295 |
| 46 | Ludmilla Fiscina | PSD | 64.147 |
| 47 | Robinson Almeida | PT | 63.800 |
| 48 | Fátima Nunes | PT | 63.707 |
| 49 | Eduardo Salles | PV | 63.093 |
| 50 | Tagner | PT | 63.032 |
| 51 | Jurailton Santos | Republicanos | 60.783 |
| 52 | Luciano Simões Filho | União Brasil | 60.711 |
| 53 | Zó do Sertão | PCdoB | 60.413 |
| 54 | Marquinho Viana | PV | 60.315 |
| 55 | João de Furão | Avante | 58.510 |
| 56 | Neusa Cadore | PT | 56.914 |
| 57 | Euclides Fernandes | PT | 54.557 |
| 58 | Neto Coelho | PDT | 54.429 |
| 59 | Soldado Prisco | PL | 50.235 |
| 60 | José de Arimateia | Republicanos | 49.372 |
| 61 | Jordávio Ramos | PSDB | 48.100 |
| 62 | Josafá Marinho | PDT | 47.464 |
| 63 | Cacau da Mata | PDT | 47.216 |
A lista foi organizada pela votação individual. É importante lembrar que deputado não é eleito simplesmente por estar entre os mais votados. O sistema é proporcional, e a distribuição das cadeiras depende também da votação dos partidos e federações.
O resultado baiano é bastante claro.
O eleitorado colocou o PT em uma posição de enorme força institucional.
Lula venceu com ampla vantagem para presidente.
Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador.
Rui Costa e Jaques Wagner ficaram com as duas vagas do Senado.
Na Câmara dos Deputados, o PT e seus aliados mantiveram uma bancada expressiva.
Na Assembleia, a Federação Brasil da Esperança conquistou 20 cadeiras.
Mas a eleição também mostrou que existe espaço para outras forças.
O PL ampliou sua presença na Assembleia e elegeu quatro deputados federais.
União Brasil manteve uma bancada importante.
PSD continuou sendo uma das principais forças políticas do estado.
E nomes como Diego Castro e Soldado Prisco reforçam a presença de um campo conservador ligado principalmente às pautas de segurança pública, valores e oposição ao governo petista.
A Bahia, portanto, continua tendo um governo estadual fortemente identificado com Lula, mas não é politicamente homogênea.
Para quem acompanha a política de segurança pública, a nova composição do Legislativo baiano merece atenção.
A presença de policiais, ex-policiais e parlamentares ligados à área de segurança continua relevante.
Soldado Prisco retorna à Assembleia.
Kleber Rosa chega ao Legislativo com a experiência de investigador de polícia e professor.
Outros parlamentares também possuem atuação ou vínculos políticos com o setor.
Isso significa que temas como valorização profissional, carreira, condições de trabalho, violência urbana, sistema prisional, investigação criminal, Polícia Militar, Polícia Civil e políticas de prevenção deverão permanecer no centro dos debates.
A segurança pública, aliás, foi uma das áreas mais sensíveis da campanha estadual e continuará sendo um dos principais desafios do segundo mandato de Jerônimo Rodrigues.
As eleições de 2026 deixaram algumas mensagens importantes.
A primeira é que o Brasil continua dividido.
A segunda é que o bolsonarismo continua competitivo e conseguiu colocar Flávio Bolsonaro na liderança do primeiro turno presidencial.
A terceira é que Lula continua tendo uma força eleitoral muito grande, apesar de ter terminado atrás no primeiro turno.
A quarta é que a Bahia continua sendo um dos principais pilares eleitorais do PT.
E a quinta é que o próximo presidente terá de governar com um Congresso diferente, mais renovado no Senado e com uma Câmara que, embora tenha preservado muitos parlamentares, também recebeu uma parcela significativa de novos nomes.
A eleição de 2026 não terminou.
Para presidente, ela apenas entrou em sua fase decisiva.
Flávio Bolsonaro e Lula voltam a se enfrentar no dia 25 de outubro, agora em uma disputa direta que promete ser ainda mais intensa.
Na Bahia, entretanto, o cenário já está definido.
Jerônimo Rodrigues foi reeleito.
Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas do Senado.
Ângelo Coronel ficou fora.
A Câmara dos Deputados ganhou 39 representantes, enquanto a Assembleia Legislativa terá 63 parlamentares a partir de 2027.
Entre eles, nomes que simbolizam diferentes lados da política baiana.
Ivana Bastos foi novamente a deputada estadual mais votada.
Diego Castro apareceu em segundo.
Kleber Rosa conquistou seu primeiro mandato.
Soldado Prisco está de volta à Assembleia.
E uma nova geração de parlamentares começa a ocupar espaço na política estadual.
No plano nacional, o Brasil chega ao segundo turno dividido praticamente ao meio.
Na Bahia, a fotografia é outra.
O PT sai das urnas fortalecido e mantém o controle dos principais espaços de poder do estado.
Mas a presença crescente de forças de oposição no Legislativo mostra que a política baiana não é uma fotografia parada.
É um cenário em movimento.
E, depois de 25 de outubro, o resultado presidencial poderá mudar novamente o equilíbrio de forças no país.
O próximo presidente, seja Lula ou Flávio Bolsonaro, terá diante de si um Brasil dividido, um Congresso renovado e uma Bahia politicamente organizada em torno de um projeto que, neste primeiro turno, saiu das urnas com uma vitória bastante clara.